Por que o 'New York Times' quer fim do embargo a Cuba? - Jornalismo e Cultura

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14/11/14

Por que o 'New York Times' quer fim do embargo a Cuba?

O motivo é que o NYT avalia que, "pela primeira vez em mais de 50 anos", a situação política de ambos está favorável para que suas relações sejam reatadas.
O jornal destaca que Cuba, com as reformas que implementou, está se preparando para uma "era pós-embargo", e há um crescente número de vozes nos EUA que advogam por uma aproximação maior com Havana.
Além disso, em Washington se debate como o presidente Barack Obama tem a oportunidade de destacar significativas mudanças políticas em Cuba nos próximos meses, antes da Cúpula das Américas, em abril - onde pode se deparar com o líder cubano Raúl Castro, convidado pelo país-sede do evento, Panamá.
Segundo Rosenthal, o principal objetivo do New York Times é "influenciar os legisladores americanos" com relação "às políticas sobre Cuba" e "fomentar reformas na ilha, para empoderar os cubanos comuns e aumentar as liberdades pessoais".
Essa aposta coincide com a chegada à equipe que cuida de editoriais de Ernesto Londoño, jornalista colombiano que havia trabalhado no Washington Post.
Desde a contratação de Londoño, em setembro, o NYT não apenas começou a publicar alguns de seus editoriais em espanhol, como também aumentou sua ênfase em América Latina com editoriais sobre Colômbia, Bolívia e Venezuela.

Influência


Havana (Getty)
Um dos editoriais destaca as reformas políticas implementadas por Havana

O New York Times é considerado por muitos como o jornal mais influente dos EUA. Seus editoriais tendem a ressoar em círculos políticos de Washington e com frequência têm repercussão internacional.
Rosenthal se diz satisfeito de ter "fortalecido o debate aqui (nos EUA), em Cuba e na América Latina" com os cinco textos.
Nesta segunda-feira, o jornal estatal cubano Granma destacou, em seu site, que o NYT reconheceu a "política de ingerência dos EUA contra Cuba".
Fidel Castro também citou, em uma de suas colunas em veículos estatais, quase todo o editorial americano que pedia o fim do embargo.
E os textos chamaram atenção em Miami, onde organizações de exilados cubanos criticaram, por exemplo, a proposta de trocar Gross por três agentes de inteligência cubana.
Mas alguns comentaristas são um pouco céticos sobre o efeito real dos editoriais.
"Eu não esperaria demais (dos textos) do NYT, ainda que sejam um pilar a mais de apoio para que a Casa Branca tome atitudes", disse à BBC Mundo Ted Piccone, analista de América Latina do Instituto Brookings, centro de estudos em Washington.
Piccone agrega que o New York Times "às vezes tem uma sensação inflada de poder e influência" e opinou que, por si só, não acredita que os editoriais tenham um impacto tão expressivo.
Independentemente disso, o editor Andrew Rosenthal se diz satisfeito com a repercussão e diz que o jornal seguirá buscando ângulos que "alimentem o debate" sobre Cuba.