Coluna do Paulo Roberto - Coletes balísticos vencidos e recauchutados? - Jornalismo e Cultura

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11/04/16

Coluna do Paulo Roberto - Coletes balísticos vencidos e recauchutados?

Ainda não se sabe de quem partiu essa ordem para recondicionamento de coletes balísticos utilizados por policiais, mas essa conduta trouxe grandes prejuízos para todas as instituições de segurança pública que já não tem certeza quanto à “integridade” dos coletes fornecidos pelo Estado, trazendo insegurança para o exercício da função e atividade policial.



Caro (a) leitor (a), hoje em nossa tradicional coluna tratarei de um assunto que infelizmente esteve vinculado na mídia estadual e nacional, e que deixou a sociedade e membros das instituições policiais civis e militares extremamente preocupados com a vinculação da notícia de que coletes balísticos vencidos estariam sendo reaproveitados.

Na semana passada a DEAM – Delegacia de Armas e Munições, sob comando do Delegado Vinicius, após recebimento de denúncia, realizou uma grande operação policial e obteve êxito em localizar no município de Almirante Tamandaré, uma empresa que estava “recauchutando” coletes balísticos vencidos, alterando o prazo de validade e encaminhando esse material aos policiais para que continuassem fazendo uso do mesmo colete.


O colete balístico é um equipamento de proteção individual, serve para proteger a vida do policial de projéteis de disparo de arma de fogo que venham de encontro com seu corpo, quando respeitado as especificações técnicas e dentro do prazo de validade é um equipamento extremamente eficiente.

Esse tipo de equipamento é controlado e fiscalizado pelo Exército Brasileiro que através da expedição de Portarias não deixa qualquer omissão ou margens para dúvidas, determinando que este tipo de material quando vencido deve ser destruído e proíbe qualquer tipo de “recall” ou manutenção com finalidade de estender seu prazo de validade.

Parte desses coletes vencidos e alterados foi submetida pela DEAM – Delegacia de Armas e Munições, a uma série de testes para verificar seu poder de proteção, porém, TODOS foram reprovados, TODOS permitiram a passagem do projétil, ou seja, se estivessem em uso por policiais civis ou militares, TODOS que estivessem utilizando este material vencido ou ficariam com graves seqüelas ou morreriam.

Ainda não se sabe de quem partiu essa ordem para recondicionamento de coletes balísticos utilizados por policiais, mas essa conduta trouxe grandes prejuízos para todas as instituições de segurança pública que já não tem certeza quanto à “integridade” dos coletes fornecidos pelo Estado, trazendo insegurança para o exercício da função e atividade policial.

Nesse grande “jogo de xadrez”, o policial está sendo comparado com a peça de “peão”, uma peça de pouco valor e que pode ser substituída, pois serve apenas para proteger peças mais nobres e importantes no jogo; como percebemos nas reportagens televisivas, o policial, até então, sem saber, e sem questionar, estava indo para a guerra diária das ruas com um “colete de papelão”, conforme se percebeu nos testes realizados.

Como pode um policial que fez um juramento de Servir e Proteger, honrar seu compromisso com a sociedade, se não tem o mínimo de proteção para defender sua própria vida?

Parabéns ao Delegado Vinicius, da Delegacia de Armas e Munições, que apesar de toda pressão externa sofrida, realizou e realiza sua função com extrema competência e profissionalismo; que acima de tudo respeita e honra seu juramento de “Servir e Proteger”, protegendo nesse momento a peça mais importante do jogo, “o peão”, pois sem essa peça, não existe proteção e o jogo acaba. 

Paulo Roberto Jesus Santos

Email: prsantos.pc@gmail.com 
Blog: paulorobertovidapublica.blogspot.com