O Paradoxo da Unificação - Quando o mesmo diagnóstico abriga realidades incomunicáveis do Autismo
O paradoxo da unificação: quando o mesmo diagnóstico abriga realidades incomunicáveis e acirra a disputa por voz, recursos e políticas p...
-
Decisão do TRF-5 expõe arbitrariedade do Estado ao reter medicamentos essenciais de pacientes com prescrição médica; desembargador cla...
-
A disputa pelo comando da comissão provisória do Partido Liberal em Colombo ganha contornos dramáticos após a direção estadual anular dir...
-
O cenário político no Paraná apresenta um fenômeno singular às vésperas da corrida eleitoral de 2026. De um lado, um governador que oste...
Pesquisadores descobrem primeiros casos de resistência da gripe H7N9 ao Tamiflu
Uma equipe de cientistas chineses confirmou, pela primeira vez, casos em que o vírus da gripe aviária H7N9 adquiriu resistência aos medicamentos antivirais mais utilizados contra a doença, como o oseltamivir (comercialmente conhecido como Tamiflu).
Em um estudo publicado nesta terça-feira na revista The Lancet, os pesquisadores descrevem dois casos de resistência a esse remédio em pacientes infectados pelo vírus na China.
A nova cepa do vírus da gripe aviária apareceu em março deste ano, no leste chinês, infectando 132 pessoas e matando 36. Antivirais como o Tamiflu são o único tratamento atualmente disponível contra a gripe H7N9. Na maioria dos casos, eles reduzem a carga viral e restabelecem a saúde dos doentes.
Foi o que a equipe de pesquisadores confirmou ao analisar os casos de quatorze doentes hospitalizados em abril com uma infecção confirmada do H7N9. O tratamento com os antivirais foi efetivo em onze deles, permitindo uma melhora rápida em sua saúde. Em três, no entanto, o quadro clínico continuou piorando e a carga viral não diminuiu, o que levou os virologistas a suspeitarem de uma resistência aos medicamentos. Dois desses pacientes não resistiram e morreram antes da publicação do estudo.
Uma análise genética do vírus confirmou, em dois desses casos, uma mutação chamada Arg292Lys, característica de resistência aos antivirais oseltamivir e peramivir. Os cientistas detectaram que a resistência ao tratamento ocorreu em pacientes que haviam recebido corticoesteroides, um tipo de anti-inflamatório. Eles destacam, no entanto, que são necessários mais estudos para confirmar se isso tem alguma relação direta com a deterioração de sua saúde.
Novo vírus — Os pesquisadores sabem que o vírus H7N9 surgiu entre as aves, que transmitem a doença para os seres humanos. Até agora não foi constatada nenhuma transmissão de pessoa para pessoa, condição necessária para que ocorra uma pandemia.
Um estudo recente descobriu, no entanto, que o H7N9 pode ser transmitido entre mamíferos, o que levou os cientistas a pedirem atenção para novas mutações no vírus. Isso, somado ao novo estudo que mostra a resistência aos antivirais, pode aumentar ainda mais os riscos trazidos pela nova gripe aviária.
A pesquisa publicada no The Lancet também informa a descoberta de traços do vírus na garganta, no sangue, nas fezes e na urina de vários pacientes, o que poderia significar que ele tem a capacidade de se disseminar para além do sistema respiratório.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Association between adverse clinical outcome in human disease caused by novel influenza A H7N9 virus and sustained viral shedding and emergence of antiviral resistance
Onde foi divulgada: periódico The Lancet
Quem fez: Yunwen Hu, Shuihua Lu, Zhigang Song, Wei Wang, Pei Hao, Jianhua Li, Xiaonan Zhang, Hui-Ling Yen, Bisheng Shi, Tao Li, Wencai Guan, Lei Xu, entre outros
Instituição: Universidade de Fudan, China; entre outras
Dados de amostragem: Quatorze pacientes infectados com o vírus H7N9, internados no Centro Clínico de Saúde Pública de Shangai. Todos receberam o tratamento médico com oseltamivir (comercialmente conhecido como Tamiflu).
Resultado: O tratamento com os antivirais foi efetivo para onze dos quatorze pacientes, diminuindo a quantidade do vírus rapidamente. O estado de saúde de três, no entanto, continuou deteriorando mesmo com os remédios. Os pesquisadores descobriram uma mutação no vírus H7N9 que infectava dois desses pacientes, tornando-os resistente aos antivirais.
(Com Agência France-Presse)
