![]() |
| Requião falou sobre ações da gestão 2003-2010, voltou a criticar o “apagão administrativo” do atual governo e citou prioridades para o futuro mandato. |
O candidato ao governo estadual pela coligação “Paraná com Governo” (PMDB/PV/PPL), Roberto Requião, respondeu na noite de domingo (14), durante transmissão ao vivo da TV15, veiculada no site da campanha, as perguntas publicadas na Gazeta do Povo, que seriam feitas durante sabatina realizada no jornal na semana passada. Requião não pôde comparecer por problemas de saúde.
Confira as respostas:
Gazeta do Povo: Relatório do Tribunal de Contas do Estado divulgado no final de 2010 registrou que a Paranaprevidência tinha um rombo de R$ 3,2 bilhões, dos quais um terço foi causado pela falta de aportes por parte do governo do estado. Além disso, o governo decidiu não fazer o desconto dos inativos, conforme previsto no plano de capitalização elaborado durante o governo Lerner. O sr. considera que acertou na gestão da Paranaprevidência?
Requião: O governo recolheu todos os tributos, não ficaram pendências. Em 2010, eu entreguei a Paranaprevidência com R$ 120 milhões só para investimentos e R$ 7 bilhões no Fundo de Previdência. Quando nós administramos, foi o único fundo de pensão do Brasil que não teve prejuízo com a crise de 2008, porque proibimos que a Paranaprevidência fizesse qualquer investimento de risco. Determinamos que só poderia investir em letras do Tesouro Nacional. Agora está uma bagunça. A atual gestão não tem recolhido a taxa de administração obrigatória, só o servidor tem pago a sua parte. Em junho de 2014, o balanço financeiro da Paranaprevidência fechou o mês com um déficit de R$ 326 milhões. Se projetarmos esse valor para 12 meses, o rombo no caixa em 2014 pode chegar a R$ 4 bilhões, o que significa o equivalente a 12% do orçamento.
GP: Nos seus dois últimos mandatos, o PMDB não elegeu o presidente da Assembleia Legislativa. Além disso, o sr. perdeu os diretórios do partido em Curitiba e no Paraná. Seus aliados o acusam de sempre trabalhar em benefício próprio e não do partido. Se eleito, como pretende reagrupar o PMDB?
Requião: Um governador deve trabalhar pelo Estado, não pelo partido. Ele governa para a população. Eu ganhei a convenção que vocês diziam que eu perderia para o Beto Richa. Hoje o partido tem uma nova executiva. Mas o foco do governador é o trabalho para a população.
GP: O sr. acumulou algumas derrotas em batalhas com viés ideológico nos seus governos: não conseguiu conter a expansão dos transgênicos; não venceu os pedageiros; não expulsou os sócios privados da Sanepar; manteve na Copel expressiva participação de sócios privados. O sr. repetiria a mesma estratégia em uma nova gestão?
Requião: Vou continuar defendendo os interesses do povo paranaense. Vou suspender verbas de propaganda, que tiram o dinheiro dos professores e dos investimentos estaduais, por exemplo.
GP: Outra questão sobre segurança pública era a falta de transparência na divulgação dos dados de criminalidade. O que será feito diferente?
Requião: Vamos ter transparência absoluta. Na gestão 2003-2010, criamos o geoprocessamento do crime. O boletim de ocorrência era feito por computador. A cada dia, a Polícia Militar sabia onde estavam ocorrendo os crimes e de que natureza eram. Esses dados não eram divulgados para a imprensa por questões estratégicas, para que os criminosos não soubessem onde a PM iria atuar.
GP: Tanto a gestão do sr. quanto a de Beto Richa tiveram dificuldades em executar o porcentual mínimo de 12% dos gastos com saúde. Por que isso se tornou algo tão difícil de ser cumprido?
Requião: Quando assumi, o Paraná estava quebrado e os hospitais não funcionavam, os postos de saúde estavam parados. Aí montamos a rede de 44 hospitais. Um novo hospital você monta, equipa, contrata pessoal e estabelece os protocolos de atendimento. É uma coisa em etapas. E eu construí e reformei pra valer. Os das Zonas Sul e Norte de Londrina, por exemplo, tinham 30 leitos e subimos pra 130. Foram mais de R$ 300 milhões investidos na construção de 13 hospitais do zero e na reforma de outros 31. Aí vocês dizem que eu não construí o Hospital de Telêmaco Borba. Eu deixei 95% pronto e depois de quatro anos e meio ele continua parado.
