A virada no MDB: Como a falta de sustentação própria levou ex-prefeito de Curitiba a compor a chapa do PSD para o Governo do Estado.
A consolidação do acordo majoritário
Em uma movimentação decisiva para a sucessão estadual no Paraná, o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (MDB), fechou acordo para integrar, como candidato a vice-governador, a chapa encabeçada pelo deputado federal e pré-candidato ao Governo do Estado Sandro Alex (PSD). O entendimento, costurado nos bastidores da capital, encerra na prática as pretensões de candidatura própria do MDB ao Palácio Iguaçu e reconecta Greca ao grupo político liderado pelo governador Ratinho Junior (PSD) e pelo deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos).
A engenharia política foi selada durante um jantar na residência do próprio ex-prefeito, reunindo o governador Ratinho Junior e o vice-governador Darci Piana. Com as bases da aliança estabelecidas, a chapa majoritária se desenha com Sandro Alex na disputa pelo Governo, Greca na vice e Alexandre Curi concorrendo a uma das duas vagas ao Senado Federal.
Estrutura da Chapa e Distribuição de Espaços
A composição desenhada entre as legendas estabelece a seguinte divisão estratégica para o pleito de 2026:
Governo do Estado: Sandro Alex (PSD)
Vice-Governo: Rafael Greca (MDB)
Senado Federal: Alexandre Curi (Republicanos)
1ª Suplência do Senado: Fernando Mantovani (MDB) — empresário de Cascavel
2ª Suplência do Senado: Nelsinho Padovani (União Brasil) — deputado federal
Para o alinhamento final e ratificação interna do MDB, Sandro Alex manteve conversas diretas com o presidente estadual da legenda, o deputado federal Sergio Souza. O movimento garante ao MDB a preservação de espaços de destaque na chapa majoritária (vice e primeira suplência ao Senado), embora confirme a inviabilidade do projeto próprio anunciado semanas antes.
Análise Política: Do isolamento de junho ao acordo de julho
A pré-candidatura de Rafael Greca ao Governo do Estado havia sido lançada oficialmente em 20 de junho, em evento realizado na Sociedade Thalia, em Curitiba. Contudo, nas semanas subsequentes, a postulação enfrentou crescentes gargalos estruturais e políticos:
Baixa Adesão de Bases: O ato de lançamento reuniu militantes locais, mas registrou presença modesta de prefeitos, deputados e lideranças do interior.
Ausência de Arco Partidário: Greca não conseguiu agregar partidos aliados ou nomes com musculatura eleitoral para compor uma chapa competitiva ao Senado.
Pressão Interna do MDB: Dirigentes emedebistas alertavam reservadamente que a sigla não sustentaria uma "candidatura de si mesmo", impondo como condição objetiva para manter o nome ao governo a expansão das alianças ou a migração para outra vaga majoritária.
Fechamento da União Progressista: A aliança da federação formada por União Brasil e Progressistas (PP) com a pré-candidatura de Sandro Alex e o apoio a Alexandre Curi ao Senado isolou ainda mais o projeto isolado do MDB, aportando tempo de televisão, prefeituras e estrutura ao grupo governista.
Diante do diagnóstico de que o MDB não reunia condições políticas e financeiro-estruturais para sustentar uma campanha ao governo frente à máquina e à ampla coalizão governista, Greca foi convencido de que a vice-governadoria representaria a alternativa mais viável para manter seu protagonismo político e fortalecer Curitiba — colégio eleitoral gerido por ele em três mandatos — na chapa estadual.
Impactos Diretos no Cenário Eleitoral
1. Ratinho Junior consolida hegemonia
O governador desponta como o principal estrategista e beneficiário do acerto. Ao pacificar divergências internas, Ratinho Junior reúne sob o mesmo guarda-chuva Sandro Alex, Rafael Greca, Alexandre Curi e a federação União Progressista, reduzindo a pulverização de votos da base aliada e afunilando as forças do centro-direita na disputa sucessória.
2. Reconfiguração para Alvaro Dias
O novo desenho político altera a posição do ex-governador e ex-senador Alvaro Dias. Embora participe do vídeo oficial de divulgação da convenção emedebista, Alvaro Dias perde o espaço para disputar o Senado dentro da composição principal, visto que as vagas de suplência na chapa de Alexandre Curi foram destinadas ao MDB (Fernando Mantovani) e ao União Brasil (Nelsinho Padovani).
Próximos Passos e Ritos Formais da Justiça Eleitoral
Embora o entendimento político esteja selado, a oficialização depende do cumprimento dos ritos formais previstos pela legislação eleitoral brasileira:
Convenção Estadual do MDB: Agendada para domingo, 2 de agosto, na Sociedade Thalia, onde a aliança com o PSD e os nomes de Greca e Mantovani serão levados à votação delegada.
Aprovação nas Atas Partidárias: Registro das deliberações e coligações no Sistema de Cândidaturas da Justiça Eleitoral.
Registro de Candidaturas: Formalização do pedido de registro da chapa completa junto ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).
