O Paradoxo da Unificação - Quando o mesmo diagnóstico abriga realidades incomunicáveis do Autismo

  O paradoxo da unificação: quando o mesmo diagnóstico abriga realidades incomunicáveis e acirra a disputa por voz, recursos e políticas p...

Lula diz que quer nomear para o STF alguém que cumpra a Constituição


 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que ainda não escolheu quem será o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no lugar de Luís Roberto Barroso, que decidiu se aposentar antes do prazo.

Durante uma entrevista após compromissos em Roma, Lula explicou que não procura “um amigo” para o cargo, mas sim alguém que tenha como principal missão cumprir a Constituição Federal.

“Quero uma pessoa — homem ou mulher, preto ou branco — que tenha capacidade e preparo para ser ministro do Supremo. Não quero um amigo, quero alguém que entenda que sua função é fazer valer a Constituição brasileira”, declarou o presidente.

Aposentadoria antecipada de Barroso

O ministro Luís Roberto Barroso, de 67 anos, foi indicado ao STF em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff (PT). Ele anunciou sua aposentadoria na última quinta-feira (9), durante a sessão plenária da Corte.

Embora a aposentadoria obrigatória dos ministros aconteça aos 75 anos — idade que Barroso só completaria em 2033 —, o magistrado preferiu deixar o cargo antes, explicando que quer viver de forma mais leve, com mais tempo para literatura e poesia.

“Foram doze anos e pouco mais de três meses de trabalho no Supremo, incluindo dois como presidente. Agora sinto que é hora de seguir outros caminhos, sem o peso do poder e da exposição pública”, disse Barroso em tom emocionado.

Como é feita a escolha de um ministro do STF

A Constituição Federal define os critérios e o processo para escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

1.      Indicação – O presidente da República indica o nome do candidato.

2.      Sabatina no Senado – O indicado é avaliado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), formada por 27 senadores.

3.      Votação na CCJ – A comissão vota o parecer sobre o indicado. Se aprovado, o nome segue para o plenário do Senado.

4.      Aprovação final – O indicado precisa ter o apoio da maioria absoluta dos senadores (41 dos 81).

Além disso, o candidato precisa cumprir três requisitos principais:

·         Ter entre 35 e 75 anos de idade;

·         Possuir notável saber jurídico, ou seja, amplo conhecimento em Direito;

·         Ter reputação ilibada, o que significa ser uma pessoa íntegra e com boa conduta.

Os últimos indicados aprovados pelo Senado foram Flávio Dino e Cristiano Zanin.

 

Punch, o macaquinho órfão que conquistou o mundo: o que a ciência revela sobre o poder da fofura


 

Como acontece com frequência, a internet elegeu seu novo xodó. Desta vez, o protagonista é Punch, um filhote do Zoológico de Ichikawa, no Japão. Nascido em julho de 2025, ele foi rejeitado pela mãe logo após o parto e passou a ser alimentado por tratadores com mamadeira — uma intervenção delicada e comum em zoológicos quando há risco à sobrevivência do filhote.

Sem a mediação materna para introduzi-lo ao grupo, Punch ganhou uma pelúcia de orangotango, que virou sua companheira inseparável. Vídeos dele abraçando o brinquedo, buscando conforto e até recebendo “palmadas” de adultos do bando viralizaram nas redes sociais, acumulando milhões de visualizações em poucos dias.

Mas por que esse pequeno primata mobilizou tanta gente? A resposta está menos no algoritmo e mais na biologia.


A ciência da fofura: por que não resistimos a um filhote?

A reação quase automática de ternura que sentimos diante de Punch tem nome e sobrenome científicos. Em 1943, o etólogo austríaco Konrad Lorenz descreveu o conceito de Kindchenschema (“esquema do bebê”, em alemão): um conjunto de traços físicos que ativam em nós comportamentos de cuidado.

