A eleição presidencial de 2026 entra na última semana com um cenário apertado. A pesquisa Datafolha mais recente mostra Lula (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) vem logo na sequência com 36%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Isso significa que eles estão tecnicamente empatados no limite dessa margem.
O segundo turno reforça o acirramento da disputa. O atual presidente marca 47%. O senador fluminense aparece com 45%. Os votos brancos e nulos somam 7% e os indecisos representam apenas 1%.
O instituto ouviu 2.002 eleitores presencialmente entre 22 e 24 de setembro. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo. Os dados estão registrados na Justiça Eleitoral com o código BR-00304/2026.
A estabilidade desses números ligou o alerta nas campanhas. Os dois líderes intensificaram a pressão pelo voto útil logo na primeira etapa da eleição. Essa movimentação agressiva gerou queixas públicas dos outros concorrentes.
O grupo de candidatos com menos de 10% segue sem alterações expressivas:
Augusto Cury (Avante): 5%
Ronaldo Caiado (PSD): 4%
Renan Santos (Missão): 3%
Romeu Zema (Novo): 1%
Samara Martins (UP): 1%
Candidatos como Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e outros nomes menores não pontuaram. Os votos brancos e nulos no primeiro turno somam 5%. Os indecisos chegam a 2%.
O cenário político da semana influenciou os eleitores de três formas diretas.
A primeira envolve a economia e os programas sociais. O governo anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família. A oposição criticou a medida classificando a decisão como manobra eleitoreira. Eles evitaram ataques mais pesados com medo de perder apoio entre o eleitorado de baixa renda.
O segundo ponto é a redução da tensão no Supremo Tribunal Federal. O foco do debate público se afastou do ministro Alexandre de Moraes e do Banco Master. Isso diminuiu a associação negativa imediata com o atual governo.
O terceiro fator é o peso da política externa. Lula aproveitou a Assembleia Geral da ONU para criticar a influência de Donald Trump na campanha brasileira. O governo federal argumenta que aliados de Trump fomentam dúvidas sobre a segurança das nossas eleições e intensificam disputas comerciais.
Logo após o discurso na ONU, Trump se reuniu com líderes de direita das Américas. Ele classificou facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como grupos terroristas. Flávio Bolsonaro usou essa declaração para acusar Lula de ser tolerante com o crime organizado. O petista respondeu apontando o histórico de intervenções de Trump na América Latina, citando ações militares contra a Venezuela e a criação de tarifas em 2025.
As simulações de segundo turno confirmam dificuldades para o governo contra outros nomes. Lula empata tecnicamente com Ronaldo Caiado por 46% a 44%. O cenário se repete contra Augusto Cury, com o placar de 46% a 43%. O presidente vence com folga apenas contra Romeu Zema e Renan Santos. Em ambos os casos, o resultado final fica em 48% a 39%.
A reta final escancarou a agressividade das campanhas. Práticas populistas, divulgação de informações falsas e hipocrisia dominam a estratégia dos dois lados. O eleitorado fiel de Lula e de Bolsonaro perdoa qualquer erro de seus candidatos. Esse grupo enxerga denúncias apenas como prova de perseguição do adversário.
A decisão final não está nas mãos dos extremistas. Quem vai definir a eleição de 2026 é a parcela de eleitores moderados. Eles não possuem ligação cega com o lulismo ou o bolsonarismo. É exatamente esse público que as campanhas tentam convencer nos próximos dias usando todas as táticas possíveis para garantir a vitória.

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