A Eleição do Desespero - Entre a Soberba Petista, a Hipocrisia Bolsonarista e um Judiciário que Rasgou a Lei - Jornalismo de Opinião

Breaking

29/09/26

A Eleição do Desespero - Entre a Soberba Petista, a Hipocrisia Bolsonarista e um Judiciário que Rasgou a Lei


 

A campanha pela reeleição presidencial expõe uma fratura estrutural na política brasileira. O Partido dos Trabalhadores acordou tarde para uma realidade inescapável. A cúpula governista tratava Flávio Bolsonaro como um adversário frágil e um alvo fácil para manter o poder sem grandes solavancos. Essa leitura arrogante cobrou seu preço. O governo se viu engolido pela má avaliação popular e pela própria incapacidade de renovar seu discurso. O resultado é um pânico de última hora. Para conter o estrago, a máquina pública passou a vomitar medidas populistas e irresponsáveis. A lógica é velha e corrosiva. Parte do pressuposto de que o eleitorado mais pobre está sempre à venda.

 

PT 

Falta um projeto real de país. O PT se aproxima de duas décadas no comando do governo federal ao longo da história recente, mas aposta todas as suas fichas no culto à personalidade de Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia ignora a exaustão do brasileiro com promessas repetidas. Não há espaço para autocrítica. O que domina é a submissão cega ao líder, tratado como fonte inesgotável de votos. Quem avisa que a população exige outro formato de diálogo e soluções concretas para o atraso econômico acaba silenciado pela estrutura partidária.

 

A Mentira 

O vácuo de propostas abriu espaço para o esgoto da desinformação. A grande polêmica da reta final da campanha se resume a uma mentira sobre Flávio Bolsonaro querer retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A acusação resgata um projeto de lei inofensivo e engavetado em 2007, proposto por outro parlamentar, para fabricar pânico moral. É o mesmo roteiro sujo usado contra Marina Silva em 2014 e contra Jair Bolsonaro nos pleitos seguintes. O Estado é laico. O Vaticano decide quem é padroeiro de onde, não o Congresso Nacional. Ainda assim, a mentira pauta o debate público com força total.

 

A Hipocrisia 

O episódio escancara a hipocrisia dupla que sequestrou o país. O bolsonarismo passou anos espalhando mentiras sobre fechamento de igrejas e cartilhas de sexualidade nas escolas. Agora, posando de vítima, corre à Justiça para censurar a oposição. Esquecem rápido o discurso de defesa intransigente da liberdade de expressão quando a mentira atinge seus candidatos. Do outro lado, o lulismo patrocina a desinformação religiosa com a mesma naturalidade com que exige leis severas contra fake news. A coerência ideológica morreu e ninguém foi ao velório.

 

A Justiça 

A tragédia ganha contornos finais no Supremo Tribunal Federal. A corte abandonou o papel de árbitro para atuar como extensão de campanhas políticas. Quando o ministro André Mendonça, alinhado à direita, manda derrubar as postagens falsas, o ato nasce manchado pela suspeição perante metade do país. Minutos depois, Flávio Dino, braço jurídico do lulismo, atropela a decisão e libera a mentira, usando a liberdade de expressão como escudo de conveniência.

A Justiça Eleitoral virou um balcão de conveniências. Regras constitucionais agora dependem de qual lado a caneta do ministro quer favorecer, sob os aplausos de juristas e jornalistas que operam por torcida. O suicídio reputacional das instituições já está precificado. O Brasil chega às urnas discutindo falsas ameaças a santos enquanto a credibilidade do poder público derrete. Vence quem mentir melhor e tiver o juiz certo de plantão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário