Coluna do Paulo Roberto - Polícia Civil 163 anos de história, o que comemorar? - Jornalismo e Cultura

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03/09/16

Coluna do Paulo Roberto - Polícia Civil 163 anos de história, o que comemorar?




No dia 28 de setembro a Polícia Civil do Paraná estará completando 163 anos de história, sem muitas conquistas para comemorar, pois conta atualmente com policiais civis na sua grande maioria desmotivados com as atuais políticas públicas de Segurança, estão em flagrante desvio de função, em condições precárias de trabalho, com viaturas descaracterizadas sucateadas para atividade de investigação, com armamento obsoleto e insuficiente, com coletes balísticos vencidos, com salários baixos e incompatíveis com o grau de instrução de nível superior de seus agentes e a complexidade que o cargo exige, sofre ainda como notório déficit de policiais civis o que impossibilita atender o cidadão com excelência.

É muito triste ver uma instituição policial de extrema importância como é o caso da gloriosa Polícia Civil ser sucateada, a situação só não é mais deplorável porque os poucos policiais que existem na corporação sem apoio algum: “carregam a polícia nas costas” em respeito ao cidadão paranaense. Por lei, os policiais civis deveriam trabalhar apenas 40 horas semanais, porém acabam realizando jornadas que podem variar de 65 a 80 horas por semana e não recebem nenhum centavo a mais por isso, além de terem sua saúde debilitada diante de abusiva e ilegal jornada as quais são submetidos.
Pior de tudo é que na maior parte do tempo desta desumana jornada de trabalho, o policial civil passa em completo desvio de função, ou seja, realizando atividades que não são de sua competência, como a vigilância e custódia de presos, por exemplo.
A Polícia Civil do Paraná irá completar 163 anos de história, com a herança maldita das carceragens superlotadas e imundas, verdadeiras bastilhas medievais que não garantem o mínimo de dignidade da pessoa humana e não ressocializam ninguém, servem apenas de meio para o Estado violar tratado internacionais de Direitos Humanos.
A Polícia Judiciária infelizmente está engessada com viaturas descaracterizadas sucateadas com mais de dez anos de uso, desprotegida com maior parte de seu efetivo com coletes vencidos, armas obsoletas e munição duvidosa diante da recomendação do fabricante de substituição a cada seis meses.
Não temos muito que comemorar, pelo menos não a base da polícia, que é a pior remunerada e a que mais fica exposta aos riscos da profissão, está base é que “nada contra a maré” e mantém a polícia em funcionamento mesmo de forma precária. Se não fossem pelos valorosos policiais civis que no dia a dia acabam indo muito além das suas atribuições, o caos seria ainda maior, mesmo tendo todos os motivos para desistir ainda insistem em dar o seu melhor pela população paranaense. Sociedade valorize nossos gloriosos policiais civis, pois apesar das adversidades eles continuam respeitando seu juramento de “Servir e Proteger”.    


Paulo Roberto Jesus Santos
Investigador de Polícia
Graduado em Gestão Pública
Especialista em Segurança Pública
Bacharelando em Direito
Pós-Graduando em Docência no Ensino Superior
www.paulorobertovidapublica.blogspot.com.br