Coluna do Luiz Vanderlei Rodrigues - A Síndrome Pós Pólio - Jornalismo e Cultura

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03/08/16

Coluna do Luiz Vanderlei Rodrigues - A Síndrome Pós Pólio


O Brasil tem muitas máculas, mas uma está atingindo vorazmente a mim e muitos dos pátrios que tiveram seus destinos abraçados pelo vírus da poliomielite, logo nos seus primeiros anos.
Nossas histórias são clones umas das outras, sempre marcadas pela dor, pela luta e, especialmente, pela superação.

Somos provas vivas e eloquentes de que os sonhos não têm limites, só precisam de atitudes, e que as deficiências existem apenas na visão do preconceito de terceiros e nas dores dos nossos corpos chagados, mas que se superam.
Não é fácil viver constantemente tentando driblar as sequelas devastadoras da pólio, destarte, temos recebidos inúmeras boas insígnias da vida, daquelas que as “pessoas normais” buscam para ter felicidade, como, casamentos, filhos e sucesso profissional.
Mas o ecletismo da vida é assustador, e considerável número de vítimas da poliomielite está sendo brutalmente surpreendida por uma nova doença que os atinge na fase adulta, como “prêmio”, por haver se esforçado tanto, lutado tanto para vencer os infortúnios trazidos pela primeira moléstia.
Estou falando da malfadada Síndrome Pós Pólio, doença de caráter degenerativo, progressivo e por vezes, letal, que foi excluída da grade curricular de medicina desde que consideraram que a pólio estava erradicada do país, consequentemente, os médicos desconhecem, as autoridades ignoram e nós continuamos morrendo, gradativa e silenciosamente.
Estou aqui, rasgando o silêncio das nossas dores, erigindo o grito daqueles que não tem forças pra bradar, dos que sequer foram diagnosticados, por ignorância médica, daqueles que gemem na escuridão de seus quartos frios e abandonados pelo mundo.
Precisamos divulgar esta doença tão agressiva e insana, para que as pessoas não sejam surpreendidas como eu fui, no auge de suas carreiras profissionais, de suas vidas familiares e sociais, porque ela não tem cura, mas pode ser evitada ou retardada.
Precisamos alardear aos quatro cantos do mundo, para que as autoridades e a classe médica acordem para suas responsabilidades, porque não estamos pedindo favor, queremos apenas o direito que é da essência humana, o direito à vida.

Glaucia Pontes


Fonte:
: Matéria publicadaPor Glaucia Pontes em sua Página no Facebook, Em 16.06.2016
https://facebook.com/Glaucia-Pontes-1726778697554173/

Jornalista: Luiz Vanderlei Rodrigues
DRT: 0010690/PR