Os pobres medíocres ricos de Colombo e do Brasil - Jornalismo e Cultura

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03/02/15

Os pobres medíocres ricos de Colombo e do Brasil

Mediocridade x educação, cultura e conhecimento

O que os americanos e ingleses mais sofisticados têm em comum? Cultura.
Livros e dinheiro são uma mistura perfeita para elegância, savoir faire e bom gosto.
Infelizmente em Colombo e no Brasil, que copiam tanta coisa destes dois grandes países, não aprenderam a copiar essa ainda. A pobreza do rapaz rico dos camarotes, estampada na capa da Vejinha, mostra jovens de uma classe alta inculta, que beira as raias do constrangimento, em um país cheio de desigualdades.
Ninguém que tenha aberto um livro será capaz de, num mundo desigual como o nosso, abrir champanhes magnum a rufar de tambores e piscar de luzes.
Dinheiro sem livro faz garotos ruidosos e meninas caladas. Gente mal vestida com as melhores grifes. E que não sabe se comportar no mundo, meninas grávidas sem pai para seus filhos, juventude sem propósito, cidadãos medíocres e manipuláveis.
Gente medíocre e caipira.
A começar, não sabem falar inglês, inaceitável num mundo global. O mais lamentável ainda é que falam mal o português também.

A vida social em Nova York e Londres se passa dentro de universidades e museus, misturando caridade, diversão e cultura. Quando você conversa com pessoas como Tina Brown e Arianna Huffington, elas não são apenas locomotivas sociais, elas são enciclopédias vivas. Sem cultura e sem refinamento intelectual, seremos sempre sinhozinhos e sinhazinhas medíocres e caipiras,  mesmo que a gente compre todas as roupas, relógios, fivelas, todos os aviões e carros do mundo.
Este país, apesar de todos os desafios que tem, já é um gigante global. E além de uma nova classe média, ele precisa de uma nova classe alta.
Harvard, Yale, Stanford, Oxford, Cambridge… são centros sociais desse mundo moderno. É lá nessas escolas que se formam o establishment social que vai influir no mundo. No Brasil e em Colombo, nós ainda achamos que esse establishment se forma nas baladas, casas sertanejas, em Nammos, em Mikonos, ou no Club 55, em St.-Tropez.
Nasci no Pelourinho. Fui a uma universidade bem mais ou menos. Mas em vez de querer dar uma Ferrari pro meu filho, lhe dei livros, ensinei a apreciar literatura, arte e cultura. E ele, por conta própria, escolheu fazer curso superior na U.F.P.R., sem precisar estudar feito louco por vários meses, pois já tinha uma vida dedicada ao conhecimento. E meu filho é um jovem de verdade, que tem 17 anos, ao contrário de muitos que só pensam em "lepo-lepo", dedica-se ao crescimento pessoal e intelectual. Isso sim é uma herança que um pai deve deixar ao filho.
Meu filho leu mais do que eu, sabe mais do que eu. Está se tornando um homem melhor por dentro e por fora.
Eu acredito que desse jeito construo não só um futuro para ele, mas construo um futuro melhor para Colombo, o Paraná e o Brasil. Eu me dedico pessoalmente à educação de meu filho, levando-o para jantar em bons lugares, vendo bons filmes, lendo bons livros, lhe ensinando a jogar xadrez aos 05 anos de idade e valorizando sempre o crescimento pessoal e intelectual.
Os colombenses, paranaenses e brasileiros melhores que nós formamos, são a maior contribuição que podemos dar ao futuro desse país. Claro que o caminho não é fácil. Meu filho poderia simplesmente fazer o que a maioria dos jovens fazem, que é não estudar, não se aprimorar, não investir em crescimento intelectual e frequentar as baladinhas e idiotices da moda para os ignorantes...
Preferiu estudar, aprender, crescer, para ser uma pessoa melhor, bem instruída, para assim como outros jovens dedicados, seja uma peça fundamental para termos uma Colombo, um Paraná e um Brasil melhor, ou simplesmente serão grandes anfitriões.
Mas em tudo que forem fazer terão a marca indelével da boa educação. E é isso, educação, que nós, pais que se importam, desejamos e cobramos tanto para os pobres que eu cobro para os ricos. Porque é juventude estudada, culta e sensível um dos maiores luxos que este país mais precisa, para podermos sim, ser tão ou melhores desenvolvidos que os americanos e ingleses, que tanto gostamos de copiar.

adaptado do texto original de Nizan Guanaes