Entre essas características estão:

·         Cabeça proporcionalmente grande

·         Olhos grandes e arredondados

·         Testa alta

·         Nariz e mandíbula pequenos

·         Corpo compacto, membros curtos

Esses traços não são coincidência estética — são consequência do padrão de crescimento fetal. Durante a gestação, o crânio se desenvolve mais rapidamente que o tronco, e o tronco cresce antes dos membros. O resultado: nascemos “cabeçudos”, desengonçados e dependentes.

Estudos em neuroimagem mostram que, ao observar rostos com essas proporções, áreas ligadas ao sistema de recompensa — como o núcleo accumbens — são ativadas em milissegundos. Pesquisas publicadas nas últimas décadas indicam que adultos classificam imagens com maior “índice de Kindchenschema” como significativamente mais fofas e relatam maior disposição a protegê-las.

Em termos evolutivos, faz todo sentido: indivíduos mais sensíveis à aparência infantil tendiam a cuidar melhor de seus descendentes, aumentando as chances de sobrevivência de seus genes. Em espécies sociais, como humanos e primatas, essa vantagem foi decisiva.


Por que até macacos e corujas parecem irresistíveis?

O efeito não se limita à nossa própria espécie. Como mamíferos compartilham ancestrais evolutivos relativamente recentes, filhotes de cães, gatos e macacos exibem proporções semelhantes às dos bebês humanos. Nosso cérebro responde a esses padrões quase da mesma forma.

Curiosamente, até espécies mais distantes podem “enganar” nosso radar biológico. Corujas adultas, por exemplo, parecem permanentemente fofas por causa do crânio grande e dos olhos frontais desproporcionais — características que lembram o molde infantil.

Um levantamento da revista Nature Human Behaviour mostrou que imagens de animais com olhos artificialmente ampliados recebem até 30% mais avaliações positivas em testes experimentais. Isso ajuda a explicar por que filtros, personagens animados e mascotes seguem a mesma fórmula estética.


A internet, os algoritmos e a economia da fofura

Não é só biologia: é também estatística. Conteúdos com animais estão entre os mais compartilhados do mundo. Em plataformas como TikTok e Instagram, vídeos com filhotes frequentemente superam milhões de visualizações em poucas horas. Estudos de comportamento digital indicam que conteúdos emocionalmente positivos têm maior taxa de compartilhamento — e a fofura é uma emoção poderosa e de rápida ativação.

A indústria sabe disso. Personagens infantis de animações, mascotes de marcas e até robôs sociais são projetados com traços inspirados no Kindchenschema. O mercado global de produtos pet, impulsionado pela humanização dos animais, já movimenta centenas de bilhões de dólares por ano. A fofura vende — e muito.


E as “agressões” ao Punch?

Parte da comoção online veio de vídeos em que adultos do grupo parecem bater no pequeno. Do ponto de vista humano, a cena soa cruel. No entanto, em muitas espécies de primatas, interações físicas mais ríspidas fazem parte do aprendizado social. São formas de estabelecer hierarquia, impor limites e ensinar códigos de convivência.

O problema é que nós interpretamos essas cenas com nossa moralidade. Tendemos a projetar emoções humanas em animais — um fenômeno chamado antropomorfização. Isso intensifica nossa empatia, mas também pode distorcer a leitura do comportamento natural.


No fim das contas, por que Punch viralizou?

Porque ele reúne todos os gatilhos possíveis:

·         É filhote

·         É órfão (narrativa de vulnerabilidade)

·         Abraça uma pelúcia (objeto simbólico de conforto)

·         Enfrenta desafios sociais

·         Pertence a uma espécie próxima de nós evolutivamente

Ele ativa nosso cérebro biológico, nosso senso moral e nossa necessidade de histórias emocionantes — tudo ao mesmo tempo.

Punch não viralizou apenas por ser fofo. Viralizou porque é a combinação perfeita entre evolução, emoção e algoritmo. E, gostemos ou não, nosso cérebro continua programado para parar tudo quando vê um cabeção de olhos grandes pedindo colo.

