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Produção global de cocaína alcança novo recorde, diz ONU
A produção global de cocaína foi recorde em 2017, chegando a 1.976 toneladas, o que significa um aumento de 25% em relação ao ano anterior e de 50% em uma década, aponta o Relatório Mundial da ONU sobre Drogas, divulgado nesta terça-feira (26/06).
O aumento ocorreu apesar dos esforços na Colômbia – país responsável por 70% da produção da droga – para afastar as comunidades rurais do plantio de coca através da substituição por outras culturas.
De 2007 para 2017, a quantidade da droga apreendida no mundo todo aumentou 74%. Somente em 2017, 1.275 toneladas de cocaína foram apreendidas pelas autoridades, 13% a mais que ano anterior.
"Isso sugere que os esforços dos agentes de segurança se tornaram mais eficientes e que o reforço da cooperação internacional pode estar contribuindo para o aumento nos índices de interceptação", diz o documento. Quase 90% das apreensões ocorreram no continente americano, sendo que 38% apenas na Colômbia.
A produção da droga chegou a diminuir em algumas regiões colombianas após o acordo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016, quando os produtores receberam incentivos para substituírem o cultivo de coca. Mas, segundo o relatório, desde então, surgiram novas plantações administradas por grupos criminosos que ocuparam áreas anteriormente dominadas pelos rebeldes.
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) avalia que o aumento das apreensões é uma indicação de que "a quantidade de cocaína disponível para o consumo aumentou mais lentamente do que a produção". "Enquanto as apreensões de cocaína aumentaram 74% na última década, a produção cresceu 50%", ressalta o relatório.
Segundo o UNODC, as mortes vinculadas ao consumo de drogas em todo o mundo subiram para 585 mil em 2017, superando as 450 mil registradas em 2015. O aumento, porém, se deve também a uma melhora na avaliação global, após países como Índia e Nigéria também passarem a contribuir com o fornecimento de dados para pesquisa.
Em 2017, 271 milhões de pessoas com idade entre 15 e 64 anos – ou seja, 5,5% da população mundial nessa faixa etária – consumiram drogas. O número é parecido com o do ano anterior, mas é 30% maior se comparado aos dados de 2009.
Com a inclusão dos dados da Nigéria e da Índia, o número de pessoas com dependência química grave passou de 30,5 para 35 milhões de pessoas.
Com 188 milhões de usuários, a maconha é a droga mais popular em todo o mundo. As mais letais são os opiodes, responsáveis por dois terços das mortes associadas ao uso de drogas.
A "epidemia" dos opioides
A crise de opioides nos Estados Unidos e no Canadá foi destaque no relatório. Estimativas indicam que, em 2017, 4% de todos os americanos adultos consumiram ao menos uma vez alguma tipo de opioide, como, por exemplo, analgésicos sintéticos como o fentanil, que chegam a ser 50 vezes mais fortes do que a heroína.
Das 70.237 mortes por overdose registradas nos EUA em 2017, 47,6 mil foram por causa dos opioides, ou seja, números 13% superiores aos do ano anterior.
Angela Me, chefe do Departamento de Estatísticas e Pesquisas do UNODC e autora do relatório, afirma que a overdose de droga na América do Norte já alcançou "dimensões de epidemia", e alertou que existem indícios de um aumento do consumo do fentanil na Europa.
A produção de ópio também alcançou novos recordes, sendo que o maior produtor da droga do mundo é o Afeganistão, com 568 toneladas em 2017, seguido do México e de Myanmar.
O UNODC afirma ser difícil fazer estimativas sobre as drogas sintéticas, as mais consumidas na Ásia, mas avalia que o aumento das apreensões e a diminuição dos preços indicam que há um mercado em contínua expansão.
O relatório alerta para uma nova epidemia invisível de opioides na África, causada por um analgésico chamado tramadol, que, apesar de pouco conhecido, requer ações urgentes. O mercado dessas drogas aumenta rapidamente, não apenas na África Ocidental e Central, mas também no Oriente Médio.
A ONU alerta para o fracasso dos métodos de prevenção e tratamento em muitas partes do mundo. Apenas uma em cada sete pessoas com dependência química grave está atualmente em tratamento, afirma a instituição.
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