Durante a pior pandemia da história, os doentes viam uma imagem apavorante antes de morrer. Uma figura negra com um chapéu de aba larga os olhava do outro lado de óculos redondos. Sua cara era de pássaro, com um bico comprido e disforme. Em uma de suas mãos enluvadas, segurava uma vara longa com a qual examinava o paciente, na maioria das vezes apenas para comprovar se já estava morto. Era o médico da peste.
Este traje é atualmente uma das fantasias mais populares no Carnaval de Veneza.
Remonta às epidemias de peste que assolaram a Europa e chegaram a
aniquilar um terço da sua população. Em muitas ocasiões, a taxa de
letalidade era quase de 100%. Ignorava-se sua origem, sua causa, sua
forma de contágio, seu tratamento. Causava tanto terror que se evitava
nomeá-la, recorrendo-se a eufemismos como “o mal que corre”.



