Em um movimento que redefine expressivamente os rumos da disputa eleitoral de 2026 no Paraná, o ex-senador e ex-governador Álvaro Dias comunicou oficialmente nesta segunda-feira (3) a desistência de sua pré-candidatura ao Senado Federal. O anúncio foi veiculado por meio de nota pública divulgada em suas redes sociais.
A decisão ocorre em um cenário de intensa movimentação de bastidores do grupo político ligado à base governista estadual. O estopim para a decisão foi a reaproximação articulada pelo deputado estadual Alexandre Curi com Osmar Dias — irmão mais novo de Álvaro —, acenando com a possibilidade de uma composição partidária alternativa para o pleito senatorial.
Os motivos do recuo
Apesar de figurar na liderança das recentes pesquisas de intenção de voto no estado, Álvaro Dias justificou a retirada com base na ausência de consenso e unidade dentro do arco de alianças encabeçado pelo Palácio Iguaçu.
No pronunciamento, o experiente político ressaltou o contraste entre a preferência popular captada nos levantamentos e a dinâmica das negociações interpartidárias:
“Meus amigos e minhas amigas,
Ao longo da minha travessia na vida pública,
aprendi que as maiores vitórias não são os cargos que ocupamos, mas a confiança
que conquistamos das pessoas.
Nos últimos meses, acompanhei com humildade as
manifestações de apoio reveladas por pesquisas de opinião mostrando meu nome em
primeiro lugar, com significativa vantagem sob os demais candidatos, e isso
muito me honra.
Não interpreto esses números como um prêmio
pessoal, mas sim como o reconhecimento de uma história construída com trabalho,
dedicação e compromisso com a nossa gente. Confesso que esse apoio despertou em
mim uma profunda reflexão. Afinal, quem dedicou uma vida toda ao serviço
público nunca deixa de sentir o chamado para continuar contribuindo.
Por isso respondi ao chamado. Mas também
aprendi que nenhuma candidatura se sustenta apenas na vontade de um homem ou da
opinião pública. Na política atual, prevalecem os arranjos, as composições e a
vontade dos políticos.
Infelizmente, compreendi que hoje não existem,
dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias
para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome.
E eu jamais aceitarei ser motivo de divisão,
ainda mais nessa altura da minha história. Nunca coloquei um projeto pessoal
acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e por isso também não o
farei agora.
Portanto, essa é uma decisão que talvez
decepcione alguns amigos, mas que considero a mais correta diante das
circunstâncias: não serei candidato.
Faço essa escolha com serenidade, sem qualquer
sentimento de mágoa, ressentimento ou revolta. A política é feita de ciclos, e
a grandeza de quem a exerce está justamente em saber reconhecer o momento de
avançar e o momento de recuar. Saio desta decisão com a consciência tranquila.
Minha história foi escrita ao lado da população, nas urnas, nas ruas e nas
realizações que tivemos a oportunidade de construir juntos.
Continuarei acompanhando os destinos da nossa
gente, do nosso Estado e do nosso país. Continuarei oferecendo minha
experiência sempre que ela puder ser útil, sempre que requisitada, opinando
quando for chamado, apoiando boas ideias e defendendo aquilo em que sempre
acreditei.
Quero agradecer, de coração, a cada cidadão
que manifestou confiança no meu nome. Esse gesto ficará para sempre guardado na
minha memória e na minha história. Na política somos passageiros. Os mandatos
passam. Mas os valores permanecem e eu não estou disposto a negociar os meus.
Por isso escolho ficar mais próximo das
pessoas que me querem perto, da minha família, amigos e apoiadores de sempre.
Muito
obrigado a todos. Que Deus abençoe cada família e continue iluminando os
caminhos da nossa gente.
Curitiba,
03 de agosto de 2026.
ALVARO DIAS”
Álvaro enfatizou que a escolha foi tomada sem mágoas e pautada pelo compromisso de não fraturar o grupo: “Jamais aceitarei ser motivo de divisão, ainda mais nesta altura da minha história.”
O novo cenário do tabuleiro eleitoral paranaense
A saída de Álvaro Dias provoca um efeito dominó na corrida pelas duas vagas ao Senado que estarão em disputa em outubro:
Ajuste na chapa governista: Com a saída do ex-governador, ganha força o desenho de uma composição liderada por Alexandre Curi em articulação com nomes como Cristina Graeml (para a chapa encabeçada por Sandro Greca).
Disputa afunilada na direita: A reconfiguração coloca nomes expressivos do campo conservador e de centro-direita — como Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Alexandre Curi e Cristina Graeml — na disputa direta por espaço junto ao eleitorado de mesma base ideológica.
Impacto na oposição: Analistas e observadores políticos locais avaliam que a divisão de votos e as disputas internas no bloco conservador podem favorecer candidaturas do campo da esquerda. Dentre elas, destaca-se a da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que passa a figurar em posição estrategicamente confortável no quadro eleitoral.
Com a decisão, Álvaro Dias encerra mais um capítulo de sua trajetória institucional na linha de frente eleitoral, sinalizando que continuará atuando nos bastidores como conselheiro político e liderança de referência no Estado.
Veja a carta aberta: