MASSACRE DO RICHA - Professores, blogueiros e jornalistas correm perigo no Paraná - Jornalismo e Cultura

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04/05/15

MASSACRE DO RICHA - Professores, blogueiros e jornalistas correm perigo no Paraná

"desastre operacional, humanitário e – como reconhecem os tucanos – também político" do governador Beto Richa e lembra que "não é a primeira vez que policiais do Paraná agem sem medo das consequências"; ao menos dois repórteres "que tiveram a coragem de denunciar policiais corruptos ao longo dos últimos anos tiveram que sair do Estado porque receberam ameaças"

Na opinião de seus colegas de PSDB, faltou habilidade política ao governador do Paraná, Beto MASSACRADOR Richa, durante a repressão aos professores. Em tucanês, isso é quase uma ofensa. Mas, se a inabilidade do governador fosse só política, os hospitais de Curitiba não teriam ficado lotados de feridos por balas de borracha, estilhaços de bombas e mordidas de cachorro.
Richa e seus - em tese - subordinados deram à tropa da PM a liberdade de um drone norte-americano no Afeganistão. Foi um desastre operacional, humanitário e - como reconhecem os tucanos - também político. Não ajudou em nada a popularizar a imagem do PSDB. Deu munição para petistas e outros rivais.
A chuva de bombas de gás e balas de borracha - disparadas contra os rostos dos alvos - foi muito desproporcional a qualquer ameaça que os professores desarmados pudessem representar.
No confronto da pele de um cinegrafista contra os caninos de um pitbull é fácil imaginar qual lado acabou na mesa de cirurgia.
Seguiram-se duas negativas emblemáticas. A polícia foi instada a desmentir que a foto publicada no Facebook por um PM tingido de vermelho fosse de alguém ensanguentado. Era só tinta, disparada pela própria polícia, para marcar os manifestantes. A confusão e a profusão de disparos foi tamanha que pintaram o colega. A PM negou também que tivesse punido policiais por se negarem a participar da repressão. Ou seja, ninguém foi punido por nada.
Ao contrário. A PM avaliou que seus homens usaram a força certa. E o governador mostrou-se menos preocupado com o modo de agir dos policiais do que com um imaginário grupo de "black blocs" que, segundo ele, teria se infiltrado entre os professores. Nas imagens, porém, há pouco preto e muito vermelho - de bandeiras e camisetas da oposição, da tinta disparada pela PM e de sangue.
Não é a primeira vez que policiais do Paraná agem sem medo das consequências. Pelo menos dois jornalistas paranaenses que tiveram a coragem de denunciar policiais corruptos ao longo dos últimos anos tiveram que sair do Estado porque receberam ameaças de morte. Repórteres que participaram da cobertura foram intimados e acareados com agentes que não eram suspeitos de nada a não ser de terem sido as fontes das denúncias de corrupção.
Pela atitude até agora dos governantes paranaenses, nada deve mudar. O poder e influência dos policiais não correm risco. O mesmo não pode ser dito de professores, blogueiros e jornalistas.

com conteúdo de J.R. Toledo do estadão