Você sabia que há um lugar onde o tempo não passa igual para todos? E
nenhum relógio marca a mesma hora? Pois saiba que ele existe. Nesse
lugar tudo está congelado: passado, presente e futuro são a mesma coisa e
tudo aconteceu ao mesmo tempo. Nesse lugar, tudo o que aconteceu desde o
início do universo até seu fim existe ao mesmo tempo.
Isso foi descoberto por um alemão em
1905 e inspirou várias teorias surpreendentes, de por no chinelo
qualquer obra de ficção. O nome do tal descobridor era Albert Einstein e
o lugar a quem nos referimos desde o início é o nosso próprio universo.
- A distinção entre passado, presente e
futuro é só uma ilusão, ainda que persistente… – disse Einstein uma vez
numa carta em 1955.
Mas não existe algo mais concreto que a
passagem do tempo! Nascemos com a consciência de que as horas passam no
mesmo ritmo para todas as pessoas, e que viajamos juntos para o futuro.
Como isso pode ser uma ilusão?
Vamos complicar sua mente um pouquinho…
Segundo Einstein, o tempo é um lugar, uma dimensão onde andamos até
morrer. Enquanto você lê essa matéria, o tempo passa, não? Na verdade,
você está cruzando o tempo num meio de transporte invisível nesse
instante.
Se isso ainda não foi suficiente, saiba que esse meio de transporte é
bem rápido, anda numa velocidade de 1,08 bilhão de km/h, a exata
velocidade da luz. Einstein também afirmou que o tempo e o espaço são a
mesma coisa, que na verdade é chamado de espaço-tempo.
Se você prestou atenção, temos um probleminha. Como você deve saber, nada pode viajar mais rápido que a luz. Mas você já está andando na
velocidade da luz, então e se você se levantar agora e ir até a cozinha
pegar um copo de água e andar a 5 km/h? Você está ultrapassando a
velocidade da luz?
Não, essa velocidade sai de algum lugar, mais precisamente dos motores que empurram o tempo. Imagine que a velocidade do tempo é um banco. Ela empresta um
pouco de sua velocidade para todas as coisas que se movem. Mas claro
que isso tem um preço: faz seu relógio perder velocidade, ou seja, o
tempo anda mais lentamente para você. Aí as coisas ficam mais
interessantes…
Exemplo: imagine que
esteja sentado em frente à seu computador, você está atravessando o
tempo a 1,08 bilhão de km/h. Ou seja, 1 minuto irá passar em 1 minuto
mesmo, nada demais. Mas aí em algum universo paralelo
você ganhou na loteria e comprou um Bugatti Veryon e decidiu dar uma
voltinha com ele à 180 km/h, por exemplo. Aí então você pega emprestado
180 km/h do banco do tempo, e o que acontece? Seu relógio anda mais
devagar, seu tempo passa mais lentamente em relação à todos os que estão
parados no momento. Um momento que durava exatos 60 segundos passa a
durar 59,99999999999952 segundos. O carro está te acelerando, mas está
freando seu relógio, entenda bem, o SEU relógio. Nada muda do lado de
fora do carro. Após uma hora à 180 km/h, você viajou 0,0000000576
milésimo de segundo para o futuro. Insignificante, não?
Tanta complicação para chegar nisso?
Infelizmente (ou não), as velocidades que vivenciamos no nosso cotidiano
são extremamente pequenas, sendo insuficiente para realizar algum
efeito notável sobre a passagem do tempo. Parece que o crédito de 1,08
bilhão é mais que suficiente…
Mas será que o banco do tempo pode entrar em falência?
Sim, quando a velocidade de um corpo é
muito alta. Se uma nave andar a 1 bilhão de km/h, por exemplo, o banco
estará quase falindo…
Exemplo: imagine que
seu Bugatti pudesse viajar na mesma velocidade da nave. Há um bar na
rodovia, e há alguém no bar. De repente, surge um ladrão, que está com
uma arma na cara do sujeito. Aí você passa com seu Bugatti na rodovia à 1
bilhão de km/h. Em seu relógio, são 12h15, e quando você passar em
frente ao bar não verá o sujeito sendo ameaçado pelo ladrão. Lembre-se
que o tempo passou mais devagar para você que estava viajando à 1 bilhão
de km/h. Enquanto seu relógio marca 12h15, o relógio do bar marca
12h30! Somente o seu tempo freou. Você viajou para o futuro.
Mas o que você vê em frente ao bar? Você
verá algo que, para o homem que está com uma arma na fuça, não foi
ainda decidido. O que temos? Um paradoxo. Você e o
sujeito vivem o mesmo instante, um momento em que ambos chamam de agora.
Mas para ele é futuro algo que já está fixado em sua memória, do seu
passado.
A confusão toda ainda não acabou. De acordo com Einstein, enormes distâncias também distorcem a ideia de que haja um agora igual
para todos. Ou seja, para alguém numa outra galáxia, o momento em que
você lê esse artigo pode ser interpretada como um distante passado.
“A concepção dele sobre o que existe
neste momento no Universo pode incluir coisas que parecem completamente
abertas para nós, como o vencedor das eleições presidenciais dos EUA de
2100. Os candidatos ainda nem nasceram, mas na ideia dele sobre o que
acontece exatamente agora já vai estar o primeiro presidente americano
do século 22”, escreveu o físico Brian Greene, da Universidade Columbia,
nos EUA, em seu livro The Fabric of the Cosmos (O Tecido do Cosmos).
Então o futuro já aconteceu…
Se essa afirmação é verdadeira, então
obviamente não podemos escolher como será nosso dia de amanhã. No
universo de Einstein e sua Teoria da Relatividade, não há liberdade de
escolha. Tudo está escrito. Nossas escolhas já estão escritas no tecido
da realidade.
Bom, já que nada podemos fazer para
mudar o futuro, podemos pelo menos prevê-lo? Não. Nada pode computar
mais rápido que o universo.
Sir Roger Penrose, da Universidade de Oxford e considerado o maior especialista em Relatividade do planeta, concorda: “Mesmo que o mundo seja completamente determinado, como diz a teoria, ele certamente não é computável”.E você leitor, o que acha disso tudo? Toda a liberdade de escolha para você comentar abaixo. Ou não…
misteriosdomundo

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