Geração Z não quer saber de Lula

 


 A relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chamada geração Z — jovens entre 16 e 24 anos — atravessa um momento de tensão e reavaliação. Levantamentos recentes de institutos como a AtlasIntel e o Datafolha indicam um cenário de alta desaprovação nesse segmento, revelando não apenas um dado eleitoral, mas um sintoma de transformação no comportamento político de uma geração moldada pela era digital.

De acordo com pesquisa da AtlasIntel divulgada em abril, a desaprovação entre jovens da geração Z chegou a 75,5%, o índice mais elevado entre todas as faixas etárias. Já dados do Datafolha mostram um quadro mais nuançado: embora cerca de 45% desses jovens afirmem aprovar o governo, apenas 18% classificam a gestão como “ótima” ou “boa”, evidenciando uma aprovação frágil e pouco entusiasmada.

Analistas apontam que parte dessa insatisfação está ligada à diferença entre expectativa e entrega. Em 2022, Lula foi visto por muitos jovens como uma alternativa de renovação política, especialmente após anos de polarização. No entanto, passados mais de dois anos de governo, essa percepção parece ter se diluído. Para especialistas, o Partido dos Trabalhadores deixou de ser associado à mudança e passou a ser visto por parte desse público como parte do “establishment”.

Outro fator relevante está no ambiente digital. Pesquisas indicam que jovens mais críticos ao governo tendem a ser também mais ativos nas redes sociais, onde o debate político ocorre de forma acelerada e muitas vezes polarizada. Nesse cenário, grupos de direita têm demonstrado maior capacidade de engajamento e adaptação às dinâmicas das plataformas, ampliando sua influência entre eleitores mais jovens.

Além disso, há questões concretas que impactam diretamente essa geração. O mercado de trabalho continua sendo um dos principais pontos de atenção: dados do IBGE mostram que o desemprego entre jovens historicamente permanece acima da média nacional, mesmo com sinais recentes de recuperação econômica. A dificuldade de inserção profissional e a percepção de poucas oportunidades contribuem para o distanciamento político.

Na educação, os efeitos da pandemia de COVID-19 ainda reverberam. Parte dos jovens concluiu o ensino médio em condições atípicas, o que influencia sua visão sobre políticas públicas e prioridades governamentais. Curiosamente, especialistas observam que muitos desses jovens não atribuem diretamente ao governo anterior, de Jair Bolsonaro, a responsabilidade por essas dificuldades, o que altera o eixo tradicional de comparação política.

Para cientistas políticos, o maior desafio do governo não é apenas implementar políticas, mas comunicá-las de forma eficaz. A geração Z é marcada pela rapidez na tomada de decisões e pela baixa fidelidade política. Trata-se de um público que exige resultados concretos em curto prazo e que muda de posicionamento com facilidade diante de novas narrativas.

Apesar do cenário desafiador, especialistas apontam que há espaço para reconexão. Programas voltados à educação, inovação, emprego e inclusão digital podem servir como ponte entre o governo e essa geração. Mais do que isso, a capacidade de dialogar nos ambientes onde esses jovens estão — especialmente nas redes sociais — será determinante.

O momento, portanto, não é apenas de crítica, mas de oportunidade. A geração Z, altamente informada e engajada, representa não só um termômetro da política atual, mas também a chave para o futuro democrático do país. Reconquistar sua confiança pode definir não apenas os rumos de um governo, mas de toda uma geração que já não aceita promessas — apenas resultados.

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