Operação "Carne Fraca" passou em Curitiba, Colombo e se "espalhou" pelo Brasil - Jornalismo e Cultura

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20/03/17

Operação "Carne Fraca" passou em Curitiba, Colombo e se "espalhou" pelo Brasil



O maior escândalo alimentício da história do Brasil, a Operação "Carne Fraca" da Polícia Federal, investigou os
frigoríficos Peccin Agroindustrial Ltda./Italli Alimentos, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), e Souza Ramos Ltda., de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba...
O auditor fiscal federal agropecuário Daniel Gouvêa Teixeira denunciou que carnes estragadas e fora de padrão eram vendidas por frigoríficos, isso originou a Operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira (17), na qual funcionários do governo e de grandes empresas do ramo foram presos.
A Prefeitura de Colombo não possui contrato com nenhuma das empresas envolvidas no escândalo da "Carne Fraca".

Daniel Gouvêa Teixeira diz que analisou o estoque dos frigoríficos Peccin Agroindustrial Ltda./Italli Alimentos, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), e Souza Ramos Ltda., de Colombo, ambas citadas na investigação da Polícia Federal (PF). Até a publicação desta reportagem, as empresas não haviam se pronunciado sobre as denúncias.
O auditor afirma ter notado, durante as fiscalizações, que dezenas de carretas carregadas com carne mecanicamente separada - cartilagens e carcaças de frango moídos utilizados para substituir a "carne suculenta" - constavam a mais nas planilhas dos frigoríficos.
"A conta não fechava. O erro, se fosse um erro de compras, teria sido um erro em torno de 47 carretas de 27 toneladas [o que equivalente a 1.269 toneladas]. Era um absurdo. Nenhuma empresa erraria isso. Foi aí que comecei a duvidar e investigar", conta.
A carne mecanicamente separada custa quase a metade do que a carne com padrão aceito pelo Ministério da Agricultura e tem muito mais gordura e água, o que pode causar graves doenças, a longo prazo, de acordo com o auditor. Há um limite para que esse tipo de alimento seja usado na carne moída e em produtos de carne processada, o que era totalmente descumprido no caso de Peccin e Souza Ramos.
"Com o custo bem abaixo do que outros, as empresas que se utilizavam desse método concorriam desigualmente e ganhavam licitações, além de terem muito mais vantagem nas vendas nas gôndolas de mercados, por exemplo", explica o denunciante.
A partir disso, com o decorrer das investigações, o fiscal narra ter percebido outros indícios de crimes: a quantidade de carne moída era muito baixa e as máquinas eram adaptadas para fraudar as carnes.
Foi quando Daniel Gouvêa Teixeira decidiu denunciar o que via à polícia. O fiscal conta que, ao longo das fiscalizações, o que mais lhe chocou foi ver a compra, preparo e venda de carnes estragadas, "verdes", como ele próprio descreve, no frigorífico Peccin.
"Ouvi relatos de funcionários que utilizavam carnes verdes, podres. Esses produtos eram limpos com ácido sórbico, para esterilizar, e vendidos. Isso é desumano. É uma deslealdade tremenda". O ácido sórbico, encontrado no frigorífico Peccin, tem substâncias comprovadamente cancerígenas, diz a investigação.

O auditor afirma que só conseguiu investigar as fraudes, em 2014, porque foi afastado de atribuições pelos chefes da Superintendência Federal da Agricultura no Paraná. Ele diz que essa era uma prática comum com profissionais que fiscalizaram as empresas corretamente e incomodavam o esquema.
"A minha ex-chefe [Maria do Rocio Nascimento] tinha me tirado atribuições. Então, eu tive mais tempo para fiscalizar melhor os frigoríficos. A gente tem, geralmente, cinco, seis ou sete frigoríficos para cuidar. É impossível fazer um bom trabalho com esse número. Como sou mais criterioso e as empresas reclamavam de mim, eu fiquei só com dois, por retaliação. Foi aí que me debrucei em toda a pesquisa da fraude", contou Daniel Gouvêa Teixeira.
"A minha ex-chefe [Maria do Rocio Nascimento] tinha me tirado atribuições. Então, eu tive mais tempo para fiscalizar melhor os frigoríficos. A gente tem, geralmente, cinco, seis ou sete frigoríficos para cuidar. É impossível fazer um bom trabalho com esse número. Como sou mais criterioso e as empresas reclamavam de mim, eu fiquei só com dois, por retaliação. Foi aí que me debrucei em toda a pesquisa da fraude", contou.
Maria do Rocio do Nascimento, chefe do Serviço de Inspeção de Produto de Origem Animal (Sipoa) em Curitiba, presa nesta sexta-feira, é considerada a líder do esquema de fraudes pela polícia.
Segundo a PF, fiscais do Ministério da Agricultura recebiam propina para liberar licenças sem realizar a fiscalização adequada nos frigoríficos. Segundo a investigação, eram usados produtos químicos para maquiar carne vencida, e água era injetada nos produtos para aumentar o peso. As carnes irregulares eram vendidas no Brasil e no exterior. Há também casos de papelão em lotes de frango e carne de cabeça de porco em linguiças.

