O que mais me impressionou nos escândalos todos foi ver o quanto o Brasil está barato. Joesley fala com Temer sobre infiltrar comparsas seus nas instituições que fiscalizam a economia (CADE e CVM) como quem fala com um vendedor de verduras sobre beringelas e rabanetes. Ele também pediu a cabeça da presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos, que “estaria dificultando a vida dos empresários”. E diga-se: conseguiu.
Para Aécio, o dono da JBS requisitou um pau mandado seu na presidência da Vale, em troca de um pagamento de R$ 40 milhões. Não levou, mas saiu da conversa com a promessa de ficar com uma diretoria da empresa sob seu controle. Caramba. Se um hedge fund gringo daqueles bem barra pesada soubesse que por R$ 40 milhões dá para nomear diretor na maior produtora mundial de minério de ferro, dobrava o lance e ainda lucrava dez vezes em cima com a torrente de informação privilegiada. Ou seja: Aécio, além de tudo, é um péssimo vendedor.
Esse presidente que Joesley queria na Vale, aliás, era
Aldemir Bedine – o mesmo que Dilma tinha colocado na Petrobras depois da
demissão de Graça Foster.
A Petrobras estava evaporando. Mesmo assim, o escolhido para assumir a empresa foi um sujeito que, como vimos, responde para Joesley. Bravo.
A Petrobras estava evaporando. Mesmo assim, o escolhido para assumir a empresa foi um sujeito que, como vimos, responde para Joesley. Bravo.
Agora também dá para entender com mais clareza a “política
dos campeões nacionais”, que Mantega e Luciano Coutinho instituíram
ainda no governo Lula: o governo dava dinheiro do contribuinte para as
empresas dos megadoadores de campanha, via empréstimos subsidiados,
isenções e licitações fraudulentas. Então pegava de volta uma parte na
forma de doações (no caso da JBS, quase tudo na forma de doações
oficiais, “dentro da lei”). Quanto mais essas empresas cresciam com o
esquema, mais os responsáveis pelo governo recebiam lá na frente, num
círculo vicioso de lavagem de dinheiro.
E suma: vendia-se o país em troca de somas que, para os Joesleys e Wesleys da vida, são migalhas. Milhõezinhos de reais que, para quem fatura na casa das centenas de bilhões por ano, equivale a papel higiênico. Falimos o Estado distribuindo dinheiro para uma canalhada. E agora o jeito é apertar o cinto, cortar gastos públicos, cortar aposentadorias de um salário mínimo. Tudo em troca de papel higiênico – sujo, ainda por cima.
Imagino que cafetões tratem melhor suas funcionárias do que esse pessoal estava tratando o País. Se a próxima geração que assumir o poder também não primar pela honestidade, que pelo menos nos vendam mais caro. Já ajuda na auto-estima.
E suma: vendia-se o país em troca de somas que, para os Joesleys e Wesleys da vida, são migalhas. Milhõezinhos de reais que, para quem fatura na casa das centenas de bilhões por ano, equivale a papel higiênico. Falimos o Estado distribuindo dinheiro para uma canalhada. E agora o jeito é apertar o cinto, cortar gastos públicos, cortar aposentadorias de um salário mínimo. Tudo em troca de papel higiênico – sujo, ainda por cima.
Imagino que cafetões tratem melhor suas funcionárias do que esse pessoal estava tratando o País. Se a próxima geração que assumir o poder também não primar pela honestidade, que pelo menos nos vendam mais caro. Já ajuda na auto-estima.
com conteúdo de
Alexandre Versignassi
super

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