Leitores
apontam que o chamado novo humor brasileiro, bem mais ideológico, no
mau sentido, do que o de gerações anteriores também não faz piadas com
religiões de origem africana ou com o budismo. É verdade.
Os
orientalismos estão entre hábitos de consumo de certa classe média com
aspirações à ilustração, de onde vem a turma. E os africanismos são uma
das expressões do politicamente correto. Transformá-los em alvos do
humor seria um desrespeito com o oprimido e uma forma de fazer o jogo do
poder.
Então
sobra para o cristianismo, com igual virulência contra evangélicos e
católicos. Estes são considerados culpados de boa parte dos males do
mundo, inclusive a aids, já que “é contra a camisinha”. Sem contar a
Inquisição… Bom mesmo era Marat!!! E os evangélicos são tratados como
idiotas abduzidos, que não perceberiam que seu pastor não passa de um
pilantra. “Ah, mas não existem padres e pastores pilantras, Reinaldo?”
Claro que sim! Mas também há jornalistas pilantras, açougueiros
pilantras, humoristas pilantras. E, reitero, não quero censurar ninguém.
Só não dá para posar de “Soninha Toda Pura” ou de “A Censurada do
Leblon” quando há uma reação.
Recorrer à
Justiça é, reitero, uma reação democrática. Não pode é sair quebrando,
espancando, batendo — práticas com as quais certo humor, é bom notar,
tem flertado, ainda que por vias oblíquas. Isso, sim, é, nos valores que
propaga, agressão à democracia. Recorrer a um Poder da República, nos
marcos do Estado de Direito, é parte das regras do jogo.
Mas me
desviei um pouco. No meu longo texto, demonstro que, se os humoristas
preservam aqueles que julgam oprimidos, então preservem o cristianismo,
ora, hoje a mais oprimida das religiões, seja na denominação católica,
seja num dos muitos ramos do protestantismo. Mais de 100 mil pessoas são
assassinadas por ano por causa de sua confissão religiosa. Parece
pouco? Inspira o gosto de alguém pela piada?
Mas
atenção! Eu sou Tocqueville: os males da liberdade se curam com mais
liberdade — garantidas as premissas que permitem o exercício do direito.
A piada é livre. O direito de reagir — na forma já definida aqui como
sensata — também.
Há quem
ache que Cristo era um banana? Que diga! O que não é possível é sair
gritando “censura!” e reagir como se tivesse havido uma agressão à
santidade quando alguém diz que banana é o humorista — ou jornalista,
incluindo o autor deste post.
