Requião vai lutar pela passagem de ônibus baixa e justa - Jornalismo e Cultura

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18/09/14

Requião vai lutar pela passagem de ônibus baixa e justa

Em entrevista ao portal G1, senador Roberto Requião defendeu a revisão das planilhas do transporte coletivo de Curitiba como forma de diminuir o lucro dos empresários e baixar a tarifa.

O senador Roberto Requião, candidato ao governo do Paraná pela coligação Paraná Com Governo (PMDB/PV/PPL), garantiu que vai lutar por uma passagem de ônibus baixa e justa para a população. Questionado sobre a manutenção do subsídio do transporte coletivo, Requião foi taxativo. “Nós temos de garantir a tarifa baixa e justa para a população e não o lucro fantástico de concessionárias (…) Ninguém verificou a planilha de custos das concessionárias. Então, o subsídio não é para a tarifa que o povo paga. O subsídio é para o lucro das concessionárias, e, certamente, poderá estar sendo utilizado como subsídio para a campanha de quem deu”, disse.


A entrevista foi realizada no início da tarde desta quarta-feira(17). Ele falou também sobre o atual sistema carcerário, o combate ao tráfico de drogas na fronteira e os investimentos na área de Saúde, entre outras questões. Leia abaixo a entrevista na íntegra:

G1  Candidato, durou mais de 30 horas a mais recente rebelião no sistema penitenciário do Paraná. Já são cinco rebeliões em 20 dias – colocando em risco a vida de agentes penitenciários. Qual a sua avaliação do atual sistema penitenciário do estado? O candidato à reeleição afirma desconfiar das rebeliões em período eleitoral e diz que o sistema penitenciário do Paraná é uma referência.
Requião  O governo do estado não fez nenhuma penitenciária. No governo anterior, eu construí 12, e tirei as vagas no número de cinco mil e pouco e levantei para 17 mil. O atual governo não fez nenhuma ampliação, não fez nenhuma obra. Recebeu R$ 130 e poucos milhões do Ministério da Justiça para construir seis penitenciárias novas e realizar 14 ampliações. Não apresentou projeto compatível, está perdendo este dinheiro. No último dia 31, na Penitenciária Estadual de Piraquara I (PEP I), se realizou uma festa de aniversário com bolo e salgadinhos do PCC, autorizada pela direção da penitenciária.  O estado do Paraná perdeu completamente o controle. E ele, sem ter ampliado uma penitenciária, empurrou dentro do sistema mais 4.500 presos, com superlotação de celas. Falta papel higiênico, falta sabonete, comida de péssima qualidade e falta de manutenção – de tal modo que não funcionam mais os controles automáticos de portões e de galerias. Está faltando governo no Paraná. Contrataram 390 agentes novos. Novos, entre aspas. Saíram mais do que 390 agentes. Então, temos aí 4.500 presos a mais e o mesmo número de agentes. O resultado é esta bomba-relógio que estoura todo dia. Foram 22 revoltas em um ano, o que dá uma média igual a duas revoltas por mês.

G1 – O governo estadual publicou um decreto na terça-feira (16) autorizando agentes penitenciários a portar arma fora do horário de serviço. Há ainda um projeto encaminhado pelo governo para a Assembleia Legislativa autorizando o uso dentro das unidades, porém, em ambientes externos, sem a movimentação de presos. O senhor avalia de forma positiva ou negativa esta medida?
Requião – É uma estupidez ‘botar’ armas dentro das penitenciárias. Você veja a facilidade com que os presos capturam agentes penitenciários. Estariam capturam os agentes e as suas armas. É uma estupidez absoluta de um governo irresponsável.

G1 – O mesmo para depois do horário de serviço?
Requião – Para fora não tem necessidade. Quem cuida da segurança fora da penitenciária é a polícia. Eu já demonstrei a minha insatisfação com esta medida, que não resolve rigorosamente nada.

