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NÃO É "POSSESSÃO DEMONÍACA". É um sintoma chamado OPISTÓTONO ou uma síndrome chamada TOURETTE



Desde os primórdios das religiões, principalmente as monoteístas, em especial o cristianismo, pessoas com o sintoma de OPISTÓTONO,  EMPROSTÓTONO ou com a síndrome de TOURETTE, entre outras doenças, síndromes e sintomas, tem sido confundidas com "possessões demoníacas", inclusive com direito a exorcismos e shows pirotécnicos para "expulsar o demônio"...

E isso ocorre ainda em pleno século 21...

Muito devido à falta de informação, conhecimento e ganância de igrejas que exploram financeiramente as "possessões demoníacas"...

Quando na verdade são problemas que podem acabar levando a morte se não forem devidamente tratados.

Nas linhas a seguir falaremos de OPISTÓNO, EMPROSTÓTOMO e TOURETTE


SINTOMA DE OPISTÓTONO


O opistótono (do grego: opisthen=para trás + tonos=tensão) não é uma doença, mas um sintoma que pode ocorrer em várias condições clínicas. Tipicamente, é um espasmo próprio do tétano, em que a coluna vertebral e as extremidades se curvam para diante e o corpo em arco fica apoiado sobre a parte de trás da cabeça e dos calcanhares quando a pessoa é colocada em decúbito ventral. Com isso, a cabeça, o pescoço e a coluna vertebral formam um arco côncavo para trás. Essa postura resulta da contração sustentada dos músculos posteriores do pescoço e do tronco.

Quais são as causas do opistótono?

Além do tétano, o opistótono pode ocorrer em crianças com meningite ou naquelas em que haja alguma outra lesão do sistema nervoso. Pode ainda ocorrer se houver deficiência de hormônio do crescimento, certas doenças metabólicas como acidemias orgânicas, convulsões, desequilíbrio eletrolítico grave, lesão grave na cabeça, kernicterus grave (alta concentração de bilirrubina em núcleos cerebrais de recém-nascidos), hemorragia subaracnoidea e na intoxicação pela estricnina, entre outras condições. Pode ser também uma característica da hidrocefalia aguda grave. Alguns medicamentos para combater espasmos também podem causar opistótono. As distonias causadas pelos neurolépticos podem causar um efeito semelhante ao opistótono. O opistótono às vezes pode ser visto na intoxicação pelo lítio. Em casos raros, filhos que nasceram de mulheres que consumiram grandes quantidades de álcool na gestação podem ter opistótono.

Qual é a fisiopatologia do opistótono?

O opistótono pode ser produzido experimentalmente em animais por transecção do mesencéfalo, o que resulta na interceptação de todas as fibras corticorreticulares e no homem provavelmente ocorre pelas mesmas razões. A hiperextensão ocorre devido à facilitação do trato reticuloespinhal anterior causada pela inativação de fibras corticorreticulares inibitórias, que normalmente agem sobre a formação reticular da ponte. Assim, a postura típica do opistótono é um efeito extrapiramidal e é provocada por um espasmo dos músculos axiais ao longo da coluna vertebral. Esses espasmos fazem com que as costas da criança fiquem muito arqueadas, com os calcanhares e a cabeça extremamente dobrados para trás. As mãos e braços da criança se movimentam de forma rígida. O opistótono pode surgir subitamente e ocorrer repetidas vezes, em crises.

Quais são os principais sinais e sintomas do opistótono?

O opistótono normalmente é um sintoma de doenças graves e se constitui numa emergência médica. É muito mais comum em bebês e crianças do que em adultos e, além disso, é mais exagerado em bebês e crianças, porque os seus sistemas nervosos são menos maduros. Opistótono pode ser induzido por qualquer movimento, tais como um sorriso, alimentação, vocalização ou convulsão. Quando o opistótono vem junto com a presença do riso sardônico (contração involuntária dos músculos mastigatórios) geralmente é um sintoma de envenenamento por estricnina.

Como o médico diagnostica o opistótono?

O opistótono requer um exame neurológico completo e deve ser complementado no mínimo com exames de sangue e urina, exame do líquido cefalorraquidiano, tomografia computadorizada ou ressonância magnética da cabeça e análise de eletrólitos.

Como o médico trata o opistótono?

O tratamento para o opistótono irá variar de acordo com a sua causa, para a qual deverá estar primariamente dirigido. Algumas causas podem ser curadas, outras não.

Como prevenir o opistótono?

É possível prevenir opistótono tomando medidas para evitar ou tratar rapidamente as doenças que podem causá-lo.*

 

EMPROSTÓTONO

Tem causas praticamente idênticas ao opistótono, mas no opistótono há contratura lombar com curvatura do corpo para cima, se apoiando na cabeça e nos calcanhares, formando um arco. No EMPROSTÓTONO a contração é abdominal, contrária do Opistótono, formando uma concavidade. Já no pleurostótono a curvação é em um lado do corpo, levando a um encurvamento lateral. Todos podem ocorrer no tétano, meningite e na raiva.

 

SÍNDROME DE TOURETTE

 

A síndrome de Tourette é uma doença neurológica que leva a pessoa a realizar atos impulsivos, frequentes e repetidos, também conhecidos como tiques, que podem dificultar a socialização e piorar a qualidade de vida da pessoa, devido a situações embaraçosas.

