Fé de Palanque e Justiça Sob Medida - O Jogo Sujo na Reta Final da Eleição - Jornalismo de Opinião

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29/09/26

Fé de Palanque e Justiça Sob Medida - O Jogo Sujo na Reta Final da Eleição

 

 

O Partido dos Trabalhadores redigiu um roteiro de telemarketing para simular empatia na fila do pão. A cartilha de 19 páginas da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva ensina o militante a concordar com o eleitor indeciso antes de empurrar a propaganda oficial. O documento instrui o uso de palavras exatas. A ordem é dizer ao cidadão que ele tem razão e que a vida está difícil mesmo. Logo depois, o roteiro manda inserir pautas governistas, como o fim da escala 6x1, e focar na religião para desgastar Flávio Bolsonaro. A campanha lucra com a tração de uma notícia falsa viralizada sobre a suposta remoção do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. O objetivo é criar medo no eleitorado cristão e garantir votos de última hora.

 

Tigrinho e Fakes 

Do outro lado, a reação de Flávio Bolsonaro atinge o nível do teatro amador. Em cima de carros de som, o candidato encena testes de DNA tirados de um envelope para acusar Lula de ser o pai do Jogo do Tigrinho. Ele tenta limpar sua imagem após a explosão da fake news religiosa. O caminho escolhido expôs o amadorismo da equipe. Flávio foi a público acusar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, de ajudar o PT a inventar a mentira. A Igreja Católica rebateu a acusação no mesmo dia apontando que mentira não se combate com mentira. O candidato agora queima seu tempo de campanha apagando incêndios em podcasts católicos e carregando imagens da santa ao lado do governador Tarcísio de Freitas para atestar devoção.

 

Desespero 

O desespero dos dois lados tem raízes na matemática pura. Pesquisas da Quaest mostram Lula saltando de 43% para 48% entre os católicos e ganhando tração entre os evangélicos após os ataques às casas de apostas. Flávio derreteu no segmento evangélico e estacionou na margem de erro entre os católicos. A própria cartilha petista avisa a seus cabos eleitorais que não adianta falar de macroeconomia com quem sofre para pagar o preço do arroz. A estratégia mútua é inundar a rua com guerra santa e caça-níqueis digitais. O debate real sobre o futuro do país desapareceu sob o peso da busca por engajamento.

Enquanto os políticos brigam no asfalto, o Supremo Tribunal Federal permite uma manipulação processual grave. As campanhas espalham desinformação nas redes e os advogados corrompem o sistema de sorteio de processos nos tribunais. Juristas alertam para uma manobra escancarada de desvio das regras básicas do jogo.

 

O método para burlar a Justiça funciona da seguinte forma:

  • O advogado de um candidato identifica um ministro do STF com histórico de decisões favoráveis às suas ideias.

  • Ele busca um processo antigo desse mesmo ministro e encaixa um pedido eleitoral novo lá dentro, criando uma conexão forçada.

  • A ação chega direto ao STF por uma porta lateral, atropelando o Tribunal Superior Eleitoral, que tem a obrigação constitucional de cuidar do pleito.

  • Ministros decidem os rumos da eleição individualmente. O ministro Flávio Dino ordenou a volta de postagens com a notícia falsa sobre Flávio Bolsonaro e a padroeira do Brasil usando exatamente essa brecha processual. A defesa de Flávio adotou a mesma malandragem no dia seguinte, tentando direcionar um recurso sob medida para as mãos do ministro Luiz Fux.

O eleitor brasileiro está cercado pelo cinismo institucional. Marqueteiros escrevem falas prontas para a militância fingir preocupação com os mais pobres no ponto de ônibus. Candidatos brigam com bispos e fazem piada de baixo nível no palanque. No topo do sistema, a mais alta corte do país assiste passivamente aos advogados escolherem seus próprios juízes. As regras são dobradas diariamente por todos os envolvidos para garantir a vitória a qualquer custo.

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