Trump, Tylenol e autismo: o que a ciência realmente diz


 

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que tomar Tylenol (paracetamol) durante a gravidez pode causar autismo nos filhos. A fala foi feita em uma coletiva de imprensa, mas não tem base científica. Especialistas, médicos, a OMS e órgãos reguladores europeus já vieram a público desmentir a alegação.

Essa ideia foi reforçada também por Robert F. Kennedy Jr., atual Secretário de Saúde dos EUA. Nos últimos meses, ele e Trump vêm dizendo que querem “resolver a causa do autismo”. Além do paracetamol, os dois repetiram o velho boato de que vacinas causam autismo — uma mentira baseada em um estudo fraudado, já descartado pela ciência há décadas.

Logo após o discurso, a FDA (a “Anvisa americana”) divulgou uma nota dizendo que vai incluir um alerta na bula do paracetamol sobre uma possível ligação entre o remédio e o autismo. Mas, diferente do presidente, a agência foi bem mais cuidadosa: ressaltou que não há provas de causa e efeito e que os estudos existentes ainda são inconclusivos.


O que mostram as pesquisas

De fato, existem estudos que sugerem uma possível relação entre o uso de paracetamol na gravidez e o risco de autismo ou TDAH. Mas o cenário está longe de ser definido. Outras pesquisas, maiores e mais bem feitas, não encontram nenhuma ligação.

O problema é que esse tipo de estudo é difícil de conduzir. Como o paracetamol não precisa de receita, não há registros precisos de doses e frequência de uso. Pesquisadores acabam dependendo de questionários com as mães, que podem esquecer ou até errar as informações. Isso reduz a confiabilidade dos dados.

Um exemplo recente: um grupo da Universidade de Harvard analisou 46 estudos e encontrou que 27 mostravam algum risco maior. Esse trabalho tem sido usado pelo governo americano para sustentar suas falas. Mas o próprio estudo deixa claro: existe correlação, não comprovação. Ou seja, o remédio pode não ser o responsável. Fatores como infecções ou febres durante a gravidez podem explicar a associação.

Já pesquisas mais robustas, que consideram esses fatores, não confirmam a ligação. O maior estudo até agora foi publicado em 2024 na revista JAMA. Ele avaliou quase 2,5 milhões de crianças na Suécia e, num primeiro momento, encontrou uma diferença pequena entre filhos de mães que tomaram paracetamol e os que não tomaram. Mas, ao comparar irmãos — em que uma gestação teve uso do remédio e a outra não — a diferença desapareceu. O mesmo resultado foi observado em um estudo semelhante no Japão.

Além disso, uma revisão publicada em 2024 na revista Obstetrics & Gynecology concluiu que é improvável que o paracetamol na gravidez aumente o risco de autismo.


O que causa, então, o autismo?

O autismo não é uma doença, mas uma forma diferente de funcionamento do cérebro. Ele faz parte de um espectro, com níveis variados de características.

Décadas de pesquisas mostram que a genética tem um papel central. Isso não exclui fatores ambientais, mas nenhum estudo sério até hoje conseguiu apontar um único remédio ou substância como causa.

O aumento dos diagnósticos nas últimas décadas também tem outra explicação: mais conhecimento e melhores critérios médicos. Antes, muita gente passava a vida sem diagnóstico. Hoje, a compreensão do espectro é mais ampla — a antiga Síndrome de Asperger, por exemplo, foi incorporada ao autismo.


Resumindo

Apesar do que Trump e Kennedy dizem, não há provas de que o paracetamol cause autismo. Os principais órgãos de saúde do mundo continuam recomendando cautela, mas sem alarmismo. Pesquisas sérias seguem sendo feitas, mas por enquanto, a ciência não confirma essa ligação.

Eu Voltei!

 


Como diz a música de Roberto Carlos
EU VOLTEI!

Depois de um período sabático de 4 anos, estou retomando o trabalho com minha página — com novas ideias, mais experiência e ainda mais vontade de compartilhar conteúdo relevante com vocês.

Mas afinal, o que mudou nesses 4 anos?