Mais da metade dos lares brasileiros tem uma mulher no comando financeiro. O dado consolidado em 2026 bate na casa dos 52,4% e mostra uma mudança estrutural impossível de ignorar. Mulheres como Cenir, mestre de obras na periferia de Belo Horizonte, e Jacqueline, vendedora de empadões em Olinda, ditam os rumos da economia familiar. Elas também formam o grupo que vai decidir as eleições presidenciais deste ano.
Voto Feminino
O mercado de trabalho, no entanto, cobra um preço alto. As eleitoras são maioria nas urnas e nos bancos universitários (19% delas chegaram ao ensino superior contra 14% dos homens), mas perdem espaço na hora de assinar a carteira. Apenas 53,5% das mulheres estão ocupadas. O rendimento masculino ainda é 25% maior.
A rotina dessas trabalhadoras envolve obstáculos bastante concretos:
Jornadas duplas ou triplas, somando o emprego formal e a sobrecarga invisível dos cuidados com a casa e os filhos.
Risco elevado de cair na informalidade e no desemprego.
Alta carga tributária e falta de incentivos estatais para quem tenta empreender por conta própria.
O debate eleitoral tenta capturar esse contingente decisivo. Pesquisas recentes apontam vantagem de Lula (PT) entre o eleitorado feminino, com força específica entre as chefes de família. Do outro lado, Flávio Bolsonaro (PL) concentra sua base no eleitorado masculino e foca no tema da segurança pública e nos incentivos ao setor produtivo. A escolha final dessas eleitoras passa por percepções cotidianas sobre o custo de vida e o apoio real aos seus negócios. Janaína, dona de uma vinícola na Serra Gaúcha, ilustra bem essa dinâmica ao condicionar seu voto a quem oferecer melhores condições para o seu ambiente de trabalho.
Crime Organizado
Enquanto a disputa doméstica tenta dar respostas à rotina das famílias, o cenário externo joga combustível na pauta da segurança pública. A aliança Escudo das Américas, formada por países latino-americanos alinhados à direita e endossada por Donald Trump, acaba de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão diplomática foi anunciada nas margens da Assembleia Geral da ONU.
Esse movimento geopolítico afeta a temperatura das urnas no Brasil. A medida americana prevê o congelamento de ativos e restrições de visto para quem apoiar as facções. O anúncio ocorre a poucas semanas da votação e acirra a tensão diplomática entre Brasília e Washington. A oposição encontra nesse discurso uma alavanca poderosa para a campanha, reforçando a urgência de respostas mais duras contra o crime organizado.
Palanque na ONU
No púlpito da ONU, as estratégias ficaram expostas. O presidente americano defendeu ações agressivas e comparou os cartéis a grupos extremistas do Oriente Médio. O presidente brasileiro adotou um tom focado na defesa da soberania nacional e rejeitou interferências externas na proteção das fronteiras do país. Lula também aproveitou a vitrine diplomática para enviar recados ao eleitor brasileiro, citando temas como o fim da escala de trabalho 6x1.
A eleição de 2026 acontece na tensão entre duas realidades distintas. Temos a urgência diária das mulheres que sustentam a economia do país com muito suor e pouca ajuda. Em paralelo, há o xadrez geopolítico que transforma a segurança pública em uma arma eleitoral de grande alcance. O resultado nas urnas vai depender de qual dessas frentes oferecerá soluções mais práticas para quem vai digitar na urna.

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