Em política, o tempo costuma ser medido em ciclos, mas para o governo Lula, o cronômetro agora parece rodar em segundos. Em uma manobra de agilidade cinematográfica — e cheia de segundas intenções —, o Palácio do Planalto operou nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, um duplo "cavalo de pau" que cheira mais a desespero eleitoral do que a planejamento estratégico.
Em menos de 24 horas, o governo não apenas sepultou a impopular "taxa das blusinhas" sobre importações internacionais, como acaba de sacar da cartola, às 15h, uma medida de subvenção direta no preço da gasolina. O alvo é claro: estancar o sangramento nos índices de aprovação que, nas últimas semanas, atingiram patamares alarmantes.
O Recuo das "Blusinhas": O Medo do Meme
A reviravolta sobre a taxação de pequenas encomendas internacionais revela um governo acuado pelas redes sociais. Após meses defendendo a "isonomia tributária", a gestão Lula percebeu que o custo político de mexer no bolso do consumo digital da classe média e jovem era alto demais para um ano em que a popularidade derrete. O recuo não foi uma vitória da lógica econômica, mas uma rendição ao medo da rejeição digital.
Gasolina a Preço de Voto
Se o fim da taxa das blusinhas foi o aperitivo, a subvenção da gasolina é o prato principal da "dieta populista" de 2026. Sob a justificativa da crise no Estreito de Hormuz e do conflito EUA-Irã, o governo anunciou hoje a utilização de excedentes de royalties para segurar o preço nas bombas.
Embora a equipe econômica tente pintar a medida com as cores da "neutralidade fiscal", a realidade é menos romântica: o governo está queimando ativos do Estado para evitar que a inflação de curto prazo enterre de vez suas chances de sucessão. É o uso do lucro do petróleo — que deveria financiar educação e saúde — para lubrificar as engrenagens de uma campanha que já começou nos postos de combustíveis.
A Estratégia do "Bombeiro Pirotécnico"
O que assistimos hoje é a institucionalização da governança reativa. O governo Lula atua como um bombeiro que apaga incêndios que ele mesmo ajudou a alimentar, seja pela demora em decidir sobre a política de preços da Petrobras, seja pela insistência em tributos impopulares.
Ao assinar uma medida de impacto direto no consumo às 15h de uma quarta-feira, o Planalto não está apenas assinando uma política pública; está assinando um cheque em branco para o populismo tarifário. A grande questão que fica para o eleitor não é quanto ele vai economizar no tanque hoje, mas qual será o preço dessa conta amanhã, quando as luzes das urnas se apagarem e a realidade fiscal bater à porta sem os amortecedores do período eleitoral.
O veredito é simples: Quando a gestão técnica cede espaço à calculadora de votos, o cidadão ganha um desconto temporário, mas o país perde a bússola da responsabilidade. Lula decidiu que 2026 vale qualquer preço — inclusive o da coerência.

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