G1– O senhor já criticou várias vezes a criação do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) e alega falta de estrutura para a manutenção deste policiamento voltado ao combate ao contrabando e ao tráfico de drogas nos municípios do oeste e sudoeste que fazem fronteira com o Paraguai e a Argentina. Em seu governo, de que maneira a segurança nesta região do estado será feita?
Requião – O que eu fiz foi destruído. Eu tinha a Força Alfa e a Força Samurai de apoio aos trabalhos do Exército, da União, um policiamento de fronteira, que é uma obrigação constitucional da União, e de combate ao narcotráfico. E eu criei uma companhia em Marechal Cândido Rondon. Eles extinguiram tudo isso quando eu saí do governo e criaram um batalhão que tem o nome pomposo. Só que um batalhão deveria ter entre 500 e 800 homens. O batalhão deles tem 80, então, é uma simulação, não é um batalhão. E a estrutura de um batalhão também é uma estrutura superada no Brasil. Ela foi criada pelos militares para ter um arregimentamento de soldados para combater rebeliões populares. Polícia precisa estar na rua. Companhia é uma estrutura muito mais leve do ponto de vista burocrático. No batalhão, a gente diz, com alguma ironia, que os policiais ficam engraxando bota e cuidando de burocracia dos coronéis. Então, nós precisamos acabar com a simulação. O que eu tinha feito era um bom caminho. E, se eles resolverem por um batalhão com 800 mil homens, eu não vou dizer nada. Embora, eu acho que a estrutura podia ser mais leve. Mas simulação, não.

G1 – Vamos falar um pouco de saúde. Nós entrevistamos o candidato à reeleição, Beto Richa (PSDB), e ele criticou o governo do senhor em relação à saúde, dizendo que não é verdade que foram inaugurados 44 hospitais. Segundo ele, foram seis. O candidato ainda afirmou que precisou reformar os hospitais. “E todos com problemas, problemas estruturais. O que o senhor tem a dizer? Seis, 44? Qual era o cenário da saúde pública quando o senhor deixou o governo?
Requião – O cenário de saúde pública era de inexistência de atendimento quando assumi. E os 44 hospitais estão na minha página requiaopmdb.com.br, com fotografia e endereço. Foram 13 hospitais inteiramente novos. Um, por exemplo, foi em Telêmaco Borba. Esse eu não completei. Eu deixei 95% pronto. O Beto está há quatro anos no governo porque ele governou junto com o Pessuti, fizeram uma espécie de aliança branca, e esse hospital está parado, está sendo depredado. O Beto fechou as Clínicas da Mulher e da Criança, que nós construímos, transformando em postos de saúde. Misturou mulheres grávidas e crianças com todas as doenças que existem em um posto de saúde. E simula uma solução pintando com uma cruz três helicópteros que o meu governo comprou mais um que ele ganhou do governo federal e um que alugou. São cinco helicópteros simulando a existência as saúde para 11 milhões de pessoas. O Beto é um pândego, não é um sujeito sério.

G1 – E quanto à qualidade destes hospitais?
Requião – Os hospitais que eu construí são os melhores do mundo. O Hospital de Reabilitação de Curitiba foi feito em parceria com o Hospital de Reabilitação de Montreal, no Canadá, que é o melhor hospital do planeta. Mas eu instalei o hospital com o protocolo inicial, o hospital tinha que avançar na contratação de médicos, nos protocolos médios e de alta complexidade. Ele simplesmente, como todos os outros, não está funcionando. O Beto paralisou o sistema e está simulando operações. O Beto criou um sistema de atendimento à mãe paranaense que ignora os hospitais públicos. Ele tira uma mulher grávida, com diabetes, de Telêmaco Borba, portando, gravidez de alto risco, passa na frente do hospital privado de Telêmaco Borba, que poderia atendê-la. Passa na frente do hospital que eu deixei, e ele não terminou. Passa por Ponta Grossa, pelo hospital regional que é fantástico, pega estrada e vem para Campo Largo, onde temos o maravilho hospital da criança, e está funcionando bem até hoje, mas ele não leva lá. Ele leva a um hospital privado, recém-inaugurado, faz o parto. Tudo isso dentro de uma ambulância de um lugar só e leva de volta, percorrendo 440 quilômetros. Então, o que você está vendo aí, é um negócio da compra de serviço no hospital privado associado ao grupo do governo. É uma simulação, acabou o sistema de saúde do Paraná.

