As imagens que nos chegaram
através da tv e principalmente pela internet, deixam claro tudo o que
aconteceu no centro cívico em Curitiba. Teve de tudo. Mas ao contrário
do que sugere o nome do local onde ocorreu um verdadeiro massacre aos
Professores, faltou civismo. Civilidade. Civilização mesmo. A
truculência e a irredutibilidade da polícia local, orientada pelo
Governador Beto Richa, deixa qualquer tirano no chinelo. Nem o
presidente da Indonésia teria sido tão impiedoso e insensível aos
pedidos de clemência por parte dos professores que ali manifestavam-se a
favor dos seus direitos. Lá, na Indonésia, condena-se ao fuzilamento
traficantes. Gente que viola as leis do País. Bandidos. Aqui, no Brasil,
mais especificamente no Paraná, condena-se ao fuzilamento Professores.
Gente que educa e ajuda na formação de cidadãos de bem. Trabalhadores.
Nem aos bandidos de mais alta
periculosidade, e olham que eles são muitos em nosso País, se dispensa
um tratamento como o que a polícia dispensou aos Professores no Paraná.
Bombas de efeito moral (ou seria imoral?), gás de pimenta, balas de
borracha e até cães da raça pitbull fizeram parte da recepção sangrenta
preparada pelo governo do estado para os manifestantes. Alguns falam que
houve confronto. Como pode haver confronto entre civis desarmados e
policiais armados até os dentes? Quais os riscos que os Professores que
ali estavam representavam a segurança e a ordem pública? Será que eles
sacariam de suas pastas e mochilas réguas calibre 30cm e golpeariam
fatalmente os indefesos policiais? Será que teriam no bolso alguma
caneta revólver ou colocariam giz no estilingue para alvejar os
policiais?
O Governador alega que foi
necessário a ação da polícia porque haviam black blocs entre os
organizadores da manifestação e isto colocava em risco a integridade
física dos deputados presentes na assembléia legislativa. Piada. E ainda
insinuou que a manifestação poderia ter uma motivalçao política e que
havia sido orquestrada pelo PT. É muita insanidade para um maluco só.
Espero que o povo de Curitiba e também do restante do Brasil, dê o troco
nas urnas a esse senhor Beto Richa. Que a sua atitude covarde de
ordenar aos seus policiais que massacrassem os Professores em praça
pública lhe sirva de cova para enterrar a sua carreira política. Aqui no
Rio de Janeiro, o então Governador Sérgio Cabral e a sua polícia,
também agiram de forma bem parecida contra os professores e outras
classes trabalhadoras que foram as ruas protestar pelos seus direitos.
Isso lhe custou uma possível vaga no Senado nas eleições de 2014. A
história de que ele abriu mão da candidatura em prol de outro
correligionário é balela. Ele havia renunciado ao governo do estado para
estar habilitado a disputar uma vaga no Senado. De certo percebeu ou
fora aconselhado de que a sua imagem perante o povo do Rio de janeiro
não lhe credenciava a eleição. Seria um fracasso nas urnas. Por isso
recuou. Talvez esteja dando um tempo até a memória do povo falhar e
esquecer a covardia e as arbitrariedades por ele cometidas contra a
população do seu próprio estado. E o povo esquece mesmo. Infelizmente.
O que não pode ser esquecido,
jamais, é o dia em que a educação apanhou em praça pública. Não podemos
esquecer as imagens do terror protagonizado pela polícia do governador
Beto Richa. A violência gratuita cometida contra Professores, servidores
do estado que estavam apenas lutando por seus direitos. Não se pode
esquecer a que partido político pertence o governador do Paraná. Será
essa a forma de diálogo do governo do PSDB? Será que é desse tipo de
política e de político que precisamos em nosso já tão violento país?
Triste ainda é constatar que a forma de governar desse senhor ainda
reverbera na opinião de pessoas ditas civilizadas, como a jornalista e
princesa de tucanópolis, sua majestade Rachel Sherazade e o senador
Aloysio Nunes, que assim como o governador Beto Richa, disseram que a
polícia apenas cumpriu o seu papel. Lamentável. A polícia cumprira bem o
seu papel se nos livrasse do crime organizado, do tráfico de drogas,
das saidinhas de banco, dos batedores de carteira. O papel da polícia
não é o de agredir professores.
A questão é até quando
assistiremos passivos a essa covardia contra trabalhadores? Até quando
seremos governados por homicidas e sanguinários como o governador do
Paraná? Até quando trabalhadores manifestantes que lutam por seus
direitos serão tratados como bandidos de alta periculosidade? Como diz
uma música do Gabriel, o pensador, "Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando você vai ficar de saco
de pancada".
Já deu!
Nêggo Tom
Brasil 247
