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| Juiz Moro e João Roberto Marinho, um dos irmãos, donos da globo |
Dois dos principais
porta-vozes da família Marinho, Ricardo Noblat e Merval Pereira,
publicaram textos apontando que as Forças Armadas estão de prontidão
para fazer o serviço de organizar o país.
Um texto complementa o outro, até porque a voz que os ditou é a mesma. Artigos como esse são escritos na mesa do dono.
Vamos a trechos:
Noblat:
“A crise ganhou um novo componente. Ele veste farda e tem porte de arma.
Sua entrada em cena, ontem, foi o fato mais importante do dia em que o
país quase parou, surpreso com o que acontecia em São Paulo.
“Os generais estão temerosos
com a conjugação das crises política e econômica e com o que possa
derivar disso. Cobram insistentemente aos seus interlocutores do meio
civil para que encontrem uma saída.”
“Não sugerem a solução A,
B ou C. Respeitada a Constituição, apoiarão qualquer uma – do
entendimento em torno de Dilma ao impeachment ou à realização de novas
eleições. Mas pedem pressa.”
“Por inviável, mas também por convicções democráticas, descartam intenções golpistas. Só não querem se ver convocados a intervir em nome da Garantia da Lei e da Ordem como previsto na Constituição.”
Merval:
“Os confrontos entre
petistas e seus adversários políticos nas ruas de diversas capitais do
país, enquanto Lula depunha na Polícia Federal, insuflados por uma
convocação do presidente do PT Rui Falcão, acendeu a luz amarela nas instituições militares, que pelo artigo 142 da Constituição têm a missão de garantir a ordem pública.”
“O fato de terem
oferecido apoio às autoridades civis mostra que, ao contrário de outras
ocasiões, os militares não estão dispostos a uma intervenção, que seria
rejeitada pelas forças democráticas, mas se preocupam com a crise e se dispõem a auxiliar as autoridades civis em caso de necessidade.”
“As milícias petistas mobilizadas na confrontação física nas ruas podem transformar o país em uma Venezuela, e quanto mais os fatos forem desvelados, mais a resposta violenta será a única saída”
Perceba que na narrativa
de ambos são sugeridos “alertas” e apresentado justificativas para uma
ação militar em nome de garantir a ordem publica e a paz social.
Ao mesmo tempo o
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publica hoje um artigo na página
2 do Estadão com o título “Cartas na Mesa”. O tópico frasal é: “É preciso abrir o jogo: não se trata só de Dilma ou do PT, mas da exaustão do atual arranjo político brasileiro“.
Isso pode ser entendido como um sinal para o diálogo.
Mas no meio do texto o ex-presidente depois de falar de tudo que poderia ser feito, solta um parágrafo assim:
“Agora é tarde.
Estamos em situação que se aproxima à da Quarta República Francesa” (…).
Aqui as Forças Armadas, como é certo, são garantes da ordem, e não
atores políticos.”
Parece um sinal de que o
ex-presidente sentiu o cheiro de queimado e topa agir como bombeiro. Mas
também pode ser um sinal para o PSDB de que os ateadores de fogo já
estão na rua e que para se preservar como solução o partido não deve
ajudar no serviço sujo.
E no final do artigo FHC coloca na mesa a solução do semi-parlamentarismo. O que no meio de um mandato é também um golpe branco.
Ao mesmo tempo que isso
acontece, recebo um alerta de um leitor que me envia, inclusive, o
comunicado que um general das Forças Armadas teria enviado a membros do
alto comando da corporação.
A Fórum vai
checar a autenticidade da mensagem antes de publicá-la. Mas ela teria
sido enviada a militares da reserva pró-ativa e chamaria a atenção para a
atual situação política do país.
O militar que recebeu o
texto na Europa disse que após isso houve um encontro presencial com a
tropa onde o alto comando teria inflamado a tropa e reclamado da falta
de recursos.
Enfim, são muitos sinais
de que um pré 64 está em curso. E, de novo, com apoio das organizações
Globo que sempre esteve no mesmo lugar da história.
A foto que ilustra essa
matéria é de uma manifestação que ocorreu há pouco na frente da emissora
no Rio, com aproximadamente mil pessoas. Na segunda, no Sindicato dos Jornalistas,
em São Paulo, haverá um ato contra a postura golpista da Globo. Num
momento como esse em que está em jogo o processo democrático não se pode
errar o alvo.
Moro é apenas uma peça no tabuleiro, a Globo é o golpe.
Renato Rovai
Brasil 247
