A Polícia Militar do Paraná afirma que não houve uso desproporcional de força no protesto de professores que deixou 170 feridos em Curitiba na quarta-feira, 29 de abril. "Desproporcional seria usar armas letais", argumentou Márcia Santos, coordenadora de imprensa da PM paranaense.
Segundo a prefeitura de Curitiba e a Secretaria de Segurança Pública do Estado, Mais de 200 manifestantes ficaram feridos em frente à Assembleia Legislativa. No confronto, policiais usaram, segundo Santos, "gás lacrimogêneo, bomba identificadora e tiros de bala de borracha".
Do outro lado, manifestantes atiraram paus e pedras. "Eles vieram preparados com máscaras contra gás e vinagre em lenços. Isso mostra a predisposição que eles tinham para o confronto", argumenta a PM.
Pelas redes sociais, o professor Richard Orciuch afirmou que "este foi o dia mais vergonhoso da história do Paraná".
"Sou professor em Curitiba, onde tudo isso está acontecendo. Conheço gente que foi atingida por balas de borracha e respiraram gás lacrimogêneo."
Em um post que viralizou nas redes sociais, uma professora aparece ensanguentada em uma foto. "Olhem o professor paranaense. Olhem, Beto Richa. Eu sou professora há 23 anos. Depois de 23 anos como professora é isso que eu mereço? Eu mereço uma bomba no rosto?”.
Na noite de quarta-feira, a PM informou que vai abrir inquérito policial militar 'para apurar a conduta dos profissionais envolvidos no confronto' com acompanhamento do Ministério Público do Paraná.
Em nota enviada à imprensa, a seção paranaense da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) disse que a "democracia está de luto" e classificou a ação da PM como um "massacre".
“A Polícia Militar deve agir para garantir a integridade da população, não para executar o massacre que se presencia no momento”, diz o texto.
Votação
Os manifestantes alegam perda de benefícios trabalhistas após a votação, a portas fechadas, de um projeto que muda as regras da previdência dos funcionários públicos estaduais.De autoria do governador do Estado Beto Richa (PSDB) e aprovado pela Assembleia Legislativa, a medida diminui as contribuições do Estado sobre pensões pagas a servidores e pretende poupar ao governo R$ 1,7 bilhão por ano.
Pelo Twitter, o governador disse que "os direitos dos aposentados e pensionistas estão garantidos".
Por ordem judicial, a votação ocorreu sem a presença dos servidores afetados pela medida.
Desde o início da semana, a Assembleia Legislativa estava cercada pela Polícia Militar, em uma operação que só terminou nesta quinta-feira. O conflito começou quando a manifestação avançou em direção ao prédio.
Black blocs
"Não estamos dizendo que foram os professores", disse a porta-voz da PM do Paraná. "A PM identificou black blocs infiltrados no grupo, agentes penitenciários e outras pessoas que tomaram o movimento dos professores para agitação."Questionamos: "Mas dezenas de professores estão publicando fotos com ferimentos de balas de borracha nas redes sociais".
Márcia Santos responde: "É porque insistiram em ficar próximos à zona de conflito".
Ainda segundo a assessoria da PM paranaense, a polícia utilizou apenas "armas não-letais, que não acarretam morte a ninguém".
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