Com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e compilação da Agência Câmara de Notícias
Em plena era da comunicação instantânea, a busca pelo voto migrou definitivamente dos palanques físicos para as telas dos smartphones. Um levantamento inédito realizado pela Câmara dos Deputados, com base nos registros oficiais declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que o Instagram se consolidou como a principal vitrine eleitoral do Brasil. Nada menos que 5.493 postulantes à Câmara dos Deputados — o equivalente a 72% de todos os candidatos ao cargo — adotaram a rede social da Meta para dialogar diretamente com o eleitorado e divulgar suas propostas.
O domínio da plataforma de fotos e vídeos curtos reflete uma mudança estrutural na comunicação política. Enquanto o rádio e a televisão ainda aguardam suas janelas tradicionais de transmissão, a disputa virtual ocorre em tempo real e sem interrupções.
O Mapa das Redes Sociais no Pleito
Embora o Instagram lidere de forma isolada, o ecossistema digital dos candidatos abrange diversas outras ferramentas e plataformas de interação. O volume de contas ativas declaradas à Justiça Eleitoral desenha a preferência do ecossistema político brasileiro:
Instagram: 5.493 candidatos (com cerca de 5.973 contas registradas, já que alguns políticos mantêm mais de um perfil);
Facebook: 4.342 contas;
TikTok: 1.928 contas;
YouTube: 1.143 contas;
X (antigo Twitter): 859 contas;
Threads: 608 contas;
LinkedIn: 221 contas;
WhatsApp: 142 canais/contas de campanha mapeados.
Hegemonia Partidária: O Domínio do PL e a Assimetria Político-Ideológica
A análise da audiência no Instagram, medida pelo número bruto de seguidores (soma total por perfil, sem expurgo de usuários únicos), expõe uma expressiva discrepância no poder de fogo digital entre os partidos políticos.
O Partido Liberal (PL) lidera o ranking com folga considerável, somando 110,5 milhões de seguidores distribuídos em 489 perfis partidários de candidatos. O volume é mais que o dobro do segundo colocado, o PSD. Os partidos de centro e centro-direita predominam na parte superior do ranking de alcance:
As legendas alinhadas à esquerda surgem em posições mais modestas. O Partido dos Trabalhadores (PT), principal sigla da esquerda nacional, contabiliza cerca de 29,9 milhões de seguidores divididos por 309 contas, ficando atrás de siglas com bancadas menores na Câmara, como o Partido Novo (31,6 milhões).
Concentração Regional: O Peso do Sudeste e os Destaques Locais
A intensidade do engajamento digital varia consideravelmente conforme o mapa geográfico do país:
Sudeste na Liderança: A região concentra o maior volume de conexões virtuais. O estado de São Paulo encabeça a lista nacional de forma isolada, registrando 196,8 milhões de seguidores acumulados entre 844 perfis de candidatos. Rio de Janeiro (63,6 milhões em 567 contas) e Minas Gerais (61,5 milhões em 494 contas) complementam a força do bloco sudestino.
Destaques no Nordeste: O Ceará desponta como o principal polo de alcance digital da região, acumulando 23,9 milhões de seguidores em 233 contas, seguido de perto por Pernambuco, com 22,3 milhões de seguidores em 283 perfis.
Eficácia no Centro-Oeste: O Distrito Federal demonstra alta densidade de seguidores por candidato, reunindo 13,7 milhões de conexões em apenas 134 perfis registrados — números bastante semelhantes aos do estado de Goiás, que contabiliza 13,2 milhões de seguidores para 136 candidaturas.
A "Pirâmide da Influência": Elite Digital x Maioria Invisível
O levantamento traz à tona um dado alarmante para a democratização da disputa eleitoral: a distribuição da audiência é extremamente desigual. Existe uma nítida oligarquização do alcance nas redes, onde poucos detêm a atenção da maioria.
Um grupo seleto de 118 candidatos mega-influenciadores possui contas que superam a barreira de 1 milhão de seguidores. Juntos, estes poucos postulantes controlam mais de 289 milhões de seguidores acumulados.
Na outra ponta da pirâmide, a esmagadora maioria dos concorrentes enfrenta o desafio do anonimato digital:
Mais de 1 milhão de seguidores: 118 candidatos (A elite digital);
De 100 mil a 999 mil seguidores: 595 candidatos;
De 10 mil a 99 mil seguidores: 1.744 candidatos;
Menos de 10 mil seguidores: 2.844 candidatos (A base da pirâmide, representando mais da metade dos conectados).
Regras do Jogo Digital e Fiscalização do TSE
Com o início oficial da propaganda eleitoral na internet em 16 de agosto, entram em vigor regras rigorosas estabelecidas pelas resoluções do TSE para coibir abusos e distorções no pleito:
Vedação ao Anúncio Pago Direto: É estritamente proibida a veiculação de qualquer tipo de propaganda política paga em sites, redes ou aplicativos, sendo permitida única e exclusivamente a ferramenta de impulsionamento de conteúdo. Além disso, o impulsionamento só pode ser contratado por candidatos, partidos, coligações ou federações, devendo ser claramente identificado como tal para o eleitor.
Uso de Inteligência Artificial (IA): Uma das maiores novidades e preocupações da Justiça Eleitoral envolve o uso de tecnologias emergentes. Qualquer conteúdo sintético gerado ou manipulado por IA (seja em áudio, vídeo, imagem ou texto) deve conter rótulo explicito, visível e acessível. O uso de deepfakes — simulação hiper-realista da voz ou imagem de concorrentes — é sumariamente proibido e sujeito a sanções severas, incluindo a cassação do registro ou mandato.
Disparos em Massa e Perfis Falsos: Permanecem vedados os disparos automatizados em massa de mensagens por aplicativos de mensageria (como WhatsApp e Telegram), bem como o financiamento de influenciadores para promoção paga velada de candidaturas.
À medida que o calendário avança rumo ao dia da votação, a capacidade dos candidatos de furar as bolhas dos algoritmos sem violar as diretrizes do TSE será um dos fatores decisivos para o sucesso nas urnas.
Para checar as regras de propaganda e as listagens completas de candidaturas registradas, acesse o portal do Tribunal Superior Eleitoral - TSE ou a cobertura legislativa oficial no portal da Câmara dos Deputados.
