A escassos dias da votação decisiva do segundo turno das Eleições de 2026, marcada para o próximo dia 25 de outubro, o clima nos bastidores do Partido dos Trabalhadores e da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de absoluto nervosismo e reação desesperada. Enfrentando o risco iminente de se tornar o primeiro presidente no exercício do mandato a falhar na busca pela reeleição desde a instituição do instituto da reeleição no Brasil, a candidatura petista assiste ao avanço consolidador do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que encerrou o primeiro turno na liderança com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões) contra 45,16% de Lula (53,8 milhões) — a menor diferença registrada entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno desde a redemocratização.
As pesquisas de intenção de voto confirmam o cenário adverso para o Palácio do Planalto. Segundo o levantamento mais recente do instituto Futura/100% Cidades (registro TSE BR-03764/2026), divulgado nesta sexta-feira (16), Flávio Bolsonaro lidera a disputa em votos válidos com 50,8%, contra 49,2% do atual mandatário. O resultado mantém a vantagem do candidato da oposição e reforça a tendência observada em outros levantamentos, como a pesquisa Quaest, que aponta o senador numericamente à frente com 46% a 44%.
'Pacote de Bondades' sob Suspeita e Blindagem Institucional
Pressionado pelo fantasma da derrota, o governo federal colocou em marcha uma agressiva ofensiva econômica e assistencialista na tentativa de conter a perda de capital político. O pacote engloba um reajuste de 15% no Bolsa Família, desoneração de impostos sobre combustíveis, além do anúncio de projetos de lei para o perdão integral das dívidas de 3,6 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs) com a União, ampliação do programa Pé-de-Meia para universitários, o Desenrola 3.0 e ações contra as apostas eletrônicas.
Especialistas em direito eleitoral apontam que tais medidas configuram clara utilização da máquina pública para fins eleitorais. Segundo o advogado Alexandre Rollo, ex-professor convidado da Escola Judiciária Eleitoral Paulista do TRE-SP, ações dessa natureza em período pré-eleitoral poderiam enquadrar qualquer gestor em acusações de abuso de poder político e econômico, com penas severas que variam da cassação do registro até a decretação de inelegibilidade e processos por improbidade administrativa.
Rollo destaca uma histórica assimetria na atuação da Justiça Eleitoral brasileira: enquanto prefeitos de municípios menores são frequentemente cassados e afastados do cargo por condutas idênticas — como exemplificam os casos recentes das cidades paulistas de Macedônia, Martinópolis e Naramandiba —, os ocupantes da Presidência da República historicamente contam com um filtro de benevolência e tolerância institucional sob o pretexto de "continuidade de governo", o que, na prática, viabiliza o uso da máquina em benefício próprio sem sanções imediatas.
Da Falha Econômica ao Terrorismo Psicológico no Guia Eleitoral
Diante da falta de tração dos anúncios econômicos para reverter a desvantagem nas urnas, a estratégia de comunicação da campanha petista descarrilou para um tática explícita de pânico moral e terrorismo eleitoral. Sob coordenação de Edinho Silva, presidente do PT, o marketing de Lula abandonou a discussão de propostas concretas para o futuro do país e passou a focar quase exclusivamente no desgaste do adversário por meio de associações dramáticas e sensacionalistas.
A propaganda oficial do candidato à reeleição passou a veicular vídeos que vinculam Flávio Bolsonaro ao presidente da Argentina, Javier Milei, explorando notícias alarmistas sobre falências de empresas, desemprego e relatos apelativos sobre crise social no país vizinho — chegando ao ponto de resgatar reportagens sobre consumo de carnes alternativas para chocar o espectador. Em outra peça de apelo emocional direto, a campanha reproduziu o áudio de uma ligação de emergência feita em 2022 por um garoto de 11 anos em situação de extrema vulnerabilidade social para amedrontar o eleitorado humilde sobre um suposto fim dos programas de transferência de renda.
O próprio deputado Gustavo Gayer (PL-GO) e articuladores da oposição denunciaram publicamente a tática como uma "campanha de terrorismo eleitoral criminoso", desenhada especificamente para incutir o medo da perda de direitos sociais e manipular a fatia do eleitorado de menor renda.
A Urna como Veredito Final
A inflexão da campanha petista para a tática do pânico explicita a perda de controle sobre a narrativa política e o esgotamento das bandeiras tradicionais da esquerda. Ao depender simultaneamente de expedientes fiscais de última hora — sob leniência das instâncias superiores da Justiça Eleitoral — e do bombardeio de mensagens alarmistas na televisão e nas redes sociais, o PT demonstra que reconhece a gravidade da conjuntura que enfrenta.
Com a margem de vantagem do opositor consolidada nas projeções de segundo turno e a rejeição ao governo estabilizada em patamares elevados, o dia 25 de outubro se aproxima não apenas como o encerramento do processo eleitoral, mas como o momento em que a eficácia da retórica do medo será testada nas urnas eletrônicas diante de um eleitorado que sinaliza desejo por mudança.

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