No dia 28 de setembro a
Polícia Civil do Paraná estará completando 163 anos de história, sem muitas
conquistas para comemorar, pois conta atualmente com policiais civis na sua
grande maioria desmotivados com as atuais políticas públicas de Segurança,
estão em flagrante desvio de função, em condições precárias de trabalho, com
viaturas descaracterizadas sucateadas para atividade de investigação, com
armamento obsoleto e insuficiente, com coletes balísticos vencidos, com
salários baixos e incompatíveis com o grau de instrução de nível superior de
seus agentes e a complexidade que o cargo exige, sofre ainda como notório déficit
de policiais civis o que impossibilita atender o cidadão com excelência.
É muito triste ver uma
instituição policial de extrema importância como é o caso da gloriosa Polícia Civil
ser sucateada, a situação só não é mais deplorável porque os poucos policiais
que existem na corporação sem apoio algum: “carregam a polícia nas costas” em
respeito ao cidadão paranaense. Por lei, os policiais civis deveriam trabalhar
apenas 40 horas semanais, porém acabam realizando jornadas que podem variar de
65 a 80 horas por semana e não recebem nenhum centavo a mais por isso, além de
terem sua saúde debilitada diante de abusiva e ilegal jornada as quais são
submetidos.
Pior de tudo é que na maior
parte do tempo desta desumana jornada de trabalho, o policial civil passa em
completo desvio de função, ou seja, realizando atividades que não são de sua
competência, como a vigilância e custódia de presos, por exemplo.
A Polícia Civil do Paraná irá
completar 163 anos de história, com a herança maldita das carceragens
superlotadas e imundas, verdadeiras bastilhas medievais que não garantem o
mínimo de dignidade da pessoa humana e não ressocializam ninguém, servem apenas
de meio para o Estado violar tratado internacionais de Direitos Humanos.
A Polícia Judiciária
infelizmente está engessada com viaturas descaracterizadas sucateadas com mais de
dez anos de uso, desprotegida com maior parte de seu efetivo com coletes
vencidos, armas obsoletas e munição duvidosa diante da recomendação do
fabricante de substituição a cada seis meses.
Não temos muito que comemorar,
pelo menos não a base da polícia, que é a pior remunerada e a que mais fica
exposta aos riscos da profissão, está base é que “nada contra a maré” e mantém
a polícia em funcionamento mesmo de forma precária. Se não fossem pelos valorosos
policiais civis que no dia a dia acabam indo muito além das suas atribuições, o
caos seria ainda maior, mesmo tendo todos os motivos para desistir ainda
insistem em dar o seu melhor pela população paranaense. Sociedade valorize nossos
gloriosos policiais civis, pois apesar das adversidades eles continuam
respeitando seu juramento de “Servir e Proteger”.
Paulo Roberto Jesus Santos
Investigador de Polícia
Graduado em Gestão Pública
Especialista em Segurança Pública
Bacharelando em Direito
Pós-Graduando em Docência no Ensino Superior
www.paulorobertovidapublica.blogspot.com.br
