O Voto Contra os Trabalhadores de Rosângela Moro Expôs os Moro no Paraná - Jornalismo e Cultura

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28/05/26

O Voto Contra os Trabalhadores de Rosângela Moro Expôs os Moro no Paraná


A aprovação histórica da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais abriu um debate profundo na política brasileira. Aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos consecutivos com margens esmagadoras (472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo), a medida contou com o apoio de quase todas as forças políticas. No entanto, o reduzido grupo de parlamentares que escolheu votar contra a melhora na qualidade de vida do trabalhador gerou um forte desgaste político. Entre esses poucos nomes está o de Rosângela Moro (PL-SP).

A postura de Rosângela repercutiu imediatamente no cenário político paranaense, funcionando como um verdadeiro "tiro no pé" para as pretensões de seu marido, o senador e pré-candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro. Ao votar contra uma pauta amplamente popular e de interesse direto de milhões de assalariados, a deputada acabou por desgastar a imagem de "herói do povo" que o ex-juiz da Lava Jato ainda tenta sustentar perante o eleitorado do estado.

O Peso dos Dados: Isolamento na Urna

O isolamento político daqueles que rejeitaram o fim da escala 6x1 fica evidente quando analisamos a solidez dos dados de votação fornecidos pelo painel da Câmara dos Deputados.

Mesmo após a orientação oficial de bancadas de oposição — como a federação União-Progressistas e o Partido Liberal (PL) — para dar aval ao texto, Rosângela Moro manteve-se firme na ala mais radical contra o benefício trabalhista em ambos os turnos.

Turno de VotaçãoVotos a FavorVotos ContráriosVotos contra a PEC dentro do PLPosição de Rosângela Moro
1º Turno4722211 deputadosContra
2º Turno461198 deputadosContra

 Confira quem votou contra no 1º turno:

  • Carlos Chiodini (MDB-SC)
  • Pezenti (MDB-SC)
  • Kim Kataguiri (Missão-SP)
  • Marcel van Hattem (Novo-RS)
  • Adriana Ventura (Novo-SP)
  • Gilson Marques (Novo-SC)
  • Ricardo Salles (Novo-SP)
  • Paulo Marinho Jr (PL-MA)
  • Bibo Nunes (PL-RS)
  • Nicoletti (PL-RR)
  • Caroline de Toni (PL-SC)
  • Daniel Freitas (PL-SC)
  • Daniela Reinehr (PL-SC)
  • Mauricio Marcon (PL-RS)
  • Julia Zanatta (PL-SC)
  • Zé Trovão (PL-SC)
  • Ricardo Guidi (PL-SC)
  • Rosangela Moro (PL-SP)
  • Sérgio Turra (PP-RS)
  • Lucas Redecker (PSD-RS)
  • Fabio Schiochet (União-SC)
  • Fausto Pinato (União-SP)

Confira quem votou contra no 2º turno:

  • Carlos Chiodini (MDB-SC)
  • Pezenti (MDB-SC)
  • Kim Kataguiri (Missão-SP)
  • Marcel van Hattem (Novo-RS)
  • Adriana Ventura (Novo-SP)
  • Gilson Marques (Novo-SC)
  • Ricardo Salles (Novo-SP)
  • Nicoletti (PL-RR)
  • Bibo Nunes (PL-RS)
  • Mauricio Marcon (PL-RS)
  • Daniel Freitas (PL-SC)
  • Daniela Reinehr (PL-SC)
  • Julia Zanatta (PL-SC)
  • Ricardo Guidi (PL-SC)
  • Rosangela Moro (PL-SP)
  • Sérgio Turra (PP-RS)
  • Lucas Redecker (PDS-RS)
  • Fabio Schiochet (União-SC)

Esse posicionamento coloca a parlamentar em uma minoria barulhenta, porém numericamente insignificante no Congresso, demonstrando um descompasso com os anseios das bases eleitorais e da própria classe trabalhadora brasileira e paranaense.

O Impacto no Tabuleiro Paranaense e as Pretensões de Sérgio Moro

Embora eleita pelo estado de São Paulo, Rosângela Moro divide com o marido o foco de atuação política voltado para o Paraná. Sérgio Moro articula sua pré-candidatura para suceder o atual governo estadual e o voto de sua esposa é interpretado por analistas locais como uma extensão do pensamento político e econômico do próprio casal.

A decisão de votar contra uma folga adicional remunerada e pela manutenção de uma jornada exaustiva é vista como uma demonstração de desprezo pelas reais necessidades e pelo bem-estar de quem compõe a força de trabalho no comércio, na indústria e nos serviços — setores fundamentais da economia do Paraná. O episódio desconstrói a narrativa de que o clã Moro atua em favor dos cidadãos comuns, revelando um alinhamento rígido com visões corporativas tradicionais em detrimento dos direitos sociais.

Para os eleitores paranaenses, o recado que fica é o de que, quando colocados diante da escolha entre o descanso do trabalhador e o interesse do capital, a escolha do grupo político de Moro foi a manutenção do modelo antigo e desgastante de seis dias de trabalho por apenas um de descanso.

O Texto Aprovado e os Próximos Passos

A proposta chancelada pelos deputados foi o texto aglutinador do relator Leo Prates (Republicanos-BA), que enxugou a ideia inicial de 36 horas semanais do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) para construir o consenso de 40 horas e o limite de 5 dias trabalhados na semana.

O texto prevê uma transição gradual que busca dar fôlego ao mercado produtivo:

  • Primeiros 60 dias: Redução inicial de duas horas na jornada semanal.

  • Até 12 meses: Adaptação completa dos empregadores ao teto de 40 horas e garantia do segundo dia de descanso (preferencialmente aos domingos), sem qualquer redução salarial.

  • Setor Público e Terceirizados: Contratos com governos municipais, estaduais e federal terão prazos específicos de até um ano para aditamento contratual.

A PEC também criou a figura do "Superfuncionário", estipulando que profissionais do setor privado com ensino superior e salário acima de R$ 21.188,87 (dois salários e meio do teto do INSS) fiquem de fora do controle rígido de jornada, podendo ajustar suas horas diretamente via acordo ou convenção coletiva, contanto que mantidas as duas folgas semanais.

Agora, o projeto segue para a análise do Senado Federal. Na chamada "Casa Alta", o texto precisará passar pelo crivo da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ser levado a plenário, onde o próprio senador Sérgio Moro terá que registrar seu voto e decidir se seguirá o caminho do isolamento adotado por sua esposa ou se cederá à forte pressão popular.