Na opinião de seus colegas de PSDB, faltou habilidade política ao governador do Paraná, Beto MASSACRADOR Richa, durante a repressão aos professores. Em tucanês, isso é quase uma ofensa. Mas, se a inabilidade do governador fosse só política, os hospitais de Curitiba não teriam ficado lotados de feridos por balas de borracha, estilhaços de bombas e mordidas de cachorro.
Richa e seus - em tese - subordinados deram à tropa da PM a liberdade de um drone norte-americano no Afeganistão. Foi um desastre operacional, humanitário e - como reconhecem os tucanos - também político. Não ajudou em nada a popularizar a imagem do PSDB. Deu munição para petistas e outros rivais.
A chuva de bombas de gás e balas de borracha - disparadas contra os rostos dos alvos - foi muito desproporcional a qualquer ameaça que os professores desarmados pudessem representar.
No confronto da pele de um cinegrafista contra os caninos de um pitbull é fácil imaginar qual lado acabou na mesa de cirurgia.
Seguiram-se duas negativas emblemáticas. A polícia foi instada a desmentir que a foto publicada no Facebook por um PM tingido de vermelho fosse de alguém ensanguentado. Era só tinta, disparada pela própria polícia, para marcar os manifestantes. A confusão e a profusão de disparos foi tamanha que pintaram o colega. A PM negou também que tivesse punido policiais por se negarem a participar da repressão. Ou seja, ninguém foi punido por nada.
Ao contrário. A PM avaliou que seus homens usaram a força certa. E o governador mostrou-se menos preocupado com o modo de agir dos policiais do que com um imaginário grupo de "black blocs" que, segundo ele, teria se infiltrado entre os professores. Nas imagens, porém, há pouco preto e muito vermelho - de bandeiras e camisetas da oposição, da tinta disparada pela PM e de sangue.
Não é a primeira vez que policiais do Paraná agem sem medo das consequências. Pelo menos dois jornalistas paranaenses que tiveram a coragem de denunciar policiais corruptos ao longo dos últimos anos tiveram que sair do Estado porque receberam ameaças de morte. Repórteres que participaram da cobertura foram intimados e acareados com agentes que não eram suspeitos de nada a não ser de terem sido as fontes das denúncias de corrupção.
Pela atitude até agora dos governantes paranaenses, nada deve mudar. O poder e influência dos policiais não correm risco. O mesmo não pode ser dito de professores, blogueiros e jornalistas.
com conteúdo de J.R. Toledo do estadão
