Descolamento e a Soberba do PT Pavimentaram a Vitória da Direita - Jornalismo de Opinião

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07/10/26

Descolamento e a Soberba do PT Pavimentaram a Vitória da Direita

 

 

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 está desmascarando a maior farsa política recente: a ilusão de que o Partido dos Trabalhadores ainda entende os anseios do cidadão comum. Ultrapassado nas pesquisas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) e vendo seu capital político escorrer pelas mãos no interior de São Paulo e nas abstenções recordes de mais de 33,4 milhões de eleitores, Luiz Inácio Lula da Silva assiste, atônito, à colheita amarga da própria soberba e arrogância. O PT cavou sua sepultura eleitoral ao trocar o diálogo transparente com as ruas pelo conforto dos gabinetes e pela traição à própria frente ampla que o elegeu em 2022.

Enquanto o governo entra em desespero e tenta usar o Congresso como balcão de negócios eleitorais de última hora, o abismo entre o discurso petista e a realidade do trabalhador fica evidente na disputa sobre a jornada de trabalho. Em um movimento flagrantemente oportunista, Lula tenta empurrar a toque de caixa o fim da escala 6x1 a poucos dias da votação, cobrando lealdade cega e tentando criar uma armadilha retórica para seus adversários. O erro tático, fruto de um agudo descolamento da realidade, foi magistralmente aproveitado pela direita. Flávio Bolsonaro não apenas neutralizou a manobra, como tomou o controle da narrativa ao apresentar uma solução alinhada ao mundo moderno: a liberdade. A proposta do candidato do PL joga por terra a amarra estatal ao oferecer flexibilidade de carga horária e, de forma inédita e pragmática, um sistema de vouchers para creches privadas destinado às mães que não encontram vagas no sistema público. A direita compreendeu que o cidadão exige autonomia para moldar sua vida, enquanto a esquerda insiste na velha cartilha de decidir tudo por ele.

Mas a miopia governamental vai muito além das pautas trabalhistas; ela ataca diretamente a saúde pública e a qualidade de vida da população. Em pleno 6 de outubro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sob o comando da atual administração, perpetrou o que pode ser classificado como um verdadeiro crime contra os pacientes de tirzepatida e outros tratamentos metabólicos inovadores. Sob a fria justificativa burocrática de combater o mercado irregular, a resolução 3.947/2026 da Anvisa proibiu subitamente a venda, distribuição e o uso de diversas formulações e canetas emagrecedoras contendo tirzepatida e retatrutida que vinham sendo a salvação de muitos brasileiros. Na prática, a tesourada regulatória deixa milhões de pacientes que lutam contra a obesidade e síndromes metabólicas à deriva, barrando o acesso às terapias mais modernas do mundo sem oferecer uma contrapartida viável e imediata pelo SUS. É o retrato de um Estado pesado que prefere proibir, punir e dificultar, em vez de viabilizar a ciência e a saúde para quem sofre.

A portas fechadas, o presidente tenta um tardio "mea culpa". Reconhece que o distanciamento da realidade das ruas e das pessoas se agravou quando ele ignorou figuras centrais da economia e da sociedade civil que o fiaram no passado, como Armínio Fraga e Cláudia Costin. Foram usados e descartados. Agora, o vice-presidente Geraldo Alckmin corre atrás do prejuízo na Faria Lima e no agronegócio, tentando vender credibilidade para um governo que tratou seus fiadores com profundo desprezo. Enquanto isso, o Centrão, farejando a derrota iminente do lulismo e a consolidação de uma maioria parlamentar bolsonarista, já arruma as malas para desembarcar no projeto da oposição.

Sem soluções reais para entregar, restou à campanha petista apelar para o "medo do diabo", ameaçando os eleitores com mentiras sobre o fim do salário mínimo e das aposentadorias. Contudo, a estratégia ruiu. Os erros da esquerda foram muito bem aproveitados pela direita, que substituiu o pânico pela promessa de redução de burocracia, cortes de impostos e respeito à liberdade individual. O eleitorado, exausto de ser tutelado, já percebeu quem realmente virou as costas para o país. Ao punir doentes com canetadas burocráticas e tentar comprar o trabalhador com ilusões de última hora, o PT selou seu destino: o fracasso nas urnas.

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