G1 – No seu plano de governo há o ponto “Política fiscal. Menos impostos, mais produção, mais empregos, mais consumo, mais salários”. Aqui há uma especial atenção para as pequenas empresas. De que maneira o senhor pretende incentivar este campo da economia? Qual atenção o senhor pretende dar para este setor?
Requião – A mesma que eu já dei. Eu isentei microempresa de imposto e baixei o das pequenas para mais ou menos 2%. O governo federal copiou o meu sistema e criou o Simples, que não é tão generoso quanto o nosso aqui no Paraná, mas foi bom também. O Beto Richa estabeleceu uma antecipação de receita, que ele chama de substituição tributária. O sujeito paga a receita quando compra a mercadoria do fabricante ou do importador. E, como ele está isento na saída, ele não tem compensação. Ele está quebrando milhares de empresas no Paraná. Eu assumo o governo e, no segundo dia, porque no primeiro eu tomo posse, por decreto, eu extingo a antecipação tributária, a substituição tributária, e dou condição de sobrevivência para milhares de empresa do estado.

G1 – Caso o senhor seja eleito, o subsídio à Rede Integrada de Transporte de Curitiba, nos moldes que existe hoje, continua?
Requião – Isso é trambique, não é subsídio. Ninguém verificou a planilha de custos das concessionárias. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) já disse que é um absurdo. A CPI da Câmara Municipal já disse que é um absurdo. Então, o subsídio não é para a tarifa que o povo paga. O subsídio é para o lucro das concessionárias, e, certamente, poderá estar sendo utilizado como subsídio para a campanha de quem deu.

G1 – O senhor pretende fazer um estudo para que ele continue ou vai eliminar?
Requião – Nós temos que garantir a tarifa baixa e justa para a população e não o lucro fantástico de concessionárias.

G1 – E no caso de Londrina, Maringá e Umuarama que têm regiões metropolitanas, mas não têm a rede de transporte integrada? O estado poderia auxiliar em uma futura implantação? O senhor acha necessário o estado contribuir?
Requião – Eu acho necessário moralizar o sistema de transporte. Eu sou autor de uma CPI no Senado Federal para isso. Isso tudo é um vazamento, é uma origem de caixa dois de campanha eleitoral que tem que ser encerrado na República. Agora, como é que dão para Curitiba e não dão para Maringá, não dão Para Ponta Grossa, não dão para Cascavel? Que espécie de subsídio é esse? É só para o grupo Gulin que opera Curitiba?

G1 – Como garantir o desenvolvimento econômico dos pequenos municípios? A maior reclamação dos prefeitos é que parte significativa do orçamento vem do Fundo de Participação dos Municípios e eles não têm margem de recursos para investimento. Qual é o seu plano para levar o desenvolvimento para outras regiões do estado?
Requião – A ajuda principal é um favorecimento tributário para as empresas que se instalarem fora dos grandes centros. Eu já tinha estabelecido isso. O atual governo acabou. Você entrava na internet e você conseguia saber o que poderia conseguir para se instalar em uma cidade pobre e com uma carência enorme de emprego. Hoje, não. Você tem que passar em três comissões. Uma é de alto nível, não sei de que nível são as outras duas. Comissão, em português, pode significar um grupo de pessoas ou uma propina para quem faz um favor. Eu acho isso uma horrorosidade. Temos que reestabelecer as vantagens para quem se instalar no interior, porque o Paraná não pode concentrar toda a sua capacidade industrial em grandes centros e abandonar o resto do estado.

G1 – O senhor pretende resgatar o programa de estradas da liberdade. Pensando em economia, existem trechos no Paraná que o senhor avalia como mais carentes e, então, o estado entraria com as alternativas ao pedágio?
Requião – Você sabe que o contrato que eles fizeram proíbe você criar estrada alternativa. Nós criamos na mão grande. Proíbe. Você tem que compensar quando você faz um desvio. Nós temos que rever isso de uma forma absoluta. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Beto baixasse os pedágios no Paraná, fazendo um recálculo do equilíbrio econômico-financeiro porque, segundo o TCU, as concessionárias estavam cobrando caro demais. Ele desobedeceu a orientação. O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE) verificou um lucro excessivo das concessionárias. O estado desconheceu esta orientação. Nós temos que colocar isso em ordem, e o governo tem que defender o interesse público acima de tudo.

G1 – O senhor enfrentou objeções dentro do partido para a sua candidatura. Muitos não o apoiaram e, inclusive, a antiga diretoria eleita acabou sendo dissolvida. Essas desavenças internas atingiram a campanha? Para o eleitor não pode ser um ponto negativo a falta de apoio?
Requião – Ponto extraordinariamente positivo. As traíras do partido foram defenestradas com um peteleco no bumbum. O povo admirou esta posição da militância e da base partidária, que fez valer o verdadeiro MDB contra os vendilhões da legenda.

Assessoria Requião