Eleições 2.026 e o enigma paranaense entre a Gestão de Excelência e o Favoritismo do “justiceiro de Curitiba”

 

O cenário político no Paraná apresenta um fenômeno singular às vésperas da corrida eleitoral de 2026. De um lado, um governador que ostenta índices de aprovação históricos; de outro, uma oposição que, liderada pelo senador Sergio Moro (PL), consolida uma vantagem que ameaça liquidar a fatura ainda no primeiro turno.

O Fenômeno das Urnas: Moro Rumo ao Iguaçu?

Segundo o mais recente levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta segunda-feira, 11 de maio, o ex-juiz da Operação Lava Jato, Sergio Moro, mantém uma liderança isolada com 42,6% das intenções de voto no principal cenário estimulado. A força de Moro é tamanha que, em uma simulação sem a presença do atual prefeito de Curitiba, Rafael Greca, o senador atinge 49,2%, flertando com uma vitória definitiva sem necessidade de segundo turno.

Abaixo de Moro, a disputa pelo segundo posto segue acirrada:

  • Requião Filho (PDT): 19,7%
  • Rafael Greca (MDB): 16,3%
  • Sandro Alex (PSD): 8,6%

O Desafio da Sucessão: A Máquina de Ratinho Jr.

O paradoxo da eleição paranaense reside na figura de Ratinho Jr. (PSD). Consolidado como um dos gestores mais populares do país, o governador atingiu a marca de 79,6% de aprovação popular. Em algumas medições regionais recentes, como a do instituto IRG, sua avaliação positiva chegou a ultrapassar a barreira dos 88%, refletindo o impacto de obras de infraestrutura e programas de modernização administrativa.

Entretanto, a história política ensina que prestígio nem sempre é transferível por osmose. O escolhido do Palácio Iguaçu, o ex-secretário de Infraestrutura Sandro Alex, ainda luta para romper a barreira dos dois dígitos.

"O desafio da situação é transformar o 'asfalto e a gestão' em votos diretos para um sucessor que ainda busca identidade própria junto ao eleitorado do interior e da capital", avaliam analistas políticos locais.


Reflexos Nacionais e a Polarização

A força de Moro no estado não é um evento isolado. O Paraná reafirma-se como um reduto conservador e de oposição ao governo federal. Dados da pesquisa Quaest, também de maio de 2026, mostram que no estado o sentimento antipetista permanece sólido: em uma eventual disputa presidencial, o bloco de oposição liderado por nomes como Flávio Bolsonaro (PL) detém 38% das intenções de voto contra 23% do atual presidente Lula.

O que esperar das próximas semanas?

Com o início oficial do período de convenções se aproximando, a estratégia de Ratinho Jr. é clara: intensificar a agenda de entregas e vincular sua imagem visceralmente à de Sandro Alex. Por outro lado, Sergio Moro aposta na estabilidade de sua base, que parece imune às movimentações da máquina estatal.

A pergunta que ecoa nos corredores da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) é se a eficiência administrativa de um governo recordista em aprovação será capaz de dobrar a vontade de um eleitorado que, até o momento, parece decidido a entregar as chaves do estado ao "justiceiro de Curitiba".

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