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Regime de jejum simulado demonstrou enormes benefícios antienvelhecimento
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Cientistas da Universidade do Sul da Califórnia fizeram testes extensivos
com a chamada dieta de jejum simulado, obtendo resultados aparentemente
incríveis. Em ratos, ela melhorou a saúde geral e aumentou a
longevidade. Os benefícios que incluem a diminuição de doenças
inflamatórias, melhoria na memória e aprendizado, e redução da
descalcificação dos ossos. Além de ter diminuído a gordura visceral e
incrementado o número de células progenitoras e células-tronco em
diversos órgãos.
Nos testes com humanos, a dieta reduziu a quantidade do
hormônio IGF-I, que é relacionado ao envelhecimento e susceptibilidade à
câncer em adultos. Também reduziu os biomarcadores e outros fatores de
riscos relacionados a diabetes e doença cardiovascular, como glicose no
sangue, gordura visceral e a proteína c-reativa, essa última um
indicador de infecções. A perda de peso não foi mencionada
explicitamente, exceto pela parte da perda de gordura visceral, o tipo
mais perigoso.
Reprodução
Além de humanos - 19 voluntários, mais um grupo de
controle - e ratos, células de fermento foram usadas no experimento. O
fermento, um fungo unicelular, provia uma base para testes metabólicos
em nível intracelular. Os ratos, que vivem pouco tempo, serviam para
medir os efeitos de longo prazo - neles, o teste começou quando eram
considerados de "meia idade". E os humanos, obviamente, são o alvo
final.
A dieta, como o nome sugere, consiste em simular o jejum,
cinco dias seguidos por mês - fora deles, o paciente podia comer como
bem entendesse, inclusive se fosse adepto da dieta McDonald's. "O jejum
estrito é difícil para as pessoas aderirem, e também pode ser perigoso,
então decidimos desenvolver uma dieta complexa que ativa os mesmos
efeitos no corpo", afirma o condutor do estudo, o biólogo e
gerontologista Valter Longo.
Por três meses - mas apenas cinco dias em cada um, como já
mencionamos - os voluntários consumiram uma dieta estrita, que provia
entre 34 a 54% do consumo de calorias normais, composta por 11 a 14% de
proteínas, 42 a 43% de carboidratos e 44 a 46% de gordura. De acordo com
Longo, funciona por "reprogramar o corpo, de forma que ele entra num
modo mais lento de envelhecimento, e também rejuvenescê-lo através de
células-tronco. Não é uma dieta típica porque não é algo que você
precisa continuar indefinidamente".
Valter não dá os detalhes do que exatamente eles
consumiram, e é nesta parte que o santo deve começar a desconfiar da
esmola. O trabalho é patenteado e Longo é ligado a uma empresa chamada
L-Nutra. Mais testes serão feitos para que ganhe a aprovação da FDA
(Food and Drug Administration, responsável pela regulamentação de
remédios e alimentos nos Estados Unidos). É potencialmente um negócio
bilionário.
Mas o cientista, mesmo vendendo seu peixe
entusiasticamente, ao menos demonstra a cautela necessária, mencionando
que mais estudos precisam ser feitos. "Se os resultados continuarem tão
positivos quanto os atuais, eu acredito que a dieta de simulação de
jejum será a primeira intervenção segura e eficiente a promover mudanças
positivas associadas com a longevidade e saúde, que pode ser
recomendada por um médico", afirma.
Por fim, não tentem fazer isso em casa, crianças. Longo
acredita que a dieta é segura, mas deve ser feita apenas sob supervisão
médica.
Referências
A Periodic Diet that Mimics Fasting Promotes Multi-System
Regeneration, Enhanced Cognitive Performance, and Healthspan, Valter D.
Longo et al, Cell Metabolism: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1550413115002247
Diet that mimics fasting appears to slow aging, ScienceDaily: http://www.sciencedaily.com/releases/2015/06/150618134408.htm
Fábio Marton
super
