Um manifesto em defesa da democracia e da Petrobras foi divulgado nesta sexta-feira por alguns dos principais intelectuais brasileiros. O texto denuncia a tentativa de destruição da Petrobras, de seus fornecedores e de tentativa de mudança do modelo que rege a exploração de petróleo no Brasil. Leia, abaixo, texto do jornalista Luis Nassif e, também, o manifesto dos intelectuais:
É hora de encarar os fatos: há uma conspiração em marcha para desestabilizar o governo,
ainda que à custa da desorganização da economia. Não dá mais para tapar o sol com a peneira. É uma conjunção muito grande de fatores:
ainda que à custa da desorganização da economia. Não dá mais para tapar o sol com a peneira. É uma conjunção muito grande de fatores:
- A cobertura enviesada da mídia em cima de vazamentos seletivos da Operação Lava Jato. Conseguiram transformar até a Swissleaks em operação Lava Jato.
- O comportamento do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, tratando o crime de vazamento de informações como se fosse uma ocorrência normal.
- As declarações sincronizadas da mídia, Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, procurando manietar o já inerte Ministro da Justiça.
- A visita de procuradores ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a pretexto de colaborar com as investigações contra a Petrobras.
- Finalmente, a decisão do Ministério Público Federal, de agora há pouco, de dar o golpe final contra as empreiteiras da Lava Jato, inviabilizando-as definitivamente.
Não tem lógica alegar estrito
cumprimento da lei para liquidar com as empresas. Nem o mais empedernido
burocrata ficaria insensível aos efeitos dessa quebra sobre a economia
brasileira, sobre empregos e sobre o crescimento.
Qualquer agente público
minimamente responsável trataria de apurar responsabilidades e punir
duramente as pessoas físicas responsáveis, evitando afetar as empresas,
ainda mais sabendo dos desdobramentos sobre a economia como um todo.
Só intenções políticas obscuras para justificar essa marcha da insensatez.
PS - Alo, presidente Dilma
Rousseff. Esqueça essa preocupação sobre se as pessoas vão ou não
duvidar da sua honestidade. Ninguém duvida dela. Eles não estão atrás da
sua reputação: estão atrás do seu cargo. Acorde!
Abaixo, manifesto de personalidades contra o jogo político em andamento.
Manifesto: O QUE ESTÁ EM JOGO AGORA
A chamada Operação Lava Jato, a
partir da apuração de malfeitos na Petrobras, desencadeou um processo
político que coloca em risco conquistas da nossa soberania e a própria
democracia.
Com efeito, há uma campanha para
esvaziar a Petrobras, a única das grandes empresas de petróleo a ter
reservas e produção continuamente aumentadas. Além disso, vem a proposta
de entregar o pré-sal às empresas estrangeiras, restabelecendo o regime
de concessão, alterado pelo atual regime de partilha, que dá à
Petrobras o monopólio do conhecimento da exploração e produção de
petróleo em águas ultraprofundas. Essa situação tem lhe valido a
conquista dos principais prêmios em congressos internacionais.
Está à vista de todos a voracidade
com que interesses geopolíticos dominantes buscam o controle do
petróleo no mundo, inclusive através de intervenções militares. Entre
nós, esses interesses parecem encontrar eco em uma certa mídia a eles
subserviente e em parlamentares com eles alinhados.
Debilitada a Petrobras, âncora do
nosso desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, serão
dizimadas empresas aqui instaladas, responsáveis por mais de 500.000
empregos qualificados, remetendo-nos uma vez mais a uma condição
subalterna e colonial.
Por outro lado, esses mesmos
setores estimulam o desgaste do Governo legitimamente eleito, com vista a
abreviar o seu mandato. Para tanto, não hesitam em atropelar o Estado
de Direito democrático, ao usarem, com estardalhaço, informações
parciais e preliminares do Judiciário, da Polícia Federal, do Ministério
Público e da própria mídia, na busca de uma comoção nacional que lhes
permita alcançar seus objetivos, antinacionais e antidemocráticos.
O Brasil viveu, em 1964, uma
experiência da mesma natureza. Custou-nos um longo período de trevas e
de arbítrio. Trata-se agora de evitar sua repetição. Conclamamos as
forças vivas da Nação a cerrarem fileiras, em uma ampla aliança
nacional, acima de interesses partidários ou ideológicos, em torno da
democracia e da Petrobras, o nosso principal símbolo de soberania.
20 de fevereiro de 2015
Alberto Passos Guimarães Filho
Aldo Arantes
Ana Maria Costa
Ana Tereza Pereira
Ana Maria Costa
Ana Tereza Pereira
Cândido Mendes
Carlos Medeiros
Carlos Moura
Claudius Ceccon
Celso Amorim
Celso Pinto de Melo
Celso Pinto de Melo
D. Demetrio Valentini
Emir Sader
Ennio Candotti
Fabio Konder Comparato
Fabio Konder Comparato
Franklin Martins
Jether Ramalho
José Noronha
Ivone Gebara
João Pedro Stédile
José Jofilly
José Luiz Fiori
José Paulo Sepúlveda Pertence
José Paulo Sepúlveda Pertence
Ladislau Dowbor
Leonardo Boff
Ligia Bahia
Lucia Ribeiro
Luiz Alberto Gomez de Souza
Leonardo Boff
Ligia Bahia
Lucia Ribeiro
Luiz Alberto Gomez de Souza
Luiz Pinguelli Rosa
Magali do Nascimento Cunha
Magali do Nascimento Cunha
Marcelo Timotheo da Costa
Marco Antonio Raupp
Maria Clara Bingemer
Maria da Conceição Tavares
Maria Clara Bingemer
Maria da Conceição Tavares
Maria Helena Arrochelas
Maria José Sousa dos Santos
Maria José Sousa dos Santos
Marilena Chauí
Marilene Correa
Otavio Alves Velho
Paulo José
Reinaldo Guimarães
Ricardo Bielschowsky
Roberto Amaral
Samuel Pinheiro Guimarães
Marilene Correa
Otavio Alves Velho
Paulo José
Reinaldo Guimarães
Ricardo Bielschowsky
Roberto Amaral
Samuel Pinheiro Guimarães
Sergio Mascarenhas
Sergio Rezende
Silvio Tendler
Sonia Fleury
Waldir Pires
Sergio Rezende
Silvio Tendler
Sonia Fleury
Waldir Pires
Brasil 247