Confira, na íntegra, a lista das empresas investigadas, conforme documento da Polícia Federal:
Big Frango Indústria e Com. de Alimentos Ltda
Bio-Tee Sul Am. Ind. De Prod. Quím. e Op. Ltda
BRF - Brasil Foods (gabinete Roney)
BRF - Brasil Foods (gabinete André)
BRF - Brasil Foods (gabinete José Roberto)
BRF - Brasil Foods (gabinete Fabiana)
Jaguafrangos Industria e Com. de Alimentos Ltda.
JBS S.A. (gabinete Welman)
Dagranja Agroindustrial Ltda., Frigorífico Argus Ltda.
Dalchem Gestão Empresarial Ltda.
Doggato Clínica Veterinária Ltda. ME
Fênix Fertilizantes Ltda.
Fortesolo Servicos Integrados Ltda.
Fratelli E.H. Constantino
Frango a Gosto
Frigomax - Frigorífico e Comercio de Carnes Ltda
Frigorífico Rainha da Paz
Frigorífico Souza Ramos Ltda.
Frigorífico 3D
Emerick & Advogados Associados
Mc Artacho Cia. Ltda.
Multicarnes Representacoes Comerciais Ltda
Primor Beef - Jjz Alimentos S.A.
Peccin Agro Industrial Ltda
Pavin Fertil Indústria e Transporte Ltda
Principio-Alimentos Ltda. ME
Primocal Ind. e Com. de Fertilizantes Ltda.
Unidos Comércio de Alimentos Ltda
Unifrango Agroindustrial S.A.
Uru Pfp-produtos Frigorificados Peccin Ltda.
Santa Ana Comércio de Alimentos Ltda.
Seara Alimentos LTDA (gabinete Flavio Cassou)
Sidnei Donizeti Bottazzari ME Medeiros
Smartmeal Comércio de Alimentos Ltda.
Sub Royal Comércio de Alimentos

Mandados de prisão preventiva
André Luis Baldissera 007.005.439-88
Carlos Cesar 285.657.389-49
Daniel Gonçalves Filho 240.236.809-82
Dinis Lourenço da Silva 067.562.551
Eraldo Cavalcanti Sobrinho 147.460.189-87
Fabio Zanon Simão 004.855.239-90
Flavio Evers Cassou 274.744.109-15
Gercio Luiz Bonesi 280.948.839-87
Gil Bueno de Magalhães 139.185.089-00
Idair Antonio Piccin 385.728.340-87
José Eduardo Nogalli Giannetti 061.220.369-78
Josenei Manoel Pinto 178.236.259-20
Juarez José de Santana 362.418.069-04
Luiz Carlos Zanon Junior 084.118.914-53
Maria do Rocio Nascimento 299.582.379-20
Nair Klein Piccin 588.280.100-10
Nilson Alves Ribeiro 110.854.993-34
Nilson Umberto Saccheli Ribeiro 005.467.139-63
Normélio Peccin Filho 569.967.560-49
Paulo Rogério Sposito 107.683.568-65
Renato Menon 567.272.089-72
Roberto Brasiliano da Silva 445.188.899-91
Roney Nogueira dos Santos 019.854.899-02
Sebastião Machado Ferreira 324.920.499-49
Sergio Antonio de Bassi Pianaro 354.322.489-87
Tarcísio Almeida de Freitas 771.766.858-00

Mandados de prisão temporária
Alice Mitico Nojiri Gonçalves 486.788.309-30
Antonio Garcez da Luz 340.614.799-20
Brandízio Dario Junior 479.843.929-00
Celso Dittert de Camargo 404.672.019-00
Leomar José Sarti 675.598.249-00
Luiz Alberto Patzer 210.677.599-72
Marcelo Tursi Toledo 619.382.119-87
Osvaldo José Antoniassi 080.134.549-91
Rafael Nojiri Gonçalves 041.480.529-10
Sidiomar de Campos 362.892.649-15
Mariana Bertipaglia de Santana 058.852.099-36
 

