
Em 31 de dezembro de 2019, enquanto metade da humanidade se preparava para comemorar a virada do ano e dar as boas-vindas ao promissor 2020,
o médico britânico Jeremy Farrar postou uma mensagem contra a corrente
em sua conta no Twitter. “Preocupante”, escreveu. Foi um dos primeiros a
alertar sobre pneumonias sem explicação recém-detectadas na cidade chinesa de Wuhan.
“Qualquer acúmulo de infecções respiratórias graves é realmente
preocupante”, alertou. Farrar sabia que poderia acontecer o que
efetivamente ocorreu. Estava há anos tentando preparar a humanidade para
uma futura pandemia letal. Nascido em Cingapura,
em 1961, o médico dirige o Wellcome Trust, uma instituição filantrópica
com sede em Londres que tem 30 bilhões em euros (cerca de 192 bilhões
de reais) em investimentos e dedica os lucros para financiar pesquisas
científicas mais destacadas. Em 22 de dezembro de 2019, depois do
sucesso de uma vacina contra o ebola
cofinanciada por sua instituição, Farrar declarou: “Podemos vencer o
ebola, mas devemos nos preparar para o que virá depois”. O que viria
depois já estava se multiplicando na China.
A equipe de
Farrar ajudou a lançar em 2017 a Coalizão para as Inovações em
Preparação para Epidemias (CEPI), uma entidade criada para acelerar as
soluções para doenças emergentes. Em 23 de janeiro a CEPI já estava
financiando três vacinas experimentais contra a covid-19. Hoje já são nove, incluindo a da Universidade de Oxford, uma das mais avançadas.