![]() |
| Segundo advogado, há 'confusão' entre dinheiro ilícito e lícito no Brasil |
A revelação da existência de
supostas contas milionárias do presidente da Câmara dos Deputados,
Eduardo Cunha, na Suíça lançou luz sobre a atuação dos bancos do país,
conhecidos mundialmente pela extrema discrição com que lidam com o
dinheiro ─ normalmente não declarado ─ dos clientes, entre os quais
brasileiros.
Mas como operam essas instituições e o que elas oferecem?Grandes bancos da Suíça e do Brasil no exterior dedicam partes específicas de suas operações a famílias e empresas que querem investir fora do país. Os departamentos são conhecidos como "Brazilian desk" e têm profissionais especializados em cortejar clientes VIP com promessas de lucro e mordomias exclusivas.
"UBS, Credit Suisse, Julius Baer, Itaú, todos eles têm um Brazilian Desk, ou LatAm Desk", conta Flávio*, banqueiro de Zurique entrevistado pela BBC Brasil. "O perfil clássico brasileiro é o de um investidor do sexo masculino, por volta de 50 anos de idade, que tem um negócio próprio que deu muito certo. Esse cliente quer garantir estabilidade na herança para as próximas gerações".
Internamente, os bancos categorizam os brasileiros em uma escala de prosperidade. É "affluent" quem possui até 1 milhão de dólares (R$ 3,9 milhões). São chamados de "High-Net-Worth" os que têm patrimônio entre 1 milhão e 20 milhões de dólares (entre R$ 3,9 milhões e R$ 77,5 milhões). No topo da pirâmide, contudo, estão os "UHNW": "Ultra-High-Net-Worth". Para esses indivíduos, os bancos não poupam esforços, nem paparicos.
"A aproximação se dá por contatos sociais normalmente. É um cliente seu que recomenda o amigo dele e assim vai", conta Flávio.