Mandados de condução coercitiva
Alessandra Klass Guimarães Martins 038.595.909-52
Alexandre Pavin 036.290.879-65
Almir Jorge Bombonatto 097.759.949-34
Ana Lucia Teixeira 052.843.389-01
André Domingos Bernardi Parra 090.452.109-59
André Jansen de Mello de Santana 021.186.819-17
Bernadete Busato Polli 964.031.959-72
Carlos Augusto Goetzke 231.972.509-15
Celia Regina Nascimento 299.582.029-72
Claudia Yuriko Sakai 015.705.169-28
Clébio Henrique Polvani Marques 045.054.479-60
Daniel Ricardo dos Santos 025.604.939-42
Danilo Luciano 055.719.299-44
Domingos Martins 005.388.509-06
Edson Luiz Assunção 538.954.879-53
Edymilson Pena dos Santos 669.275.449-68
Eglair de Mari Amaral 318.482.909-00
Eduardo Vilela Magalhães 497.757.829-53
Elias Pereira Barbosa 016.593.119-18
Fabiana Rassweiler de Souza 016.662.999-52
Fabio Murilo Pianaro 047.423.459-24
Fabíola Bueno de Magalhães Lamers 027.392.149-52
Fabiula de Oliveira Ameida 320.516.848-80
Felisberto Luis de Andrade 307.730.249-72
Fernando Polli 005.719.259-60
Flávio Ribas Cassou 073.545.229-61
Francisco Carlos de Assis 166.557.961-72
Frederico Augusto de Azevedo Lima 847.696.701-25
Gabriela Bertipaglia de Santana 058.852.189-27
Guilherme Biron Burgardt 573.877.029-34
Henrique Felix Erick Breyer 202.432.789-34
Heuler Iuri Martins 009.952.039-70
Idefred Konig 491.766.849-20
Ines Lemes Pompeu da Silva 574.676.099-49
Isaac Correia Dantas 003.556.339-73
Ismael Leachi 086.340.929-68
Jackson Luiz Pavin 254.497.539-34
José Antonio Diana Mapelli 177.913.948-98
José Nilson Sacchelli Ribeiro 005.467.149-35
José Roberto Pernomian Rodrigues 058.787.588-73
José Rubens de Souza 323.389.299-34
José Teixeira Filho 142.909.799-04
Julio Cesar Carneiro 168.274.651-87
Kelli Regina Marcos 056.310.649-28
Lais Nojiri Gonçalves 041.477.919-30
Liege Maria Salazar 035.512.339-85
Lucimara Honorio Carvalho 020.439.949-13
Luiz Fernando Guarana Menezes 347.883.808-89
Luiz Santamaria neto 359.092.189-72
Mara Rubia Mayorka 922.839.189-87
Marcia Cristina Nonnemacher Santos 017.668.419-02
Marcelo Zanon Simão 849.135.689-49
Marco Aurélio Rodrigues Binotti 024.721.429-94
Marcos Cesar Artacho 521.468.049-04
Nazareth Aguiar Magalhães 715.275.836-00
Natalia Bertipaglia de Santana 058.852.029-23
Nelson Guerra da Silva 895.394.439-20
Nelson Lemes de Moura 172.660.092-00
Orestes Alvares Soldorio 349.949.049-87
Péricles Pessoa Salazar 018.752.119-00
Perito Garcia 532.755.009-53
Roberto Borba Coelho 358.803.849-34
Roberto Borba Coelho Junior 043.103.809-05
Roberto Mülbert 661.720.559-68
Roberto Pelle 219.775.349-53
Ronaldo Sousa Troncha 339.648.311-15
Sergio Ricardo Zanon 880.047.089-00
Sidnei Donizete Bottazzari 364.665.499-68
Silvia Maria Muffo 012.275.688-60
Sonia Mara Nascimento 450.327.009-59
Sylvio Ricardo d’Almas 654.569.559-20
Solange Linares Macari Nojiri 628.848.089-49
Sueli Terezinha Faria Pianaro 955.953.509-97
Valdecio Antonio Bombonato 335.683.759-15
Valdecir Belancon 023.219.689-31
Vicente Claudio Damião Lara 365.895.199-0
Vinicius Eduardo Costa de Souza 005.268.799-63
Welman Paixão Silva Oliveira 794.666.485-00
Zelia Maria Busato Pavin 859.573.569-72


com informações
G1
Polícia Federal