Nesta terça-feira, 5 de novembro, a Índia deu um grande salto em seu programa espacial: tudo correu bem com o lançamento da missão Mars Orbiter, que deve chegar a Marte em 24 de setembro de 2014.
É a primeira empreitada interplanetária do país asiático – se bem sucedida, colocará a Índia na quarta posição entre os países ou blocos que chegaram até o Planeta Vermelho (apenas União Soviética/Rússia, Estados Unidos e União Europeia conseguiram até agora). China e Japão já fizeram tentativas, mas falharam.
A decolagem ocorreu ontem, no Centro Espacial Satish Dhawan, por volta de 7h no horário de Brasília (14h30 no horário local). O centro pertence à Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO) e fica em Sriharikota, litoral sudeste do país. A agência, responsável pelo programa espacial indiano, investiu 4,5 bilhões de rúpias no projeto, equivalente a cerca de R$165 milhões. O valor é consideravelmente baixo: em 16 de novembro, a NASA deve lançar a missão Maven para estudar em detalhes a atmosfera marciana – o custo estimado é de R$1,5 bilhão.
O objetivo da Mars Orbiter, segundo a agência indiana, é principalmente alavancar tecnologias relacionadas com design, planejamento e operações de viagens interplanetárias. A sonda, que recebeu o nome de Mangalayaan (veículo marciano, em sânscrito), deve explorar características do relevo, de minerais e da atmosfera do Planeta Vermelho.
Ela carrega cinco instrumentos para coleta de dados, entre eles uma câmera fotográfica colorida, para monitorar aspectos do clima e também as luas Fobos e Deimos; um espectrômetro, para detectar minerais no solo; e um sensor de metano, para verificar se a atmosfera de Marte contém a substância. A presença do gás pode indicar atividades geológicas ou vida microbiana.
A tecnologia do foguete utilizado para o lançamento (PSLV-C25), desenvolvida pela própria ISRO, tem mostrado eficiência em testes e missões. Em 2008, a sonda lunar Chandrayaan-1 (veículo lunar em sânscrito), que inaugurou a exploração espacial do país, conseguiu orbitar a lua e detectar gelo na superfície do satélite natural. A organização já estuda lançar a Chandrayaan-2 para prosseguir com as observações lunares.
por André Jorge de Oliveira
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