O Fim da Era 6x1 - Comissão da Câmara Aprova Transição para Jornada de 40 Horas e Dois Dias de Folga - Jornalismo e Cultura

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27/05/26

O Fim da Era 6x1 - Comissão da Câmara Aprova Transição para Jornada de 40 Horas e Dois Dias de Folga

 

Em uma movimentação histórica que promete reconfigurar as relações trabalhistas no Brasil, a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27), o parecer da Proposta de Emenda à Constituição (PEC do Fim da Escala 6x1). O texto final, fruto de um acordo costurado entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reduz o teto da jornada semanal de 44 para 40 horas e sepulta o modelo de apenas uma folga na semana.

O relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) recebeu aval expressivo no colegiado: 34 votos a favor e apenas 4 contrários. A expectativa agora se volta para o plenário, onde a proposta pode ser votada a qualquer momento.

O Cronograma da Mudança: Como Será a Transição?

Para evitar um choque abrupto no setor produtivo, o texto estabelece uma transição escalonada de 14 meses no total, dividida em duas etapas principais:

  • Fase 1 (60 dias após a promulgação): A jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais. O trabalhador passa a ter direito a dois dias de folga semanal remunerada (implementando a escala 5x2), sendo um deles preferencialmente aos domingos.

  • Fase 2 (12 meses após a Fase 1): Ocorre o corte definitivo para o teto de 40 horas semanais.

"Estamos fazendo a maior reforma desse país, que é a reforma na vida do povo brasileiro. Garantir mais tempo para as famílias, para o pai e a mãe ficarem com seus filhos", defendeu o relator Leo Prates.

Raio-X da Proposta: O que Muda na Prática?

A tabela abaixo detalha o impacto real da PEC na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e na Constituição:

CritérioModelo AtualNovo Modelo (Se aprovado em Plenário)
Jornada SemanalLimite de até 44 horas.Limite de 40 horas (após a transição).
Descanso (Folgas)1 folga semanal remunerada (escala 6x1 permitida).2 folgas semanais remuneradas (institui a escala 5x2).
Garantia SalarialSalário proporcional às horas acordadas.Proibição expressa de redução salarial.
Horas ExtrasAdicional mínimo de 50% (limite de 2h/dia).Convenções coletivas poderão permitir que, na transição, a jornada diária passe de 8h para compensar a escala 5x2, sem pagamento de extra.
Pequenos NegóciosSem diferenciação constitucional.Previsão de Lei Complementar com medidas de compensação para MEIs e pequenas empresas.

Xadrez Político: "Cortina de Fumaça" e Manobras de Bastidores

A sessão foi marcada por forte embate ideológico. Diante de uma pauta que conta com o apoio de 68% dos brasileiros (segundo dados da pesquisa Genial Quaest), a oposição tentou neutralizar o ganho político do governo federal adotando uma estratégia de "dobrar a aposta".

O Partido Liberal (PL) apresentou um requerimento exigindo a adoção imediata da escala 4x3 (quatro dias de trabalho e três de folga), sem qualquer prazo de transição. A bancada governista reagiu prontamente, classificando a medida como "manobra" e "cortina de fumaça" para tentar rejeitar o projeto por completo através do inviabilizamento econômico.

O presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP), blindou o texto principal ao priorizar a votação do parecer de Leo Prates. Com a aprovação do modelo 5x2, o requerimento da oposição perdeu o objeto e foi considerado inadmitido, limpando o caminho para o plenário sem destaques (propostas de alteração).

O Teto de R$ 21 Mil

Nos bastidores, articuladores políticos conseguiram barrar uma tentativa da ala de centro-direita de modificar o texto. Ficou mantido o trecho que retira o limite de horas e o controle de jornada para quem recebe acima de 2,5 vezes o teto da Previdência Social (cerca de R$ 21 mil). Esses profissionais de alta renda terão garantidos apenas os dois dias de folga semanal, sem direito a regras estritas de carga horária diária.

Próximos Passos no Congresso

A batalha agora se desloca para o Plenário da Câmara dos Deputados. Por se tratar de uma alteração na Constituição (PEC), o rito de aprovação é rigoroso:

  1. Na Câmara: São necessários os votos favoráveis de, no mínimo, 308 dos 513 deputados, em dois turnos de votação.

  2. No Senado: Se aprovada na Câmara, a matéria segue para os senadores, necessitando do apoio de pelo menos 49 dos 81 parlamentares, também em dois turnos.