Existe um comportamento bizarro dominando os espaços públicos e as redes sociais no Brasil. Adolescentes e jovens adultos estão obcecados por uma moeda que não existe, não compra nada e não paga boletos. O nome desse fenômeno é farmar aura. A lógica nasce dos videogames. Você faz algo considerado impressionante e ganha pontos invisíveis. Você tropeça na rua ou passa vergonha, perde pontos. A brincadeira saiu das telas e engoliu a vida real.
Vergonha Alheia
Na prática, isso cria cenas diárias de pura vergonha alheia. Shoppings e escolas viraram palcos de atuações caricatas. Jovens andam de forma robótica, forçam o maxilar no chamado mewing e adotam posturas carrancudas para simular a figura de um macho sigma. Tudo isso para impressionar pessoas que sequer estão prestando atenção neles. Até competições presenciais já acontecem. Nelas, o grande prêmio por meses de encenação é uma espada de plástico. Um troféu inútil para coroar um esforço completamente vazio.
A situação deixa de ser uma modinha inofensiva quando olhamos para a realidade do país. Estamos falando exatamente da geração que precisa sustentar a economia brasileira nas próximas décadas. Os dados oficiais cobram a conta. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que o país possui quase dez milhões de jovens que não trabalham e não estudam. Enquanto uma fatia considerável dessa juventude gasta energia calculando passos em corredores de shopping com o dinheiro da mãe, o mercado de trabalho exige qualificações cada vez mais difíceis de alcançar. A matemática é simples e implacável. Tempo gasto encenando memes é tempo subtraído da construção de habilidades reais.
Abismo Financeiro
O contraste de postura hoje parece apenas uma piada de internet. Daqui a uma década, será um abismo financeiro e social profundo. De um lado, teremos adultos que usaram a juventude para aprender uma profissão, poupar os primeiros salários e entender o funcionamento do dinheiro. Do outro, uma legião de dependentes financeiros esperando a aprovação alheia através de piadas como a do six seven. A aura não gera dividendos. A cara de mau não aprova financiamento imobiliário e muito menos garante uma aposentadoria confortável.
A Realidade
A realidade econômica brasileira não perdoa distrações prolongadas. Os juros são altos, a inflação corrói o poder de compra e o cenário político cobra atenção constante da sociedade. Ignorar a construção de um patrimônio sólido para viver uma fantasia importada das redes sociais é uma escolha com prazo de validade muito curto. Cedo ou tarde a vida adulta cobra a fatura. Ela chega com impostos, contas e responsabilidades diárias. E o mercado financeiro rejeita qualquer pagamento em aura.

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