Coluna da Andry Simão - Livrai-nos do mal - Jornalismo e Cultura

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04/07/16

Coluna da Andry Simão - Livrai-nos do mal




Por diversas vezes nos perguntamos por que certas coisas acontecem em nossas vidas – ou deixam de acontecer.  Pessoas que conhecemos, relacionamentos que não deram certo, planos fracassados... Martirizamo-nos pela perda, normalmente julgando a nós mesmos ou até mesmo a Deus, afinal, como Ele pode deixar que isso lhe acontecesse?

Somos condicionados ao egoísmo, queremos o que queremos em nosso próprio tempo e não estamos dispostos a esperar. Acreditamos que sabemos o que é o melhor para nós mesmos, e nos frustramos quando algo não sai conforme o esperado, mas esquecemos de que Deus sabe o que é o melhor a longo prazo.
Acredito em Deus, fui criada na igreja, seguindo os preceitos e valores cristãos, fazendo as orações e discernindo o certo do errado conforme Suas Leis, mas nunca havia parado para pensar nas coisas que dizia ou no modo como vivia. Em determinados momentos, passei por diversas provações, perdas que levaram muito de mim. Revoltei-me e até cheguei a acreditar que Ele não se importava comigo, que havia me abandonado, pois não era possível que alguém que ama o deixe nesse estado de sofrimento. Mas o tempo é sempre a melhor resposta para nossas orações, pois nos mostra que o que ganhamos ou perdemos lá atrás reflete em nossa vida hoje ou amanhã.
Essa é a resposta quando pedimos em oração “Livrai-nos do mal”, e Ele nos livra. Muitas vezes nos revoltamos, mas mesmo assim, Ele não nos abandona, nos carrega no colo nos piores momentos, e quando estamos preparados para receber as graças, nos abre as portas para a vitória. O amor humano deve ser um facilitador do amor de Deus em nós, um facilitador do processo Dele em nossa vida, e quando um relacionamento, seja ele qual for nos suga, devemos soltar as amarras que nos prendem, afinal, viemos ao mundo para viver, da melhor forma possível  e não apenas para existir, e a felicidade faz parte da vida. Amadurecimento é saber que a vida não é um mar de rosas, e que teremos que passar por momentos bons e ruins, e não é uma exclusividade minha ou sua, todos passam por isso, mas devemos distinguir quem ou qual situação nos fazem passar por mais dor ou alegria.  
Não importa qual a sua religião, ou mesmo se você tem, afinal, todas tem seus defeitos e a perfeição está na complementaridade, mas não podemos negar a existência de uma força maior que nos leva para a vida. Eu sou católica, e o meu Deus, é o Deus do amor, aquele que nunca desiste de mim, mas que me ama de forma incondicional e me leva à vitória. Aquele que prega não a religião - pois isso é coisa dos homens - mas que prega sim o amor ao próximo, a compaixão e a bondade.
Sempre tive muito medo da perda, e perdi muito. Vivi o meu luto por diversas vezes e de formas diferentes. Senti muita raiva, e desejei o mal como castigo por diversas vezes. Depois de tanto viver, aprendi que o ódio é um veneno que só faz mal a nós mesmos. Deus me tirou de pessoas que me atrasavam para me colocar perto de quem me alavancava para o sucesso. O sofrimento é necessário para nosso amadurecimento, para darmos valor às alegrias da vida. Devemos perdoar para nos libertar. Devemos desejar o bem para recebê-lo, devemos amar para sermos amados. Essa é a chave da felicidade e é isso que Deus espera de nós, a felicidade em sua forma mais pura e plena.