Bateu o Desespero - A Fatura do Populismo Eleitoreiro de Lula às vésperas das Eleições - Jornalismo de Opinião

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18/09/26

Bateu o Desespero - A Fatura do Populismo Eleitoreiro de Lula às vésperas das Eleições

 

Por trás da cortina do reajuste do Bolsa Família, esconde-se o pânico eleitoral e a repetição de uma velha e ruinosa cartilha: o uso do dinheiro público para comprar a própria sobrevivência no poder.

Faltando escassos 17 dias para o primeiro turno da corrida presidencial, o relógio político subitamente despertou a urgência social do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após três anos e meio de congelamento absoluto — desde o relançamento do programa em março de 2023 —, o Bolsa Família receberá um reajuste de 15,04%, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691. Se a manutenção do poder de compra dos mais vulneráveis é uma política de Estado inquestionável, a forma, o momento e a absoluta falta de planejamento desta medida a transformam em um inegável estelionato eleitoral.

Os fatos dispensam sutilezas. Há menos de três semanas, o Executivo enviou ao Congresso Nacional o projeto de Orçamento para 2027 sem qualquer menção aos R$ 22,7 bilhões anuais que a canetada de agora passará a custar. Há pouco mais de 15 dias, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, cravou publicamente: "não tem previsão de reajuste". O que mudou, afinal, no cenário econômico brasileiro em duas semanas para justificar uma despesa não orçada dessa magnitude? Absolutamente nada. O que mudou foi o cenário desenhado pelo Datafolha.

Acossado pelo avanço de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL) — que agora empata tecnicamente com o petista em um eventual segundo turno (46% a 44%) —, Lula recorreu ao mais rudimentar dos instintos populistas: despejar dinheiro de helicóptero para resgatar eleitores. A nova parcela, cirurgicamente programada para ser paga a partir de 19 de outubro (seis dias antes do segundo turno), escancara o propósito de manipular a assistência aos pobres conforme a conveniência do calendário eleitoral.

A ironia, se não fosse trágica para as contas públicas, seria cômica. Em 2022, o governo Jair Bolsonaro fez manobra idêntica ao inflar o então Auxílio Brasil às vésperas da eleição, atitude amplamente — e com razão — criticada pelo próprio PT, que a classificou como compra de votos. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a declarar inconstitucionais trechos daquela emenda. Contudo, a lição que ficou para o atual mandato não foi a do zelo institucional, mas a de que vale tudo para não perder o poder.

O casuísmo petista de 2026, no entanto, aterrissa em um terreno fiscal ainda mais frágil. Enquanto o presidente trata o controle orçamentário como "babaquice", a realidade cobra seu preço. A Instituição Fiscal Independente (IFI) projeta um déficit real assustador de R$ 86 bilhões para o próximo ano. A dívida pública sufoca o país ao bater o recorde de 82,5% do PIB, e os juros continuam estacionados entre os mais altos do planeta.

E o reajuste do Bolsa Família não é um raio em céu azul. Ele compõe um pacotão de bondades desesperadas que inclui novas promessas de perdão de dívidas — uma reedição eleitoreira do Desenrola — e uma enxurrada de subsídios e créditos que já somam estarrecedores R$ 269 bilhões no "Gastômetro". É a máquina pública operando em capacidade máxima para salvar o inquilino do Planalto, independentemente da herança maldita que isso deixará para o amanhã.

Ninguém de bom senso contesta a importância vital do Bolsa Família no abismo de desigualdade que é o Brasil. O crime, aqui, é tratar a população de baixa renda não como cidadãos detentores de direitos, mas como reféns de um clientelismo de ocasião.

A história econômica brasileira é implacável ao mostrar que o populismo tem fôlego curto e preço alto. A fatura dessas manobras inconsequentes não é paga pelos políticos, mas sim pelas famílias e empresas que hoje amargam endividamento recorde, e que amanhã enfrentarão a inflação e a recessão. Bolsonaro tentou a mesma estratégia em 2022 e a urna lhe negou o prêmio. Resta saber se o eleitorado de hoje aceitará que o futuro do país seja rifado em um leilão de última hora com o dinheiro do próprio contribuinte.

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