Anúncio oficial com a bênção do governador Ratinho Junior e de Eduardo Pimentel expõe racha estratégico nos bastidores, ausências de peso e corrida contra o relógio no TRE-PR.
O cenário político do Paraná atingiu seu ponto de maior ebulição nas últimas horas com a formalização da aliança entre o MDB — ligado ao grupo político liderado por Rafael Greca — e a pré-candidatura de Sandro Alex, tendo a confirmação de sua indicação para a vice-chapa. O anúncio, efetuado por meio dos canais oficiais do MDB do Paraná no Instagram, contou com a chancela das principais lideranças do estado, reunindo no mesmo ato o governador Ratinho Junior e o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel.
Apesar do tom de celebração na publicação, analistas e bastidores da política paranaense voltaram os olhos para o que não apareceu na foto oficial. A ausência de três lideranças de peso no estado — o ex-governador e ex-senador Álvaro Dias, o deputado estadual e primeiro-secretário da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Alexandre Curi, e a jornalista Cristina Graeml — expôs a complexidade da montagem das chapas majoritárias no estado.
O Nó Cego das Vagas ao Senado: Quem Será “Rifado”?
A razão do impasse é predominantemente matemática e regimental. No ciclo eleitoral em questão, as composições partidárias e coligações dispõem de limites estritos para lançar nomes às vagas ao Senado Federal. Com três pré-candidatos de forte densidade eleitoral no mesmo arco de alianças (Álvaro Dias, Alexandre Curi e Cristina Graeml) disputando o mesmo espaço, a conta da coligação torna-se inviável sem que ao menos um dos nomes seja preterido ou redirecionado.
A insatisfação com os rumos das conversas já se tornou ostensiva. Nos bastidores, Alexandre Curi não escondeu o descontentamento com a condução do arranjo liderado pelo Palácio Iguaçu e pelo MDB.
Diante do afunilamento, interlocutores apontam que Curi avalia duas saídas estratégicas:
Recuo para o Legislativo Estadual: Disputar a reeleição como deputado estadual na ALEP, onde mantém base consolidada;
Guinada à Direita com Sérgio Moro: Migrar de bloco político e compor uma chapa de oposição ou composição independente com o senador Sérgio Moro na disputa pelo governo do Paraná, assumindo a condição de vice na chapa.
Entenda as Regras Eleitorais: A Contagem Regressiva até 5 de Agosto
Para além das vaidades e articulações de grupo, as negociações enfrentam a pressão implacável do calendário da Justiça Eleitoral brasileira (normatizado pela Resolução TSE nº 23.609/2019 e pelo Código Eleitoral):
Prazo Final de Convenções (05 de Agosto): É a data-limite oficial para que todas as agremiações partidárias realizem suas convenções internas, deliberem sobre coligações formais e homologuem os nomes que disputarão os cargos de governador, vice, senador e deputados.
Envio das Atas ao TRE-PR: Concluídas as convenções, os partidos têm prazos regimentais exíguos para transmitir as atas oficializadas via sistema do Tribunal Superior Eleitoral para validação no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). Qualquer aliança não assinada até a meia-noite do dia 5 de agosto torna-se juridicamente nula para o pleito.
Até lá, a política paranaense viverá dias intensos de contatos reservados, alinhamentos pragmáticos e pesquisas qualitativas para definir quem continuará na disputa e quem terá de readequar suas pretensões eleitorais.