GP: Na educação, o governo Richa tem buscado uma polarização com o sr. quanto ao salário dos professores. O sr., por exemplo, moveu uma ação no STF contra o piso nacional da categoria, em 2008. Qual é o posicionamento atual sobre isso?
Requião: O piso do Paraná era maior que o nacional. Alguns governadores defendiam a autonomia. E nós criamos o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), com a formação continuada. O projeto colocou o Paraná em primeiro lugar no Ideb. Hoje caiu para oitavo. Acabaram com o Projeto Fera, com o Fera com Ciência, com a TV Paulo Freire, os televisores das salas pararam por falta de manutenção, assim como os laboratórios de informática. Temos que retomar tudo isso e colocar o PDE pra funcionar de novo.
GP: O sr. achou correta decisão da Copel em não repassar o reajuste total da energia? O sr. tem afirmado que a energia em uma nova gestão não vai subir. Como isso é possível? Defende alguma mudança no sistema elétrico? O fim dos leilões, por exemplo? Como pretende repassar o reajuste que ficou represado neste ano?
Requião: Um megawatt/hora custa na Copel e em outras empresas uma media de R$ 20, mas vai para a distribuição e é comprada por R$ 800. Eu acabo com isso, vou cuidar da Copel. Eu segurei a tarifa como a mais barata por sete anos. Comigo a Copel vai voltar a ser uma empresa pública. A solução para isso é gestão.
GP: O sr. vem afirmando durante a campanha que a substituição tributária tem matado as micro e pequenas empresas. Ao mesmo tempo, o governo tem privilegiado as grandes montadoras. Qual será a sua política tributária?
Requião: Eu zerei o imposto da microempresa e criei o Salário Mínimo Regional, o maior do país. Aliviei os comerciantes e melhorei o salário dos trabalhadores, girando a roda da economia. As pequenas empresas pagavam uma média de 2% e a microempresa pagava zero. Com isso nós iluminamos o interior, as lojas encheram as prateleiras. O Beto Richa enfiou essa antecipação de receitas e o ICMS é cobrado da empresa antes. A grande empresa compensa na venda, mas a pequena sofre com isso. Estão quebrando por incompetência do governo. No segundo dia de governo vou revogar isso. E nenhuma empresa estrangeira vai ter um benefício que não possa ser dado para uma brasileira. Criei também um diferenciamento de imposto para quem abrisse empresa longe dos grandes centros. O cadastro era feito no computador, pela internet, sem burocracia. Agora é preciso passar por uma comissão avaliadora. Eu voltarei a automatizar o sistema, com direitos iguais para todos.
GP: Em 2003, o sr. devolveu ao governo federal R$ 200 milhões que seriam aplicados na construção do cais oeste do Porto de Paranaguá. Alegou que faria a mesma obra pela metade do preço com recursos do próprio porto. Passadas duas gestões suas no governo e do seu irmão Eduardo na superintendência da Appa, o cais não saiu. Eleito governador agora, o sr. repetiria o mesmo gesto de devolver recursos para a União?
Requião: Isso é má-fé ou ignorância. Quando assumi, havia um esboço do projeto. Alguns deputados sugeriram uma emenda para ele, mas esse dinheiro nunca veio. Quando fui ver o projeto, fui alertado que ele estava fraudado, porque pedia mais colunas do que era necessário. Quem ganhasse a licitação provavelmente saberia disso e colocaria um preço menor, superando as empresas concorrentes, e depois iria pedir uma alteração técnica, tirando o excesso de colunas e diminuindo o preço final. Não deixei essa fraude ocorrer. Mas esse dinheiro nunca veio.
GP: Como o sr. vê as novas concessões do Porto de Paranaguá? Vai aceitar o modelo proposto pelo governo federal ou tem algo a mudar? Como manter o aumento na movimentação que houve nos últimos anos, quando houve um salto de 30%?
Requião: Quando assumi, o porto praticamente não existia mais, os caminhões encalhavam. Asfaltamos o pátio, os prédios foram reformados. Acabamos com as filas de caminhão criando o agendamento de cargas. Meu irmão, que era o superintendente, foi receber o Prêmio da Associação Brasileira de Movimentação e Logística (ABML), edição 2006, pelo projeto “Paranaguá: a fila andou – A utilização da logística portuária como instrumento de transformação”. Construímos três terminais públicos para diversificar as atividades, implantamos um sistema moderno de aferição de cargas. A movimentação de cargas passou de 28,5 milhões de toneladas em 2002 para 38,1 milhões de toneladas em 2010.
Assessoria de Imprensa Requião/Marco Martins
