O "Pacto Macabro" de Lula com Alcolumbre e Ciro Nogueira para Dominar o Congresso em 2027 - Jornalismo de Opinião

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08/08/26

O "Pacto Macabro" de Lula com Alcolumbre e Ciro Nogueira para Dominar o Congresso em 2027

 

Nas engrenagens subterrâneas do poder em Brasília, os cálculos para a sucessão das mesas diretoras do Congresso Nacional em 2027 já ditam os rumos das alianças eleitorais. Em um movimento pragmático para blindar a governabilidade e assegurar um ambiente institucional favorável caso vença a disputa de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva costura um acordo estratégico com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A engenharia política inclui a chancela para a recondução de Alcolumbre ao comando do Senado e a renovação do aval a Hugo Motta (Republicanos-PB) na Presidência da Câmara dos Deputados, desenhando um novo mapa de forças no Legislativo.

Essa reconfiguração ocorre em meio a uma temporada de elevadas tensões interpoderes, em que o ambiente político é adensado pelas investigações da Polícia Federal sobre desvios em emendas parlamentares, desdobramentos envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva (o "Lulinha") e o escândalo financeiro do Banco Master — caso de grande capilaridade que alcança agentes de variados matizes ideológicos. Antecipando a perspectiva de vitória governista aliada a um Congresso de viés marcadamente conservador, a cúpula do Centrão preferiu priorizar salvaguardas futuras a embarcar em candidaturas de oposição.

A Neutralidade Estratégica do Centrão e o Acordo com o PP

Um dos movimentos decisivos dessa arquitetura foi protagonizado pelo senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e padrinho político de Hugo Motta. Alvo das apurações do Banco Master, Ciro assegurou do Palácio do Planalto o compromisso explícito de apoio à manutenção de Motta na chefia da Câmara dos Deputados em 2027. Em troca, o PP uniu-se ao União Brasil — sigla confederada ao PP numa federação partidária — na decisão de decretar neutralidade na eleição presidencial.

O gesto isolou na prática a postulação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto, desarticulando arranjos da extrema-direita. Nos bastidores piauenses, o Partido dos Trabalhadores firmou um "acordo de cavalheiros" com Ciro Nogueira: o PT garantirá trégua e não criará entraves à sua campanha de reeleição ao Senado pelo Piauí, estado governado pelos petistas. Como contrapartida institucional, o ex-ministro da Casa Civil da gestão Bolsonaro comprometeu-se a abandonar a postura de oposição bélica ao governo federal.

Eixos do Acordo de Governabilidade:

  • Senado Federal (2027): Apoio do Planalto à recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

  • Câmara dos Deputados (2027): Manutenção do respaldo governista a Hugo Motta (Republicanos-PB).

  • Pacto de Neutralidade: PP e União Brasil descolam-se da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

  • Armistício no Piauí: PT não obstaculiza reeleição de Ciro Nogueira ao Senado em troca de neutralidade oposicionista.

Diplomacia com Toga: O Jantar na Casa de Alexandre de Moraes

O epicentro desse rearranjo foi selado durante um jantar reservado no dia 4 de agosto, na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em Brasília. A reunião reuniu Lula e Alcolumbre sob a mediação de Moraes — interlocutor próximo do senador amapaense — e do ministro Cristiano Zanin. O encontro funcionou como um necessário "acerto de contas" para estancar feridas recentes.

Lula manifestou aberta contrariedade com a contundente derrota imposta pelo Senado ao governo no final de abril, quando a Casa rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga na Suprema Corte — fiasco que o Planalto atribui diretamente à articulação contrária comandada por Alcolumbre. O senador, por sua vez, desabafou sobre a sobrecarga de atuar como líder informal do governo para construir maiorias, criticando abertamente a conduta militante do PT. Segundo Alcolumbre, enquanto ele trabalha pela governabilidade, alas governistas pressionam pela aprovação de reajustes salariais corporativos e, simultaneamente, o acusam em redes sociais de chancelar "pautas-bomba" contra o ajuste fiscal.

"Eu ainda não chamei Alcolumbre de 'inimigo do povo', mas vou chamar, se ele não colocar a proposta do fim da escala 6x1 em votação."

Pedro Uczai, Líder do PT na Câmara dos Deputados

Pauta Econômica Travada e o Embate sobre o Orçamento

Apesar do clima de trégua, Alcolumbre impôs limites claríssimos à pauta legislativa de curto prazo. O presidente do Senado travou a deliberação de matérias sociais sensíveis, avisando que Propostas de Emenda à Constituição (PECs) de forte apelo — como a extinção da jornada de trabalho na escala 6x1 e a destinação de verbas das apostas eletrônicas ("bets") e do Fundo Social do Pré-Sal para a segurança pública — só serão apreciadas após o pleito eleitoral.

A manobra defensiva gerou forte reação governista. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou o adiamento afirmando que o represamento busca apostar no esquecimento do eleitor para empurrar flexibilizações salariais ou compensações patrimoniais às empresas. Paralelamente, Alcolumbre enfrenta resistências internas no Senado: o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) acusou o amapaense de barrar uma CPI sobre o Banco Master devido a supostos repasses do banqueiro Daniel Vorcaro — alegações repelidas veementemente por Alcolumbre na tribuna. Na corrida pela Presidência do Senado, despontam nomes da oposição como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), cuja composição como vice de Flávio Bolsonaro foi vetada por Ciro Nogueira.

O nó central da governabilidade futura reside na disputa pelo controle orçamentário. O presidente Lula declarou guerra aberta às emendas parlamentares impositivas e ao modelo do orçamento secreto, sinalizando que não aceitará "viver de esmolas" diante dos R$ 50 bilhões reservados para emendas no Orçamento de 2026. Embora o programa de governo petista pregue o enfrentamento dessa distorção, o Planalto sabe que mexer no vespeiro orçamentário exigirá a aquiescência direta de Motta e Alcolumbre — uma negociação complexa que definirá os contornos reais do poder no Brasil nos próximos anos.