Os tiques da síndrome de Tourette normalmente surgem entre os 5 e os 7 anos, mas tendem a aumentar de intensidade entre os 8 e 12 anos, começando com movimentos simples, como piscar os olhos ou movimentar as mãos e os braços, que depois se agravam, surgindo palavras repetidas, movimentos bruscos e sons como latir, grunhir, gritar ou falar palavrões, por exemplo.

Algumas pessoas são capazes de suprimir os tiques durante situações sociais, mas outras apresentam dificuldade para os controlar, especialmente se estiverem passando por um momento de estresse emocional, o que pode dificultar sua vida escolar e profissional. Em alguns casos, os tiques podem melhorar e até desaparecer depois da adolescência, mas, em outras pessoas, esses tiques podem se manter durante a vida adulta.

Principais sintomas

Os sintomas da síndrome de Tourette normalmente são observados inicialmente pelos professores, que observam que a criança começa a se comportar de forma estranha em sala de aula.

Alguns desses sinais e sintomas podem ser:

Tiques motores

  • Piscar os olhos;
  • Inclinar a cabeça;
  • Encolher os ombros;
  • Tocar no nariz;
  • Fazer caretas;
  • Movimentar os dedos das mãos;
  • Fazer gestos obscenos;
  • Chutes;
  • Sacudir o pescoço;
  • Bater no peito.

Tiques vocais

  • Xingamentos;
  • Soluçar;
  • Gritar;
  • Cuspir;
  • Cacarejar;
  • Gemer;
  • Uivar;
  • Limpar a garganta;
  • Repetir palavras ou frases;
  • Usar diferentes tons de voz.

Estes sintomas surgem repetidamente e são difíceis de controlar, e além disso, podem evoluir para tiques diferentes ao longo do tempo. Geralmente os tiques surgem na infância mas eles podem surgir pela primeira vez até os 21 anos de idade.

Os tiques também têm tendência a desaparecer quando a pessoa está dormindo, com o consumo de bebidas alcoólicas ou numa atividade que exige grande concentração e pioram diante de situações de estresse, cansaço, ansiedade e excitação.

Como confirmar o diagnóstico

Para chegar ao diagnóstico desta síndrome o médico pode ter que observar o padrão dos movimentos, que geralmente acontecem várias vezes ao dia e praticamente todos os dias por, pelo menos, um ano.

Não são necessários exames específicos para identificar esta doença, mas, em alguns casos, o neurologista poderá solicitar ressonância magnética ou tomografia computadorizada, por exemplo, para verificar se existe a possibilidade de ser alguma outra doença neurológica com sintomas semelhantes.

O que causa a síndrome

A síndrome de Tourette é uma doença genética, mais frequente em pessoas da mesma família e ainda não se sabe exatamente qual a sua causa específica. Existem relatos de pessoa que foram diagnosticadas depois de sofrer um traumatismo craniano, mas infecções e problemas cardíacos também são mais frequentes dentro da mesma família. Mais de 40% dos portadores também apresentam sintomas de transtorno obsessivo compulsivo ou hiperatividade.

Como é feito o tratamento

A síndrome de Tourette não tem cura, mas pode ser controlada com o tratamento adequado. O tratamento deve ser orientado por um neurologista e, normalmente, só é iniciado quando os sintomas da doença afetam as atividades diárias ou colocam em perigo a vida da pessoa. Nesses casos, o tratamento pode ser feito com:

  • Topiramato: é um medicamento que ajuda a controlar tiques leves ou moderados, quando existe obesidade associada;
  • Antipsicóticos típicos, como haloperidol ou pimozida; ou atípicos, como aripiprazol, ziprasidona ou risperidona;
  • Injeções de Botox: são usadas em tiques motores para paralisar o músculo afetado pelos movimentos, reduzindo o surgimento dos tiques;
  • Remédios inibidores adrenérgicos: como Clonidina ou Guanfacina, que ajudam a controlar sintomas comportamentais como o impulsividade e ataques de raiva, por exemplo.

Embora existam vários remédios que podem ser indicados para o tratamento da síndrome de Tourette, nem todos os casos precisam ser tratados com medicamentos. O ideal é que sempre se faça uma consulta com o psicólogo ou psiquiatra para determinar o melhor tratamento, que pode incluir apenas sessões de psicoterapia ou de terapia comportamental, por exemplo.

É necessário que a criança abandone a escola?

A criança diagnosticada com Síndrome de Tourette não precisa parar de estudar, porque ela tem toda capacidade de aprender, como todas as outras que não apresentam esta síndrome. A criança pode continuar frequentando a escola normal, sem necessidade de ensino especial, mas deve-se conversar com os professores, coordenadores e diretores sobre o problema de saúde da criança para que eles possam ajudar no seu desenvolvimento de forma positiva.

Manter os professores e os colegas de sala de aula devidamente informados sobre os sintomas e os tratamentos para esta síndrome ajuda a que a criança seja melhor compreendida, evitando o isolamento que pode levar à depressão. Os remédios podem ser úteis para ajudar a controlar os tiques mas as sessões de psicoterapia também são parte fundamental do tratamento, porque a criança sabe do seu problema de saúde e não consegue controlá-lo totalmente, surgindo muitas vezes o sentimento de culpa e de inadequação.**

 

 

com conteúdo

*ABCMED, 2015. Opistótono: conceito, causas, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção. Disponível em: <ABCMED>.

** Tua saúde.  

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