O procurador Deltan Dallagnol, um dos coordenadores da operação Lava Jato, disse neste sábado (26) que foi convidado por partidos políticos para ser candidato nas eleições de 2018, mas recusou.
“Hoje
não tenho pretensões políticas, fui convidado por quatro partidos, mas
educadamente recusei”, afirmou o procurador a jornalistas durante o 8º
Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais.
Ele não
revelou os nomes das legendas, ao ser questionado se considerava se
lançar na vida política.
“Não descarto no futuro servir em diferentes posições públicas ou privadas”, complementou Dallagnol, sem dar mais detalhes.
O
procurador reiterou críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) Gilmar Mendes por ter mandado soltar presos na Lava Jato e também
pelas declarações de que pode mudar o entendimento sobre soltura de
presos após condenações em segunda instância.
Tida
como uma das principais medidas para combater a impunidade, a prisão
automática após decisão da justiça de segunda instância foi mantida pelo
STF no ano passado, com placar de 6 a 5. Gilmar, que tinha votado com a
tese vencedora, recentemente tem dado sinais de que pode mudar seu
entendimento.
Uma revisão do assunto no Supremo pode livrar da cadeia vários dos condenados após as investigações da Lava Jato.
“A
revisão do entendimento do Supremo sobre prisão após decisão de segunda
instância seria catastrófica”, disse Dallagnol. “A sociedade tem fome
de justiça; e a mudança de posição do Supremo neste assunto pode matar a
sociedade de inanição.”
com conteúdo de
Aluisio Alves
Reuters
